Ouro Preto – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias


Imagem: Iphan

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, em Ouro Preto-MG, foi construída por ordem do bandeirante Antônio Dias, por volta de 1699.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Nome atribuído: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias
Outros Nomes: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Cidade: Ouro Preto-MG
Localização: Distrito de Antônio Dias – Ouro Preto – MG
Número do Processo: 75-T-1938
Livro do Tombo Belas Artes: Inscr. nº 247, de 08/09/1939
Descrição: Coube ao bandeirante Antônio Dias a iniciativa da construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, por volta de 1699. Em 1705, instituída como matriz, foi o edifício provavelmente ampliado para adaptar-se à nova função. O rápido crescimento da população do arraial de Antônio Dias que, em 1711, passara a fazer parte da recém criada Vila Rica, exigiu a construção de um novo templo. Assim sendo, em 1727 iniciou-se a construção da atual Matriz de Antônio Dias, cujo projeto é atribuído a Manoel Francisco Lisboa.
Não é possível compor uma cronologia das obras da Matriz, uma vez que se perdeu a maior parte dos documentos de seu Arquivo, inclusive os livros da Irmandade do Santíssimo Sacramento, administradora da obra. Sabe-se que os trabalhos de construção foram iniciados um ou dois anos antes do que os da Matriz do Pilar, e tiveram um ritmo bem mais lento. Em 1741/1742, pelo menos uma das torres já devia estar concluída, conforme se infere do pagamento feito a Manoel Francisco Lisboa pelo conserto do sino. Em 1745, foi reconstruída em pedra e cal uma das paredes que ameaçava ruína, sabendo-se que a partir desta data até o ano de 1746, foram despendidos recursos com as campas, janelas e telhados da igreja. As obras se estenderam até 1756, ano em que foi iniciada a talha da capela-mor, concluída por volta de 1770, cujo risco de Antônio de Souza Calheiros, seria modificado posteriormente pelos entalhadores Jerônimo Félix Teixeira e Felipe Vieira, no período compreendido entre 1756 e 1768.
As obras de pintura e douramento da talha se deram depois de 1770 e foram concluídas em 1772. Os altares da nave, bem mais antigos, incluem peças remanescentes da primitiva matriz. As únicas indicações existentes sobre esses retábulos referem-se ao douramento e consertos realizados no retábulo de Nossa Senhora do Rosário, o primeiro em 1746, por Manoel Gonçalves, e o segundo, quatro anos mais tarde, por José Coelho de Noronha. Em 1794, a edificação apresentava estado físico precário, necessitando de obras de reparo no frontispício, torre e escadas, conforme indica requerimento do vigário da Freguesia à D. Maria I, solicitando verbas para as obras necessárias.
Desde 1852, os Relatórios dos Presidentes da Província referem-se a constantes verbas concedidas para obras de reparo na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, tendo sido realizados até 1854 serviços na torre e acampamento, reparos no forro e assoalho do consistório, rebocamento interno das torres, dentre outros serviços. Cabe destacar a construção do adro em frente à igreja entre 1860 e 1863, cuja obra foi dirigida por Joaquim Mariano Augusto de Menezes, e a colocação de grades que guarnecem os muros do mesmo, em 1881.
A construção da Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias é contemporânea à Matriz do Pilar, apresentando estrutura arquitetônica e fachada análogas. A planta se compõe pela justaposição de dois blocos quadrangulares, o primeiro correspondente à nave e o segundo à capela-mor e sacristia disposta transversalmente. A nave e a capela-mor são ladeadas por corredores, encimados por tribunas no andar superior, no qual se encontra ainda o coro anexo à fachada principal e o consistório acima da sacristia.
Internamente , difere-se totalmente da Matriz do Pilar, conservando a disposição tradicional, com os altares ao longo das paredes laterais. A decoração interna da nave é atribuída a Manoel Francisco Lisboa, arrematante da construção da igreja. Os altares laterais, em número de oito, são separados por monumentais pilastras caneladas e denticuladas no terço inferior, encimadas por capitéis jônicos. Esses altares incorporam-se apropriadamente ao conjunto geral da igreja, sendo caracterizados por Germain Bazin como representativos do estilo ” D. João V do Porto “. A talha da capela-mor (1756 e 1768 ) é constituída pela simplificação geral do programa decorativo, aliada à introdução de motivos rocaille na decoração das paredes laterais, podendo-se situá-la como obra de transição.
A igreja conserva um bom acervo de imaginária, salientando-se que entre as imagens de roca do altar-mor ( Santa Bárbara e São João Nepomuceno), encontra-se uma imagem de Nossa Senhora da Conceição que, segundo consta, teria sido confeccionada em 1893. Entretanto, as melhores peças acham-se em exposição no Museu Aleijadinho, instalado nos fundos da igreja, particularmente quatro magníficos leões de eça e a imagem de roca de São Francisco de Paula, de autoria de Antônio Francisco Lisboa. Cabe ainda lembrar que Aleijadinho foi enterrado na Matriz de Antônio Dias, em 1814.
Observações: O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN.
Fonte: Iphan.

FOTOS:

MAIS INFORMAÇÕES:
Patrimônio de Influência Portuguesa
Wikipedia


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