Serro – Conjunto Arquitetônico e Urbanístico


Imagem: Iphan

O Conjunto Arquitetônico e Urbanístico, em Serro-MG, foi tombado por sua importância cultural.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Nome atribuído: Serro, MG: conjunto arquitetônico e urbanístico
Localização: Serro-MG
Número do Processo: 65-T-1938
Livro do Tombo Belas Artes: Inscr. nº 25, de 08/04/1938

Descrição: A atual cidade do Serro conserva um traçado básico que remonta, presumivelmente, à metade do século XVIII, quando a então Vila do Príncipe já se encontraria urbanisticamente definida, com seus aglomerados de casas ocupando um espaço acidentado entre as margens dos ribeirões auríferos e as encostas de pequenos morros. A construção de vários templos ricamente ornamentados e de imponentes sobrados residenciais, no decorrer do século XVIII, assinalam sua fase de preponderância econômica e social Entretanto, ao iniciar-se a era republicana, vários fatores, dentre eles o isolamento da cidade em referência aos novos centros de maior progresso do Estado, acentuariam a estagnação social e econômica do Serro, cuja imagem urbana e arquitetônica chegaria até nosso dias quase intacta em relação à fisionomia característica dos séculos XVIII e XIX., documentando de modo expressivo o apogeu de seu passado, bem como as linhas marcantes da arte e arquitetura do período colonial. O acervo de arquitetura colonial do município do Serro caracteriza-se pela homogeneidade do conjunto, assegurada pela fidelidade a determinados partidos próprios da região, e pela ênfase ornamental conferida à ornamentação interna dos templos, sobretudo à pintura em perspectiva dos forros. As igrejas e capelas do município, apesar de construídas na segunda metade ou mesmo fins do século XVIII, conservam os sistemas construtivos da época da mineração – madeira e taipa – e obedecem aos partidos tradicionais das capelas e matrizes mineiras das primeiras décadas do século XVIII, os quais são compostos por plantas retangulares, frontispícios retos, torres de secção quadrada com cobertura de telhas, verificando-se uma tendência subordinada ao domínio da linha reta. Observa-se, entretanto, a inserção de elementos típicos da região, como os óculos de formatos caprichosos colocados abaixo da empena, ou a incorporação, muitas vezes tardia, de anexos laterais funcionando como sacristias, salas de reunião ou depósito, em alguns casos circundando inteiramente as fachadas laterais ou restringindo-se à capela-mor. Filiam-se ao partido tradicional das matrizes mineiras da primeira metade do século XVIII, as igrejas de Nossa Senhora do Carmo, Bom Jesus do Matozinhos, Matriz de São Gonçalo do Rio das Pedras e a Matriz da Conceição. Já os demais monumentos religiosos da cidade e município do Serro, enquadram-se nos diferentes partidos de capelas tradicionalmente adotados em Minas Gerais, verificando-se o emprego da torre única central nas capelas de Santa Rita da cidade do Serro, Nossa Senhora do Rosário de Milho Verde, Capela do Rosário de São Gonçalo do Rio das Pedras e São Geraldo de Três Barras, ou ainda a ausência de torres como na Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres de Milho Verde, e Capela do Rosário, na cidade do Serro. Externamente, as construções religiosas caracterizam-se pela simplicidade das linhas arquitetônicas e o total despojamento decorativo em contraposicãoà rica decoração do interior, onde a talha dourada e policromada dos retábulos é, às vezes, complementada por pintura de forro em perspectiva de qualidade excepcional, de gosto rococó. Cabe aqui citar as igrejas do Carmo e Bom Jesus do Matozinhos, ambas na cidade do Serro, por constituírem os melhores exemplares de conjuntos de talha, e a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, cujo altar-mor merece referência especial por revelar nítida influência do retábulo-mor da igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, de autoria do Aleijadinho. Como já ficou assinalado, é no campo da pintura, particularmente no que se refere à pintura em perspectiva de forros de igrejas, que a arte religiosa do município do Serro se sobrepõe às demais executadas na antiga capitania de Minas, no mesmo período. O alto nível técnico alcançado nas pinturas, se justifica pela presença na cidade do Serro do excepcional artista Silvestre de Almeida Lopes, que ali atuou nos últimos anos do século XVIII, realizando a sua mais importante obra: a pintura do forro e painéis laterais da capela-mor da igreja do Senhor Bom Jesus do Matozinhos, estes últimos, infelizmente mutilados na parte inferior para a abertura de arcadas. Ainda merece referência a pintura da capela-mor da igreja de Nossa Senhora do Carmo, na cidade do Serro, de autoria desconhecida, semelhante às composições de Manuel da Costa Ataíde, nas regiões de Ouro Preto e Santa Bárbara e, finalmente, a pintura do forro da capela-mor da Matriz de São Gonçalo do Rio das Pedras, ligada ao partido elaborado pelo guarda-mor José Soares de Araújo na região de Diamantina.
Texto extraído de: Barroco 16.
Fonte: Iphan.

FOTOS:

MAIS INFORMAÇÕES:
Iphan (p. 58)
Iphan
Iphan
Iphan
Iphan
Patrimônio de Influência Portuguesa
Wikipedia


Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *