Ubá – Estação Ferroviária da Praça Guido Marlière
A Estação Ferroviária da Praça Guido Marlière foi tombada pela Prefeitura Municipal de Ubá-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Ubá-MG
Nome atribuído: Estação Ferroviária da Praça Guido Marlière
Localização: Praça Guido Marlière – Ubá-MG
Descrição: A data da inauguração da estrada de ferro e da estação ferroviária é controversa, havendo registros que informam ser a construção datada de 1879, ano da chegada dos trilhos e outros de 1881. Ei-los:
“…a estação de Ubá foi inaugurada em 1879, havendo também referências à data de 20/02/1880 para essa abertura. Em 1886, com a abertura da estação de Ligação e a conseqüente união da linha do Centro com a estação de Três Rios via Bicas e Pequeri, Ubá passou a ser atingida por dois trens, ambos vindos do Rio de Janeiro, um que passava por Cataguases e outro, por Bicas. Na primeira metade dos anos 70, a linha que vinha por Bicas parou com os trens de passageiros, e logo depois, nos anos 80, a linha do Centro também parou. Pelo menos até 1980 ainda trafegavam por ali trens mistos, trazendo passageiros para a estação. A linha do Centro, ainda ativa para cargueiros até a região de Cataguases, nunca foi oficialmente suprimida…”
No artigo “Um século de autonomia”, publicado no jornal ubaense “Folha do Povo”, em 1953, de Campomizzi Filho, encontramos:
“…Cem anos são passados da lei provincial que criou o município de Ubá. Muita coisa de importante se registrou depois desse grande passo. Em vinte e oito de fevereiro de oitenta inaugurou-se a ferrovia. Veio depois o telégrafo. Mais tarde, chegaram os colégios. Seguiu-se a iluminação hidroelétrica. O rádio e o cinema se incorporaram à vida municipal como decorrência de nosso crescimento em todos os sentidos.”
Parece-nos que a ferrovia chegou de fato a Ubá em 1879. Os estudos de GIESBRECHT são fartos e balizados. E é bem provável que o prédio tenha sido construído nessa época, vindo a ser inaugurado, festivamente, em 1881, pelo Imperador Dom Pedro II. Ampara-se tal hipótese em Morais: “Quando, em Novembro de 1881 o nosso saudoso monarca Dom Pedro de Alcântara e sua Augusta esposa nos visitaram pela primeira vez, com o objetivo de inaugurar o tráfego da estrada de ferro até a estação desta cidade, estando a ponta dos trilhos já na fazenda do saudoso e ilustre ubaense Cel. Manoel de O. Brandão, foram eles hospedados pelo Dr. Braz Valentim Dias, humanitário e querido clínico de saudosa memória, na casa de sua residência então, hoje residência e propriedade do ilustre ubaense, Major José Theodoro Gonçalves. Esse velho solar teve então as honras de Palácio Imperial durante 36 horas, o tempo que durou a imperial visita à nossa querida Ubá”. Tal depoimento integra uma das crônicas publicadas na imprensa ubaense de outrora, recolhidas e editadas pela Academia Ubaense de Letras, em 1988.
Quando menino, Levindo Coelho, mais tarde senador, morava em Ubá e também assistiu à visita do Imperador D. Pedro II e a descreveu em suas memórias. Sua narrativa corrobora a crônica de Morais:
“Em 1881, Ubá foi o teatro de um acontecimento único em sua vida social, que não se repetirá. Mesmo porque, o fato é consumado, os homens do tempo já desapareceram, o regime é outro. (…) Foi assim, o que se verificou na inauguração da Estação da E. F. Leopoldina e da sua linha férra [sic] nesta cidade de Ubá quando foi honrada com a presença de suas Majestades o Imperador, Dom Pedro II e sua augusta esposa a Imperatriz Dona Teresa Cristina e mais dignatários da sua côrte. (…) Às três horas da tarde, um longo apito do comboio imperial comunicava a chegada dos augustos hospedes e o povo se comprimia na gare e nos arredores da estação que era um edifício fechado a tabuas aplainadas e embutidas em paredes. O trem se deteve junto à gare por entre jubilosas aclamações, sendo o comboio puxado pela maquina Furquim.”
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: A palavra Ubá, em tupi-guarani, significa canoa de uma só peça escavada em tronco de árvore. É também o nome popular da gramínea “Gynerun Sagittatum”, da folha estreita, longilínea e flexível, em forma de cano, utilizada pelos índios na confecção de flechas de caça e combate, e encontradas em toda a extensão das margens do ribeirão que corta a cidade. O nome do Rio Ubá se deu justamente pela existência dessas gramíneas.
A colonização da bacia do Rio Pomba deu-se, inicialmente, a partir da decadência das atividades de mineração. Em fins do século XVIII e início do século XIX, várias famílias deixaram Mariana, Ouro Preto, Guarapiranga e outros centros de extração à procura de terras férteis e propícias à agricultura, onde pudessem desenvolver atividades de renda mais estável e segura.
As regiões banhadas pelo Rio Turvo, Chopotó, Pomba e outros, eram assediadas devido à ocorrência de florestas que prestaram à extração de madeira e que até então eram habitadas pelos índios (chopós, croatos e puris) e aventureiros. Esses, fundaram fazendas, que prosperaram e deram início à formação de núcleos de população, hoje, cidades florescentes, entre as quais, a cidade de Ubá.
Em novembro de 1767, o Padre Manoel de Jesus Maria foi encarregado de catequizar os índios, preparando as bases para a entrada dos donos de sesmarias, a partir de 1797, iniciando assim a organização de um grande aldeamento central.
No período de 1797 à 1798, foram doadas as primeiras sesmarias, localizadas em terras desocupadas e situadas nas cabeceiras, encostas e margens do Rio Ubá. Nesta época, Bernardo Antônio de Lorena, do conselho de sua majestade, rei D. João VI, era governador da capitania de Minas Gerais.
Em 1805, o capitão Mor Antônio Januário Carneiro, natural de Calambau e seu cunhado, comendador José Cesário de Faria Alvim, adquiriram várias sesmarias até então pertencentes ao Município de São João Batista do Presídio, hoje, Visconde do Rio Branco, trazendo suas famílias, escravos e rebanhos. Fundaram, assim, a atual cidade de Ubá.
Neste período, segundo acordo firmado entre o Vaticano e os reis católicos, quando fosse fundada uma povoação nos países colonizados, em primeiro lugar deveria ser construída um igreja como marco inicial.
Enquanto os primeiros donos das terras situadas às margens do Rio Ubá se preocupavam com suas fazendas, Antônio Januário Carneiro idealizou fundar uma povoação. Seu primeiro passo foi liderar um movimento para assinar a petição requerendo o alvará para a construção da igreja, a qual deveria ser provida de parâmetros para que pudesse ser consagrada ao seu orago (santo de invocação que dá nome à capela).
Para promover esta povoação, o capitão Mor trouxe todos os operários necessários para a construção da igreja, dando-lhes pequenas glendas de terras, moradia e alimentos, enquanto não pudesse ter abastecimento próprio pelo cultivo da terra. Foi também por seu intermédio, que dezenas de famílias vieram em princípio do século XIX, para o povoado que estava se formando, como os Vieira de Andrade, Faria Alvim, Ferreira Valente, Martins Pacheco e outros mais.
A capela foi construída sob a devoção de São Januário. Com o crescimento do arraial foi elevada à Paróquia de São Januário de Ubá em 07 de abril de 1841. O desenvolvimento do povoado se deu gradativamente ao redor da Paróquia e em direção à estrada que levaria à Guarapiranga, onde foram edificadas as primeiras residências em sapé. Esse povoado recebeu o nome de São Januário de Ubá. Devido ao desenvolvimento da paróquia e das atividades dos habitantes, principalmente a cultura do café, em 1854 o povoado recebeu o foro de Vila e, em 1857, foi elevada à categoria de cidade com o nome de Ubá.
Nesse período colonial, a terra tinha pouco valor, pois tudo estava por fazer e o produto primário era o grande objetivo da transformação, tornando a mão-de-obra do campo a principal fonte de renda. O escravo tornou-se peça fundamental para o desenvolvimento agrícola da região, chegando a valer nessa época, mais do que 30 alqueires de terra.
Somente após 1810, houve incentivo ao tráfico de escravos que, com sua capacidade de cultura à terra e seu adestramento nos trabalhos da Casa Grande, contribuíram bastante para a economia cafeeira de Ubá.
A chegada dos imigrantes italianos proporcionou um aumento nas diversas culturas, principalmente na fumageira. A imigração ocorreu em duas épocas distintas e procedências diferentes:
– A primeira fase correspondeu ao ingresso de imigrantes provenientes do sul da Itália que traziam como vantagem sua variadas profissões: artesãos, alfaiates, comerciantes, operários, ferreiros, caldeireiros e marceneiros. Contudo, não eram agricultores, mas colaboravam, e muito, para a melhoria da cidade de Ubá, que, na época, não contava com luz, calçamento, saneamento básico, como todas as demais cidades da Zona da Mata.
– A segunda fase correspondeu à chegada de imigrantes provenientes do norte da Itália, que chegaram aqui somente após a abolição da escravatura em 1888. Ao contrário dos primeiros, esses eram camponeses organizados e disciplinados que vieram substituir o trabalho escravo, dando a Ubá um novo impulso econômico.
Os imigrantes tiveram importantes participações na evolução do município sob os aspectos político, econômico e social, tendo sido um dos poucos municípios do estado, onde os italianos permaneceram após a crise agrícola no país, com a queda do preço do café. Nesta época, houve grande fuga dos colonos, principalmente italianos, que saíam do Estado de Minas Gerais em direção ao Estado de São Paulo.
Aproveitando a baixa geral dos imóveis, adquiriram grandes extensões de terra. Compravam fazendas e subdividiam-nas em várias propriedades, fato que gerou grande atração aos colonos vindos de outras regiões.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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