Sabará – Passo do Carmo


Imagem: Google Street View

Supõe-se que o Passo do Carmo, em Sabará-MG, tenha funcionado como capelinha autônoma, dedicada a Santa Luzia, cuja imagem pertencia ao pequeno altar existente.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Nome atribuído: Passo do Carmo
Outros Nomes: Passo de Nossa Senhora do Carmo; Passo do Calvário
Localização: Rua do Carmo – Sabará – MG
Número do Processo: 408-T-49
Livro do Tombo Belas Artes: Inscr. nº 367, de 09/05/1950
Observações: O tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85, referente ao Processo Administrativo nº 13/85/SPHAN.

Descrição: Não há registros documentais sobre a construção do Passo da rua do Carmo, conhecido também como Passo do Calvário, entretanto, sua construção em adobe indica sua antiguidade. Supõe-se que tenha funcionado como capelinha autônoma, dedicada a Santa Luzia, cuja imagem pertencia ao pequeno altar existente. Sustenta essa hipótese o alto grau de apuro ornamental conferido ao seu interior, em relação aos demais Passos remanescentes na cidade. Ignora-se igualmente possíveis obras de restauração que antecederam a de 1939, realizada pelo IPHAN, as quais consistiram na substituição de todas as peças estruturais de madeira, reaprumo de paredes com reforço de tijolos, complementação do piso e proteção contra infiltração de água. Em 1958, a cobertura e a parede da frente receberam consertos.
O Passo da Rua do Carmo é composto por partido retangular, que se desenvolve em secção única, estrutura primitiva de adobe, com reforços em tijolos, cobertura de telhas curvas, em duas águas. A fachada apresenta cimalha e cunhais de madeira, porta do tipo calha com enquadramento também de madeira, verga em arco abatido e trabalhada com recortes. Esta é encimada por pequeno óculo de madeira. As paredes externas são pintadas a cal e todas as peças aparentes de madeira em azul. O entorno da edificação é em seixos rolados, possuindo soleira e degrau de entrada em pedra.
Internamente, possui piso em lajotas, e paredes laterais revestidas de madeira com pintura decorativa, em barrados, rocailles e em motivos florais, enquadrando, em cada uma, três painéis com pinturas figurativas, representando episódios da Via Crucis, contendo os barrados inscrições latinas. O forro é abobadado, ostentando também ao centro pintura decorativa em motivos florais e rocailles, onde se destacam os tons vermelhos e azuis. A cimalha é revestida em faiscado na tonalidade coral-roseada. Possui pequeno altar em talha simples, com madeira recortada e pintura decorativa, o mesmo se sucedendo na tribuna do trono e duas peanhas dispostas lateralmente. Ao fundo, quadro em tela representando Cristo com a cruz às costas. O coroamento do retábulo é feito em pintura decorativa em motivos florais, tendo ao centro tarja dourada em conchóide e volutas, com cabeça de anjo em relevo e inscrição latina.
Cabe destacar a superioridade da pintura do forro em relação às demais representações pictóricas que decoram o Passo, cuja composição lembra a pintura do forro da sala-capela do Hospício da Terra Santa da mesma cidade, provavelmente da mesma autoria. Verifica-se ainda a integração da talha e da pintura ao programa decorativo do Passo. As imagens de boa qualidade que compunham o Passo, Santa Luzia, Santa Apolônia, Nossa Senhora da Conceição e São Francisco, não se encontram mais ali expostas.
Texto extraído de: Barroco 8.
Fonte: Iphan.

FOTOS:

MAIS INFORMAÇÕES:
Fonseca, Menezes, p. 46
Patrimônio de Influência Portuguesa


Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *