Belém – Acervo Arqueológico de Cerâmica Marajoara


Imagem: Lilian Bayma de Amorim

O Acervo Arqueológico de Cerâmica Marajoara de Belém foi tombado pelo Departamento de Patrimônio do Estado do Pará.

Governo do Estado do Pará
DPHAC – Departamento de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural
Nome Atribuído: Acervo Arqueológico de Cerâmica Marajoara
Localização: Acervo do Sistema Integrado de Museus (SIM) – Belém-PA
Data de Tombamento: 24/01/1992

Descrição: Herdeiro dos estilos cerâmicos das culturas arqueológicas marajoara e tapajônica, o povo paraense tem uma predileção ao motivo decorativo marajoara. Essa apropriação pode ser percebida pela produção crescente de artesanato de Icoaraci, distrito próximo à cidade de Belém, reconhecido, tanto no Brasil, como no exterior, como polo de referência na reprodução de peças com inspiração em motivos da cultura marajoara.
No Pará, além de Icoaraci, existem mais dois importantes polos produção de cerâmica artesanal, representados pelos municípios de Santarém e Ponta de Pedras. Porém, o distrito de Icoaraci destaca-se pela quantidade e qualidade de produtos.

A produção de cerâmica em Icoaraci teve início no final do século XIX com a produção artesanal de peças de uso cotidiano, como vasos alguidares e panelas feitas de barro. Esse processo de confecção das peças é devido, entre outros fatores, à abundância do barro encontrado na região.
A partir da década de 1950, surge a cerâmica decorada, feita pelo artesão Antonio Farias Vieira, com inspiração em uma fotografia de um vaso marajoara. Outro marco importante para o aparecimento da cerâmica considerada artística foi a dedicação de Raimundo Saraiva Cardoso, artesão mais conhecido como “Mestre Cardoso”, responsável pela introdução definitiva desse estilo no artesanato de Icoaraci. O interesse de Mestre Cardoso por esse motivo decorativo se deu durante uma visita ao Museu Paraense Emílio Goeldi nos idos de 1968. Seu interesse foi apoiado por Conceição Gentil e Mário Simões, pesquisadores da área de arqueologia do MPEG, que permitiram seu livre acesso à Reserva Técnica para conhecer o acervo arqueológico da instituição. Desde então, surgiu uma colaboração que perdura até hoje entre o MPEG e os artesãos de Icoaraci (COIROLO, 2005). A colaboração se faz por meio de treinamento em contato com as peças originais, para o aprimoramento da arte de elaborar artesanato, com o objetivo de proporcionar“ […] o bem estar da população e o fortalecimento de nossa identidade cultural.” (RODRIGUES, 1999, p.10).
A busca por essa identificação pode ser considerada uma forma de resgatar e preservar o passado, perante a influência de agentes externos devido à nossa exposição ao mundo. O motivo marajoara pode ser entendido como o referente que identifica o paraense como o “detentor” da cultura marajoara e como ícone unificador dessa sociedade.
Fonte: Lilian Bayma de Amorim.

Histórico do município: A história da cidade de Belém confunde-se com a própria história do Pará através de quatro séculos de formação e desenvolvimento.
Coube a Francisco Caldeira Castelo Branco, antigo Capitão-Mor do Rio Grande do Norte, um dos heróis da expulsão dos franceses do Maranhão, a honra de comandar uma expedição de 200 homens com o objetivo de afastar do litoral norte os corsários estrangeiros e iniciar a colonização do ‘Império das Amazonas’.
Em 12 de janeiro de 1616, a cidade de Belém foi fundada por Francisco Caldeira Castelo Branco. Lançou os alicerces da cidade no lugar hoje chamado de Forte do Castelo. Ali edificou um forte de paliçada, em quadrilátero feito de taipa de pilão e guarnecido de cestões. Essa fortificação teve inicialmente o nome de Presépio, hoje o histórico Forte do Castelo. Em seu interior, foi construída uma capela, sendo consagrada a Nossa Senhora da Graça. Ao redor do forte começou a formar-se o povoado, que recebeu então a denominação de Feliz Lusitânia, sob a invocação de Nossa Senhora de Belém.
Nesse período ocorreram guerras, em decorrência do processo de colonização através da escravização das tribos indígenas Tupinambás e Pacajás e da invasão dos holandeses, ingleses e franceses. Vencidas as lutas com os invasores, a cidade perdera a denominação de Feliz Lusitânia, passando a ser Nossa Senhora de Belém do Grão Pará.
Em 1650, as primeiras ruas foram abertas, todas paralelas ao rio. Os caminhos transversais levavam ao interior. Era maior o desenvolvimento para o lado Norte, onde os colonos levantaram as suas casas de taipa, dando começo à construção do bairro chamado de Cidade Velha. Na parte sul, os primeiros habitantes foram os religiosos capuchos de Santo Antonio.
Em 1676, chegaram, da ilha dos Açores, 50 famílias de agricultores, no total de 234 pessoas. Nessa época, destaca-se a construção da Fortaleza da Barra e do Forte de São Pedro Nolasco.
No século dezoito, a cidade começou a avançar para a mata, ganhando distância do litoral. Belém constituía-se não apenas como ponto de defesa, mas também centro de penetração do interior e de conquista do Amazonas.
A abertura dos rios Amazonas, Tocantins, Tapajós, Madeira e Negro para a navegação dos navios mercantes de todas as nações, no século XIX, após o período colonial, contribuiu para o desenvolvimento da capital paraense.
No início do século XX, ocorreu grande avanço na cidade de Belém, porém a crise do ciclo da borracha e a I Guerra Mundial influenciaram a queda desse processo de desenvolvimento.
Fonte: IBGE.

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Lilian Bayma de Amorim


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