Goiânia – Painéis de D. J. Oliveira


Imagem: UFG

Os Painéis de D. J. Oliveira em Goiânia-GO foram tombados por sua importância cultural para a cidade.

Gerência de Patrimônio Artístico e Cultural de Goiânia-GO
Nome Atribuído: Painéis de D. J. Oliveira
Localização: Prédio do Restaurante Universitário da UFG – Praça Universitária – Setor Universitário – Goiânia-GO
Resolução de Tombamento: Decreto n° 887, de 22 de abril de 2010
Publicação do Tombamento: D.O. n° 4.847, de 26 de abril de 2008

Descrição: A obra artística a ser restaurada foi realizada em 1966 e tombada pela Prefeitura de Goiânia em 2010. O conjunto de pintura mural composto por seis painéis se encontram comprometidos pela dificuldade à leitura visual quanto aos aspectos formais e estéticos da obra em sua originalidade artística da época. DJ Oliveira é considerado um importante artista no panorama histórico do município e a restauração da obra dele visa, principalmente, promover a preservação e manutenção das tradições artísticas em Goiás.
Texto: Fabrício Soveral.
Fonte: UFG.

Descrição:

Desejava ilustrar o ensino de cada faculdade, e, cada vez que eu me dirigia à minha prancheta para fazer meu estudo, nenhum deles me satisfazia. […] Eu já estava completamente desanimado, até que um dia […] não lembro qual, mas era neste mês de novembro. Chovia muito! E, lá naquela época, lá em cima, na universidade, não era asfaltado. […] Eu estava olhando a janela e vi que, dessa chuva forte, as crianças saíam pra rua e entravam naquela casca de buriti e desciam enxurrada abaixo. Então, eu fiquei observando aquilo, várias horas, e aí surgiu a ideia. Eu, então, simbolicamente, fui criando brinquedos infantis relacionados a cada faculdade. […] Você tem uma gangorra com meninos brincando e eu quis representar, simbolicamente, a balança, dirigida à faculdade de Direito. Em seguida, são três crianças brincando com a bola. Então eu relacionei com a Filosofia, com o lado das letras, com o pensamento. Depois vem um outro, que são meninos brincando com bola de gude, que é uma brincadeira que a gente faz uma incisão no chão onde, então, a gente vai jogando aquelas bolas de vidro… Eu dirigi aquele mural à Medicina. Depois tem um outro que são os meninos soltando, papagaio. Eu fiz dirigindo à faculdade de Artes, que é o sonho, que são aquelas fantasias que a gente teve. E, por último, aquele menino jogando pião, eu fiz relacionado à Arquitetura e Engenharia.
(Palestra proferida pelo artista plástico DJ Oliveira intitulada Projeto reflexão e busca. Prefeitura de Goiânia, Secretaria Municipal de Cultura, Museu de Arte de Goiânia. Goiânia, 25 nov. 1985.)
Texto: Illa Rachel.
Fonte: UFG.

O artista: DJ Oliveira nasceu em Bragança Paulista, no estado de São Paulo, no dia 14 de novembro de 1932 e mudou-se para Goiás em 1956. Em Goiânia, passou a dedicar-se exclusivamente à pintura, à gravura e aos murais, sempre retratando temas do cotidiano goiano. Ele adaptou a técnica de gravura em metal, em geral feita no cobre, para a prática da gravura em ferro. Entretanto, o artista ficou famoso por utilizar a técnica do afresco em obras como o próprio painel da UFG e outro localizado na fachada do Colégio Maria Auxiliadora.

DJ trabalhou com pintura, desenho publicitário, além de lecionar pintura, desenho e gravura na Escola Goiana de Belas Artes da antiga Universidade Católica de Goiás. Contribuiu para a formação de artistas como Siron Franco, Iza Costa, Ana Maria Pacheco, entre outros. DJ Oliveira faleceu no dia 23 de setembro de 2005, deixando um legado importante para as artes plásticas do estado.
Texto: Illa Rachel.
Fonte: UFG.

Histórico do município: Desde a proclamação da República, em 1889, a transferência da capital goiana da cidade de Goiás, criada no século XVIII, já era discutida. A Constituição de 1891, no entanto, manteve a capital na antiga região aurífera. Com o fim do período do ouro, a velha Goiás, antiga Vila Boa, começou a perder a hegemonia econômica e cidades envolvidas com a criação de gado e agricultura, localizadas mais ao Sul do Estado, passaram a ter mais importância do que a capital.

Com a revolução de 1930, movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas tornou-se chefe do Governo Provisório, revogou a Constituição de 1891 e passou a governar por decretos. Getúlio nomeou interventores para todos os governos estaduais. Em Goiás, foi nomeado o médico Pedro Ludovico Teixeira, que havia lutado na revolução de 1930.

Pedro Ludovico se opôs a oligarquia política da época e decidiu que era hora de mudar a capital de Goiás. Para Pedro, era preciso impulsionar a ocupação do Estado, direcionando os excedentes populacionais para espaços demográficos vazios na tentativa de aumentar a produção econômica. Na visão do interventor goiano, a mudança da capital era uma das alternativas que permitiria a ligação do Centro-Oeste ao sul do País.

Em 1932, Pedro Ludovico instituiu uma comissão, presidida por D. Emanuel Gomes de Oliveira, que deveria discutir e escolher o melhor local para a construção da nova capital. A resistência da forte oposição a Pedro Ludovico considerava dispendiosa e desnecessária a mudança da Capital, mas o interventor, bem como a cúpula dos revolucionários de 1930, consideravam a construção de uma nova cidade como investimento e não gastos desnecessários.

Em janeiro de 1933, a comissão instituída por Pedro Ludovico procedeu a realização de estudos das condições topográficas, hidrológicas e climáticas das localidades de Bonfim (atual Silvânia), Pires do Rio de Ubatan (atual vila de Erigeneu Teixeira, em Orizona) e Campinas (atual bairro de Campinas). O relatório final apresentado a Pedro Ludovico indicou uma fazenda localizada nas proximidades do povoado de Campinas como o local ideal para construção da nova capital.

O decreto estadual nº 3359, de 18 de maio de 1933, determinou a escolha da região às margens do córrego Botafogo, compreendida pelas fazendas Crimeia, Vaca Brava e Botafogo, no então município de Campinas, para a edificação da nova capital de Goiás. Em 24 de outubro de 1933, em local definido pelo engenheiro, arquiteto, urbanista e paisagista Attilio Corrêa Lima, responsável pelo projeto urbanístico da nova capital, Pedro Ludovico lançou a pedra fundamental de Goiânia. A data foi escolhida para homenagear os três anos da revolução de 1930.

De acordo com relatos históricos, o nome sugerido para a nova capital de Goiás teria sido “Petrônia”, em homenagem ao seu fundador Pedro Ludovico. O jornal O Social havia realizado um concurso cultural com seus leitores para o batismo da nova cidade. Dois nomes concorreram: Petrônia e Goiânia. O primeiro foi escolhido por 68 leitores do jornal, enquanto Goiânia obteve menos de 10 votos. Pedro Ludovico, no entanto, por razões que ele nunca revelou a ninguém, preferiu Goiânia e em decreto de 2 de agosto de 1935 formalizou o nome da nova capital.

Construída inicialmente para 50 mil habitantes, Goiânia experimentou um crescimento moderado até 1955. Entretanto, devido a uma série de fatores, como a chegada da estrada de ferro, em 1951, a retomada da política de interiorização de Getúlio Vargas, de 1951 a 1954, a inauguração da Usina do Rochedo, em 1955, e construção de Brasília, de 1954 a 1960, cerca de 150 mil pessoas já habitavam a nova capital em 1965. Apenas da década de 1960, Goiânia ganhou cerca de 125 novos bairros e tudo isso exigia mais infraestrutura, energia, transporte e escolas.
Fonte: Prefeitura Municipal.

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Iphan-GO

 


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