Natal – Antiga Escola Doméstica de Natal
O Antigo Prédio da Escola Doméstica de Natal, em Natal, foi tombado pela Fundação José Augusto por sua importância cultural para o Estado do Rio Grande do Norte.
Governo do Rio Grande do Norte
FJA – Fundação José Augusto
Nome Atribuído: Antigo Prédio da Escola Doméstica de Natal
Localização: R. Augusto Severo, esquina com R. Henrique Castriano – Natal-RN
Data de Tombamento: 11/05/1989
Uso Atual: Clínica Doutor Carlos Passos
Descrição: Em um contexto urbano em transformação, c na constante busca da elite em inserir elementos modernizam es no espaço urbano de Natal, a proposta de uma escola voltada ao ensino doméstico feminino não só foi aceita, como foi patrocinada pelo governo de Alberto Maranhão.
O Estado fez a doação do terreno no recém projetado bairro da Cidade Nova, e promoveu a construção do prédio da Escola Doméstica de Natal. Em se tratando, de uma Escola Doméstica, única escola nesse gênero no país e pioneira cm toda a América do Sul no ensino doméstico, havia imensa expectativa e curiosidade por parte da sociedade local por informações a cerca de sua construção e organização.
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A cerimônia solene de inauguração da Escola Doméstica de Natal aconteceu em 1° de setembro de 1914, no salão central do próprio prédio, sob a presidência do governador do Estado, com a presença da diretoria da Liga do ensino, as professoras suíças Helena Bondoc e Jeanne Negulesco, o representante do bispo diocesano e altas autoridades da educação local. O acontecimento sublinhou o grande interesse das elites locais no evento:
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A Escola Doméstica de Natal iniciou suas aulas sob a direção de Helena Bondoc e corpo docente composto por professoras européias, funcionando em atendimento as alunas nos moldes de internato e dc semi-inlernato, variando o pagamento de acordo com o regime (interna ou semi-interna) escolhido. As mensalidades pagas pelas famílias à Escola Doméstica de Natal era de 50$000 às alunas internas e de 30$000 às alunas semi-internas.
Estas últimas cumpriam o horário de permanência na escola entre 7:30 h às 18:00 h.
O programa de estudos da escola, organizado pela diretora, Helena Bondoc, compreendia as mais diversas áreas do conhecimenio doméstico, dividindo-se em cursos teóricos e cursos práticos, desde as áreas da aprendizagem doméstica propriamente dita, como: cozinha prática e teórica, curso de alimentação, de lei teria, lavagem de roupa,
conserto de roupa, economia doméstica, corte e feitio do vestuário, jardinagem, horticultura, etc, até a seção de áreas pouco conhecidas pela mulher do período, como: química, botânica, física, anatomia, puericultura, higiene individual e medicina prática.
Sendo este vasto e inovador programa, autorizado em 27 de Agosto de 1914, pelo presidente do Conselho Diretor da Liga do Ensino de acordo com o art. 19 n.VI dos respectivos estatutos.
O programa de estudos da Escola Doméstica de Natal, é constituído com o que há de mais moderno – de acordo com os currículos das escolas européias – na área do conhecimento médico-higienistico; as disciplinas dc psicologia, puericultura e higiene física e alimentar eram a área do conhecimento que vinham ganhando cada vez mais espaço na sociedade brasileira. As alunas da Escola Doméstica eram instruídas com base no estudo do desenvolvimento saudável das crianças, assim como, as formas mais adequadas e modernas de tratá-las. Os cuidados afetivos, a alimentação, a prevenção e o trato de doenças e a higiene dos pequenos passavam pelas novas descobertas e conceitos científicos, ensinados – pioneiramente – nos bancos escolares da Escola Doméstica de Natal.
O regulamento da escola determinava como condições de admissão, que as alunas deveriam ter idade acima dc 15 anos e possuir um diploma ou atestado de conclusão da escola primária Aquelas que fossem internas deveriam trazer, como enxoval, além dos vestidos e da roupa de cama e de (oucador, quatro aventais de cor. com mangas que cobrissem inteiramente o vestido e quatro aventais brancos de diversos modelos; o penteado simples era absolutamente indispensável, e as jóias não eram admitidas na escola, sendo também necessário um chapéu de palha, simples e grande para os trabalhos de jardinagem.
A rotina diária da Escola Doméstica de Natal iniciava-se às 7:30h com o desjejum (em seguida) as aulas. Ao meio dia era servido o almoço Retomavam então às aulas e às 16:00h paravam para tomar a merenda. Sendo às 19;00h servido o jantar, refeição restrita apenas às alunas em sistema de internato, já que as alunas semi-internas eram liberadas às 18:00h.
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Dentre todo o vasto programa de estudos, destaca-se o setor de puericultura, sendo, talvez a parte mais importante e valorizada da sociedade do período que, contagiada com a “campanha dc desodorização” ocorrida inicialmente na Europa e alastrada por todo o Brasil, extravasando os limites da saúde individual o modificando a feição social da família para adaptá-la à ordem urbana.
Nesse período, de grande preocupação com a higiene e com a infância, a imagem feminina está diretamente ligada à idéia da “guardiã do Lar”, já que a família higiênica tão propagada passa a solicitar insistentemente a participação da mulher como: mãe devotada, carinhosa, prendada e preocupada com a higiene da casa e n manutenção da saúde de seus filhos e marido, encarregada pela prosperidade da família. Nesse contexto, o currículo ministrado na Escola Doméstica de Natal, contendo os cursos de medicina prática e puericultura era repleto dc conhecimentos científicos sendo muito apreciados pela sociedade que reafirmavam o papel da mãe como educadora, como atividade mais importante da mulher, porem de uma mãe racional, moderna, possuidora de conhecimentos científicos; em oposição à figura instintiva, ignorante e conservadora do passado.
Fonte: Franknilda Macia de Medeiros Dias.
Histórico do município: Tudo começou com as Capitanias Hereditárias quando o Rei de Portugal Dom João III, em 1530, dividiu o Brasil em lotes. As terras que hoje compreendem ao Rio Grande do Norte couberam a João de Barros e Aires da Cunha. A primeira expedição portuguesa aconteceu cinco anos depois com o objetivo de colonizar as terras. Antes disso, os franceses já aportavam por aqui para contrabandear o pau-brasil. E esse foi o principal motivo do fracasso da primeira tentativa de colonização. Os índios potiguares ajudavam os franceses a combater os colonizadores, impedindo, a fixação dos portugueses em terras potiguares.
Passados 62 anos, em 25 de dezembro de 1597, uma nova expedição portuguesa, desta vez comandada por Mascarenhas Homem e Jerônimo de Albuquerque, chegou para expulsar os franceses e reconquistar a capitania. Como estratégia de defesa, contra o ataque dos índios e dos corsários franceses, doze dias depois os portugueses começam a construir um forte que foi chamado de Fortaleza dos Reis Magos, por ter sido iniciada no dia dos Santos Reis. O forte foi projetado pelo Padre Gaspar de Samperes, o mesmo arquiteto que projetou a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.
Concluído o forte, logo se formou um povoado que, segundo alguns historiadores, foi chamado de Cidade dos Reis. Depois, Cidade do Natal. O nome da cidade é explicado em duas versões: refere-se ao dia que a esquadra entrou na barra do Potengi ou a data da demarcação do sítio, realizada por Jerônimo de Albuquerque no dia 25 de dezembro de 1599.
Com o domínio holandês, em 1633, a rotina do povoado foi totalmente mudada. Durante 21 anos, o forte passou a se chamar Forte de Kenlen e Natal Nova Amsterdã. Com a saída dos holandeses, a cidade volta à normalidade. Nos primeiros 100 anos de sua existência, Natal apresentou crescimento lento. Porém, no final do século XIX, a cidade já possuía uma população de mais de 16 mil habitantes.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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- Imagem: Google Street View
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Franknilda Macia de Medeiros Dias


