São José dos Campos – Estação Ferroviária Central


Imagem: Google Street View

A Estação Ferroviária Central foi tombada pela Prefeitura Municipal de São José dos Campos-SP por sua importância cultural para a cidade.

COMPHAC – Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da cidade de São José dos Campos-SP
Nome Atribuído: Estação Ferroviária Central S. J. Campos
Localização: Av. Sebastião Gualberto, n° 203 – Vila Maria – São José dos Campos-SP
Resolução de Tombamento: EP-2 – Lei Municipal nº 4943/96
Restaurada em meados dos anos 2010.

Descrição: Bem de 1925.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Descrição: A estação de São José dos Campos foi inaugurada pela E. F. do Norte em 1876. A linha original vinha de Jacareí, passava pela estação do Limoeiro (esta, aberta em 1894), depois a Parada Lima, cruzava o Ribeirão do Vidoca, subia a colina na direção aproximada da atual Avenida Anchieta, galgando a escarpa e alcançava o altiplano aproximadamente na atual confluência da Avenida São João com a Avenida Nove de Julho. Nesta área foram construídas a estação, armazéns, terminal de cargas e o escritório da Companhia.

Esta localização favoreceu o desenvolvimento do núcleo central em direção a essa região. A Av. João Guilhermino (antiga “Avenida da Estação”) transformou-se no principal “portal” de entrada da cidade e o elo de ligação entre a estação ferroviária e o centro.

A antiga estação, erigida em 1887, que substituíra a original (provavelmente de madeira ou uma estação muito pequena e provisória), situava-se onde hoje se encontram a estação de tratamento de águas da Sabesp e o Tênis Clube. O acesso a ela era por aquela avenida com renques de palmeiras, a João Guilhermino, que, segundo se conta, terminava à frente da velha estação. Dali os trilhos seguiam pelas encostas do vale do rio Lavapés, obedecendo a melhor declividade e, para retornar à várzea, guinavam repentinamente em curva para cruzar o ribeirão.

Foi nesta curva que, em 1915, ocorreu um desastre de grandes proporções. Em função dele, a EFCB decidiu mudar o traçado da ferrovia, criando uma nova variante pela várzea, que tangenciava a cidade pelos campos de Santana, local da nova estação. O medo de que a mudança da estação esvaziasse economicamente o centro gerou oposição na cidade, liderada por Napoleão Monteiro, editor do Correio Joseense. O seu prestígio e os seus vínculos com o Partido Republicano chegaram a paralisar o processo, passando-se a estudar a possibilidade de transferência apenas do terminal de cargas e de permanência da estação de passageiros no local tradicional, além do rebaixamento dos trilhos, permanecendo entricheirada a ferrovia. Porém, as obras da nova estação foram iniciadas em julho de 1922 e o prédio foi inaugurado, agora na avenida Sebastião Gualberto, em 19/09/1925, às 16:00 horas, com banda de música.

Poucos meses antes disso, a Central tentou denominar a futura nova estação o ”Doutor Dutra”, nome do engenheiro da ferrovia, mas houve inúmeros protestos na cidade. No mesmo dia da inauguração da estação, foi aberta a variante de 7,120 km, fechando-se então dois postos provisórios nos quilômetros 387 e 392, que ficavam nos entroncamentos da linha velha com a variante.

A mudança promoveu o crescimento industrial no Bairro de Santana, que passou a se constituir num importante bairro operário, característica que manteve até o fim da primeira metade do século XX. Com a construção da Rodovia Presidente Dutra em 1951, ocorre a diminuição gradativa da importância do sistema ferroviário no Brasil, chegando à extinção das atividades de transporte de pessoas (manteve-se o transporte de cargas). O transporte de cargas ganha força com o processo de extinção da Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA) e a concessão do direito de uso do sistema à MRS Logística em 1996.

A velha estação, desativada, foi demolida e no lugar do seu pátio e prédios foi construído o atual complexo da Sabesp para abastecimento de água da cidade. Após sua desativação, pouquíssimos são os joseenses que sabem que naquele ponto, hoje já incorporado à região central, um dia existiu a primitiva estação ferroviária de sua cidade.

A Estação de São José dos Campos segue operando até hoje, atendendo à MRS, que obteve a concessão do ramal em 1998. Ela foi preservada pela Lei Municipal n.º 4.943/96, em 1996.
Texto: http://www.estacoesferroviarias.com.br/s/sjcampos.htm
Fonte: FCCR.

Histórico da linha: Em 1869, foi constituída por fazendeiros do Vale do Paraíba a E. F. do Norte (ou E. F. São Paulo – Rio), que abriu o primeiro trecho, saindo da linha da S.P.R. no Brás, em São Paulo, e chegando até a Penha. Em 12/5/1877, chegou a Cachoeira (Paulista), onde, com bitola métrica, encontrou-se com a E. F. Dom Pedro II, que vinha do Rio de Janeiro e pertencia ao Governo Imperial, constituída em 1855. O ramal, que saía do tronco em Barra do Piraí, Província do Rio, atingira Cachoeira no terminal navegável dois anos antes, com bitola larga (1,60 m). A inauguração oficial do encontro entre as duas ferrovias se deu em 8/7/1877, com festas. As cidades da linha se desenvolveram, e as que eram prósperas e ficaram fora dela viraram as “Cidades Mortas”… O custo da baldeação em Cachoeira era alto, onerando os fretes, e foi uma das causas da decadência da produção de café no Vale do Paraíba. Em 1889, com a queda do Império, a E. F. D. Pedro II passou a se chamar E. F. Central do Brasil. Em 1890, incorporou a E.F. do Norte, com o propósito de alargar a bitola e unificá-las. Os trabalhos começaram em 1902 e terminaram somente em 1908. Em 1957 a Central foi incorporada pela RFFSA. O trecho entre Mogi e São José dos Campos foi abandonado no fim dos anos 1980, pois a variante do Parateí, construída mais ao norte, foi aos poucos provando ser mais eficiente. Em 31 de outubro de 1998, o transporte de passageiros entre o Rio e São Paulo foi desativado, com o fim do Trem de Prata, e no mesmo ano a MRS passou a ser a concessionária da linha. O transporte de subúrbios, existente desde os anos 1920 no ramal, continua hoje entre o Brás e Estudantes, em Mogi.
Fonte: FCCR.

Sistema ferroviário: As estradas de ferro se constituíram em importante melhoria nos sistemas de transporte do país, promovendo crescimento econômico e expansão da malha urbana ao longo do seu traçado.

Também em São José dos Campos esta influência se fez sentir, embora de maneira diversa à ocorrida na maioria das cidades do Vale do Paraíba. O crescimento desta cidade não ocorreu em torno do chamado Complexo Cafeeiro. Embora o café fosse a principal atividade econômica do município, este alcançou somente níveis modestos de produção, em relação a outras cidades valeparaibanas. Mesmo com a chegada do sistema ferroviário em 1886, este quadro urbano não sofreu grandes modificações. Porém, a estrada de ferro promoveu uma melhoria no sistema de transporte de cargas e passageiros, seguida de um crescimento do comércio local. Na chamada fase sanatorial (1900-1965), funcionou como elemento facilitador da chegada de doentes, técnicos e equipamentos, fortalecendo os profissionais e as atividades voltadas para este fim (sanatórios, pensões, médicos, enfermeiros, etc.). Nos primórdios do processo de industrialização, favoreceu as transações comerciais, pois ligava as duas grandes capitais (São Paulo e Rio de Janeiro) com esta região.

O sistema ferroviário constituiu-se num processo de aperfeiçoamento e modernização dos sistemas de transporte desde sua criação até meados do século XX. Como tal, trouxe maior contato entre as cidades, facilitando os processos migratórios e, consequentemente, promovendo crescimento populacional e formação de novos focos de povoamento em torno das estações.

Sérgio Milliet, em seu livro O Roteiro de Café e Outros Ensaios demonstrou que existem dois tipos de povoamento na região em face do ciclo ferroviário. No primeiro tipo se incluem povoamentos que se desenvolveram a partir de aldeamentos indígenas, anteriores à chegada das linhas férreas, e que iriam definir o desenho da malha ferroviária em torno de suas manchas urbanas. Do segundo tipo foram os aldeamentos posteriores à chegada das companhias ferroviárias, que se constituíram e cresceram em torno das estações de trem, estas últimas construídas para a manutenção dos trens ou para o transporte de cargas das áreas rurais.

Este último processo pôde ser verificado em São José dos Campos, pois, nas regiões onde foram construídas, as estações induziram a formação e o crescimento de bairros e de um distrito: Estação Limoeiro (Bairro do Limoeiro), Estação Ferroviária de São José dos Campos (Bairro de Santana), Estação Ferroviária Engº Martins Guimarães (Bairro Martins Guimarães) e Estação Ferroviária Eugênio de Melo (Distrito de Eugênio de Melo).
Fonte: FCCR.

Histórico do Município: As origens de São José dos Campos remontam ao final do século 16, quando se formou a Aldeia do Rio Comprido, uma fazenda jesuítica que usava a atividade pecuarista para evitar incursões de bandeirantes. Porém, em 10 de setembro de 1611, a lei que regulamentava os aldeamentos indígenas por parte dos religiosos fez com que os jesuítas fossem expulsos e os aldeãos espalhados.

Os jesuítas voltaram anos mais tarde, estabelecendo-se em uma planície a 15 quilômetros de distância, onde hoje está a Igreja Matriz de São José, no centro. Este núcleo, que deu origem à cidade, tinha clima agradável e ficavam numa posição estratégica em caso de invasões. Novamente a missão passava aos olhares externos como fazenda de gado. Nesse período, a aldeia apresentou sérias dificuldades econômicas por causa do grande fluxo de mão de obra para o trabalho nas minas.

Em 1759, os jesuítas foram expulsos do Brasil, e todas as posses da ordem confiscadas por Portugal. Na mesma época, Luis Antonio de Souza Botelho Mourão, conhecido como Morgado de Mateus, assumiu o governo de São Paulo, com a incumbência de reerguer a capitania, mera coadjuvante num cenário em que Minas Gerais se destacava pela atividade mineradora. Uma das primeiras providências foi elevar à categoria de vila diversas aldeias, entre elas São José, com o objetivo de aumentar a arrecadação provincial.

Mesmo antes de se tornar freguesia, a aldeia foi transformada em vila em 27 de julho de 1767 com o nome de São José do Paraíba. Foram erguidos o pelourinho e a Câmara Municipal, símbolos que caracterizavam a nova condição. Entretanto, a emancipação política não trouxe grandes benefícios até meados do século 19, quando o município passou a exibir sinais de crescimento econômico, graças à expressiva produção de algodão, exportado para a indústria têxtil inglesa.

Depois de ocupar posição periférica no período áureo do café no Vale do Paraíba, São José dos Campos ganhou destaque nacional na chamada fase sanatorial, quando inúmeros doentes procuravam o clima da cidade em busca de cura para a tuberculose. Gradativamente já estava sendo criada uma estrutura de atendimento, com pensões e repúblicas.

Em 1924 foi inaugurado o Sanatório Vicentina Aranha, o maior do país. Somente em 1935, com os investimentos do governo de Getúlio Vargas e a transformação do município em estância climatérica e hidromineral, o município pôde investir em infraestrutura, principalmente na área de saneamento básico, que no futuro viria a ser um trunfo a mais para a atração de investimentos destinados ao desenvolvimento industrial.

Entre 1935 a 1958, a cidade foi administrada por prefeitos sanitaristas, nomeados pelo governo estadual. A autonomia para eleger o prefeito foi perdida em 1967, durante o regime militar, e reconquistada em 1978.

O processo de industrialização da de São José dos Campos tomou impulso a partir da instalação, em 1950, do então Centro Técnico Aeroespacial (CTA) – hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) – e inauguração da Via Dutra, em 1951. Nas décadas seguintes, com a consolidação da economia industrial, a cidade apresentou crescimento demográfico expressivo, que também acelerou o processo de urbanização.

Nos anos 90 e início do século 21, São José dos Campos passou por um importante incremento no setor terciário. A cidade é um centro regional de compras e serviços, com atendimento a aproximadamente 2 milhões de habitantes do Vale do Paraíba e sul de Minas Gerais.
Fonte: IBGE.

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