Bananeiras – Centro Histórico
O Centro Histórico de Bananeiras, na Paraíba, foi tombado por sua importância histórica e cultural para o Estado.
IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba
Nome Atribuído: Centro Histórico de Bananeiras
Localização: Bananeiras-PB
Decreto de Tombamento: Decreto n° 31.842, de 04/12/2010
Descrição: Coriolano de Medeiros diz que a colonização de Bananeiras teve inicio na segunda ou terceira década do Século XVII. Entre seus pioneiros-desbravadores, o historiador cita Zacarias de Melo e Domingos Vieira, procedentes da Vila de Monte-mor (a Mamanguape e atual).
Eles obtiveram sesmarias na região em 1716, escolhendo glebas nas proximidades de uma lagoa, que corria no fundo de um vale. Ali, existiam muitas pacoveiras, uma bananeira rústica, que produzia frutos inadequados para o consumo humano. Daí surgiu o nome Bananeiras, que passou a denominar o município. Esta é a versão histórica, até hoje aceita pelos estudiosos.
Curiosidades e atrações – Bananeiras foi o maior produtor de café da Paraíba e o segundo do Nordeste. Em 1852, o café de Bananeiras rivalizava em qualidade e aceitação com o de São Paulo. Aqui, produzia-se um milhão de sacas ao ano. O transporte era precário, para fazer o produto chegar aos principais centros consumidores. O trem só chegaria 72 anos depois.
As edificações do Período colonial (séc.18), neoclássico, ecléticos, art-decô e protomodernistas, que ainda existem na cidade, são os resultados da opulência vivida pela aristocracia rural. O dinheiro do café permitia a construção de palacetes, com ladrilhos importados. O fausto do café acabou em 1923, com a praga Cerococus paraibensis que contaminou as plantações. A cana-de-açúcar, o fumo, o arroz e, posteriormente, o sisal, passaram a figurar como produtos estratégicos da economia regional.
O patrimônio arquitetônico (casario) do Município é muito rico (mais de 80 edificações catalogadas pelo IPHAEP), sendo que a grande maioria desse patrimônio encontra-se em bom estado de conservação e em 2010 a cidade foi tombada como PATRIMÔNIO HISTÓRICO DO ESTADO DA PARAIBA, pelo IPHAEP.
Fonte: Governo do Estado.
Correios e Telégrafos – É um a construção de 1835. Tem 170 anos de existência. Foi um dos primeiros estabelecimentos do Nordeste a empregar o serviço do “escravo carteiro”. Assim era chamado o negro cativo encarregado de conduzir os malotes postais para diversos lugares.
Igreja de Nossa Senhora do Livramento – Sua construção durou em torno de 20 anos. Foi concluída em 1 de janeiro de 1861. O padre José Antônio Maria Ibiapina incentivou a sua construção, com apoio do Monsenhor Hermenegildo Herculano. A antiga capela de taipa havia desmoronado. Bananeiras não tinha mais que mil habitantes. Em 1919, foi calçada a primeira rua, com pedras irregulares, também chamadas “pé de moleque” ou “imperiais”.
Colégio das Dorotéias (Carmelo) – Foi construído em 1917. Mantém as linhas arquitetônicas originais. Educou “a elite feminina” de boa parte da Paraíba e do Nordeste, até os meados da década de 1960, quando ainda funcionava como internato. Hoje é da diocese e alugada para um Cursinho Pré Vestibular.
O Trem – Chegou a Bananeiras em 22 de setembro de 1922, após a construção do túnel da serra da viração. Foi no Governo de Solon de Lucena, um ilustre filho da terra, na época governador da Paraíba. Este homem dizia que “o trem chegaria a Bananeiras nem que fosse por baixo da terra”. Profecia? Quase. A tecnologia anglo-brasileira teve de perfurar um túnel de 202m, na pedra maciça, para que o trem atingisse Bananeiras, após passar pela vila de Camucá (a atual Borborema).
Anglo-francês – A antiga estação de trens foi transformada no Hotel Pousada da Estação. Não houve modificação arquitetônica externa. O prédio foi construído pela Great Western of Brazil. O telhado da plataforma guarda o estilo arquitetônico anglo-francês, por se apoiar sobre vigas de ferro comumente chamadas “mãos francesas”. Mesmo sendo inglesa, a Great Western of Brazil empregava operários franceses. O conjunto Arquitetônico da Antiga Estação também tombado pelo IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba e hoje abriga uma pousada, restaurante e o Museu da Cidade.
O Túnel do Trem – Construído em 1922 permitiu que a estrada de ferro chegasse a Bananeiras. Antes, o trem só ia até a Vila de Camucá (Borborema), a 12 Km de distância. Durante o São João, o Túnel é transformado em Salão de Forró e é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.
O Cruzeiro de Roma – Surgiu em 1899, construído em homenagem a Sagrada Família, por um proprietário rural, que, após ter alcançado uma graça, como pagamento de uma promessa, e, depois do consentimento do Papa em Roma, na passagem do Século XIX para o Século XX. A capelinha e a construção anexas têm 106 anos de existência e situam-se a 507m de altura, no topo de um chapadão intermediário da Cordilheira da Borborema. Ocupa o epicentro das caminhadas dos peregrinos em demanda do roteiro “Nos Passos de Pe. Ibiapina”. No topo do cruzeiro é possível avistar 05 municípios da Paraíba, além da Estatua de Frei Damião em Guarabira.
Cachoeira e APA do Roncador – É um lençol d’água que desaba de uma altura de 45m, graças a uma depressão formada no curso médio (com mais de 10 pequenas quedas d’água nas pedras) do riacho Bananeiras que nasce na mata da UFPB de Bananeiras. A flora nativa em redor da cachoeira mostra uma natureza exuberante, onde permanecem angelins, sucupiras, pau d’arcos, sapucaias e pirauás.
O local é adequado para caminhadas ecológicas e a prática de camping selvagem. Tem um restaurante de comida regional bem próximo ao local, exatamente onde fica o estacionamento que dá acesso a Cachoeira. Fica situada exatamente no limite dos Municípios de Bananeiras e Borborema, no Sítio Angelim.
Fonte: Governo do Estado.
FOTOS:
- Imagem: Governo do Estado
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Observa-se uma possível inconsistência cronológica nas informações apresentadas. Segundo o texto, a ocupação de Bananeiras teria se iniciado entre 1620 e 1630, tendo como desbravadores Zacarias de Melo e Domingos Vieira, oriundos da então Vila de Monte-mor (atual Mamanguape). Entretanto, também é informado que a concessão das respectivas sesmarias ocorreu apenas em 1716.
Caso ambas as informações estejam corretas, surge uma incompatibilidade temporal que merece esclarecimento. Isso implicaria um intervalo de aproximadamente 86 anos entre a chegada dos supostos desbravadores e a efetiva concessão das sesmarias, hipótese que se mostra pouco plausível se os beneficiários fossem as mesmas pessoas. Assim, cabe indagar se houve equívoco na cronologia apresentada, confusão entre gerações de indivíduos com os mesmos sobrenomes ou outra circunstância histórica que justifique essa discrepância.
Outro aspecto que suscita questionamentos refere-se à afirmação sobre a existência de edificações do período colonial (século XVIII). Até o momento, não são de meu conhecimento exemplares preservados ou mesmo em ruínas de edificações com características neoclássicas ou ecléticas que possam ser atribuídas àquele período. Convém destacar que os estilos neoclássico e eclético são, em sua maior parte, posteriores ao período colonial brasileiro, razão pela qual sua associação ao século XVIII requer fundamentação documental.
Também merece análise crítica a informação de que Bananeiras, em 1580, seria a quinta maior cidade da Paraíba, com população estimada entre 15 mil e 20 mil habitantes, abrangendo um território correspondente aos atuais municípios de Solânea, Borborema, Vila Maia, Dona Inês, Araruna, Guarabira, Belém, Pirpirituba, Tacima e Riachão, além de possuir entre 20% e 25% de sua população composta por escravizados.
Associada a esses dados, apresenta-se a alegação de uma produção anual de aproximadamente 1.000.000 de sacas de café. Considerando que cada saca pesaria cerca de 60 quilogramas, essa produção corresponderia, em média, a 83.333 sacas por mês ou cerca de 2.777 sacas por dia. Diante desses números, torna-se pertinente questionar a viabilidade logística desse volume de transporte até o Porto do Capim. Quantos trabalhadores escravizados seriam necessários para realizar esse deslocamento? Quantos animais de carga, como jumentos e cavalos, seriam indispensáveis para sustentar tal operação? Essas estimativas sugerem que a dimensão da infraestrutura exigida seria extraordinária, razão pela qual os dados apresentados necessitam de comprovação por meio de fontes históricas confiáveis.
Em síntese, as informações expostas parecem apresentar inconsistências cronológicas e quantitativas que comprometem sua plausibilidade histórica. Recomenda-se, portanto, a revisão das datas, dos dados demográficos e dos indicadores de produção agrícola, confrontando-os com documentação primária e bibliografia especializada, a fim de assegurar maior consistência histórica e metodológica.