Cambuquira – Sede da Chácara das Rosas


Imagem: Google Street View

A Sede da Chácara das Rosas foi tombada pela Prefeitura Municipal de Cambuquira-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Cambuquira-MG
Nome atribuído: Imóvel sede da Chácara das Rosas
Localização: Cambuquira-MG
Processo de Tombamento

Histórico: A Chácara das Rosas é um importante bem cultural para a cidade de Cambuquira, já que sua arquitetura junto à sua historia caminham lado a lado da narração da própria história do município.
A Chácara das Rosas está localizada no centro da cidade, na Av. Virgílio de Melo Franco, em frente à rodoviária de Cambuquira. A sua construção data do final do século XIX e, em 1923, a residência pertenceu ao importante complexo industrial chamado Granja Maroim, planejada pelo engenheiro Rodolpho Furquim Lahmeyer. Hoje a edificação é a única existente desse complexo.
Esse complexo industrial teve como objetivo a produção de leite e seus derivados.
Também produziu enlatados com a criação de suínos da espécie Duroc Jersey para a produção de banha e subprodutos do porco, como: bacon, salsichas, linguiças, presuntos, entre outros. Diante de tal produção, esse complexo possuía frigoríficos, câmara de defumação e uma fábrica de latas para acondicionar os produtos da empresa.
A construção da indústria de Lahmeyer ocorreu em um momento importante da história de Cambuquira, quando, em 1923, a então Vila de Cambuquira é elevada à categoria de cidade e tem seu nome reduzido para Cambuquira. Com a expansão econômica do município, principalmente nos setores de café e turismo, a indústria tornara-se uma das maiores promessas econômicas do município.
A Charcutaria montada por Lahmeyer deu um impulso econômico ao município de Cambuquira com a geração de empregos e a compra de produtos da região. Entretanto, houve uma crise na produção de grãos o que obrigou Rodolpho Lahmeyer a recorrer à importação de milho para alimentar gado e porcos. Na chegada do navio ao porto do Rio de Janeiro, a carga foi interceptada e apreendida pela Comissão de Abastecimento do Rio de Janeiro com apoio do Governo Federal. Este fato repercutiu negativamente nos negócios mantidos por Lahmeyer, fazendo com que ele desistisse da empresa, vendesse a edificação e retornasse ao Rio de Janeiro, pondo fim a uma alta expectativa de crescimento econômico do lugar.
Assim, Cambuquira teve uma grande perda no âmbito econômico e a Granja Maroim passou a pertencer, por volta de 1930, ao município e ao Estado. A parte doada ao município tinha em suas terras a edificação da sede da Granja, que ficou conhecida como Vila das Rosas ou Chácara das Rosas, devido ao seu enorme jardim com mais de 180 espécies de hortênsias e rosas, além de diversas outras árvores frutíferas.
A importância da Chácara das Rosas não está somente no aspecto econômico. Na ocasião da sua doação, a edificação passou a ser a residência dos prefeitos nomeados pelo governador até o ano de 1946. Os prefeitos que tiveram moradia na Chácara das Rosas foram: Edison Álvares da Silva, José Ribeiro Lage e Orlando da Fonseca Lobato e Neder João Neder.
Depois desse período, o então prefeito Orlando Lobato transferiu a sede da Prefeitura para o imóvel da Chácara das Rosas e permaneceu dessa maneira até o início dos anos  2002. Nessa temporada, a Chácara também abrigava a biblioteca e o departamento do serviço militar. Após esse tempo, o prefeito Rubens Barros Santos transferiu a prefeitura para a edificação do antigo Hotel Globo e lá perdura até o presente momento.
Cícero Prado, funcionário da prefeitura há mais de 30 anos e que hoje trabalha no Setor de Cultura, narra o que cada sala abrigava na época em que a administração tinha sua sede na Chácara.
Hoje o casarão encontra-se abandonado. A situação de descaso foi agravada após a remoção da cobertura da edificação pelo ainda prefeito Rubens Barros Santos, no ano de 2002. Em 2003, o Posto de Saúde Dr. Manoel Brandão foi construído em seu entorno. Em 2005, foi também erguido o Posto da Polícia Militar e uma área de estacionamento anexa à edificação, que prejudicam a ambiência do bem cultural.
Fonte: Processo de Tombamento.

Descrição: A edificação da sede da Chácara das Rosas localiza-se na área central do município de Cambuquira, implantada em um terreno situado a meia encosta de um pequeno morro nas proximidades do loteamento denominado Tiro ao Pombo, no Bairro Nossa Senhora de Fátima. O principal acesso é feito através da Alameda Lahmeyer, uma via sinuosa e sem saída, partindo da Av. Quintino Bocaiúva e da rodovia MG 167.
Essa via é pavimentada com blocos sextavados intertravados de concreto, com largura para dois veículos e com mão dupla.
Originalmente a edificação foi concebida como uma casa de moradia, construída em uma área ampla sem construções ao redor, com uma implantação cenográfica em meio à jardins de exuberantes roseirais, pomar e árvores exóticas de pequeno porte (segundo relatos locais). A edificação, de volumetria térrea, configuração retangular, apresenta estilo eclético com algumas características da arquitetura colonial germânica do estilo bávaro (retratada através da forte inclinação do telhado que proporciona maior volume à construção, pelo frontão elevado decorado com faixas verticais paralelas ressaltadas em argamassa, mimetizando tábuas de madeira como as aplicadas no processo construtivo das casas germânica do século XVI, bem como pelos jardins e caramanchões floridos no entorno imediato á casa) e da arquitetura greco-romana (com a apropriação de elementos gregos como o das colunas e arquitraves e o pátio interno muito utilizado nas edificações romanas).
A casa tem uma planta de partido retangular com área de 443,07m² que se desenvolvendo a partir de um elemento central – um jardim de inverno. Construída em terreno inclinado, que consequentemente gera porões com pequena altura (aproximadamente 80 cm) em alguns trechos. Devido ao desnível do terreno, os principais acessos ao imóvel são feitos através de escadas, instaladas nas fachadas: frontal, posterior e lateral esquerda.
A cobertura original de telhas cerâmicas francesas se desenvolve retangularmente com águas
vertendo para o jardim central e para os quatro lados externos da edificação, compondo várias
águas furtadas e rincões. Na vertente frontal da cobertura se encaixa perpendicularmente um
telhado com duas águas que faz a cobertura de um alpendre que se projeta para
frente da edificação. De forma semelhante, na vertente lateral esquerda se encaixa um telhado
com duas águas que faz a cobertura de uma parte da fachada que se eleva em formato
triangular. A água do telhado da fachada lateral esquerda apresenta uma águafurtada, com lucarna para ventilação do telhado e do forro.
O engradamento do telhado é em madeira de seção quadrada com beirais em todo o perímetro da construção, protegidos por guarda-pó em madeira sobre um conjunto de cachorros e calhas metálicas nas extremidades com coletores de águas pluviais aparentes descendo rente ás paredes e ancorados por gradeado para suporte do roseiral). No jardim de inverno os beirais são complementados por cachorros (provavelmente com função decorativa).
Fonte: Processo de Tombamento.

FOTOS:

 


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