Conceição do Mato Dentro – Núcleo Histórico de Santo Antônio do Norte
O Núcleo Histórico de Santo Antônio do Norte foi tombado pela Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro-MG
Nome atribuído: Núcleo Histórico de Santo Antônio do Norte
Localização: Distrito de Santo Antônio do Norte – Conceição do Mato Dentro-MG
Decreto de Tombamento: Lei Municipal 1728/2003
Descrição: “Tapera, dependência da paróquia de Conceição, fica situada em um grande vale, limitado por colinas, recobertas umas de mata-virgem, outras de gramíneas. Ao redor da aldeia do vale não oferece senão traços do trabalho dos mineradores. Uma só rua, à extremidade da qual fica a igreja, constitui a aldeia. As casas que a compõe são em número de 70, quase todas cobertas de telhas e muito bonitas, mas várias entre elas estão abandonadas e em muito mau estado”.
A descrição do antigo povoado de Tapera, hoje distrito de Santo Antônio do Norte, feita em 1817 pelo naturalista francês Saint-Hilaire, parece de nossos dias: a localidade mantém não só a beleza paisagística de seu sítio, mas como também preserva, em decorrência da estagnação econômica, as suas características do período colonial. O aglomerado urbano ainda se limita praticamente a uma única rua, porém bastante harmoniosa e homogênea. Na arquitetura civil resta uma sucessão de casas baixas, de taipa, caiadas de branco. Na arquitetura religiosa, a igreja de Santo Antônio e a capela de Sant’Ana.
O nome atual do distrito lhe foi atribuído pelo decreto-lei n.º 148, de 17 de dezembro de 1938. A formação do antigo arraial de Tapera remonta ao século XVIII e seus primeiros habitantes se empregavam na mineração do ouro, cuja exploração se fazia no leito do rio Santo Antônio e seus pequenos afluentes ou nas encostas dos morros vizinhos. Esgotados os veios de metal precioso, os moradores passaram por muito tempo a dedicar-se à fabricação de tecidos e chapéus de algodão como alternativa de sobrevivência econômica, pois o solo não se prestava ali a uma atividade agrícola em condições rentáveis. Os produtos de algodão, inclusive colchas, lençóis e toalhas em desenhos coloridos, tinham uma grande aceitação, chegando a ser exportados para o Rio de Janeiro.
Hoje, assim como o distrito de Córregos, Santo Antônio do Norte, que tem uma população de 662 habitantes (Censo 2010/IBGE), tem crescido muito em função do turismo, pois é um dos núcleos da Estrada Real. O projeto, aliado a um programa desenvolvido pela Prefeitura Municipal, tem aumentado significativamente o número de turistas na região. Prova disso é que o lugar conta hoje com duas pousadas para receber os turistas. A localidade conta ainda com o ETA – Encontro dos Taperenses Ausentes, cavalgadas, banda de música, e turismo religioso como opções de lazer.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: A exemplo de tantas cidades mineiras, a história de Conceição do Mato Dentro está ligada à corrida do ouro, no início do século XVIII. Segundo registros, foi entre os penhascos da Serra da Ferrugem e os espigões do Campo Grande e Cotocorí, local onde os bandeirantes se entrincheiraram contra os primeiros habitantes, os ferozes índios botocudos, em que se encontravam as mais ricas lavras auríferas de toda a Região Nordestina da Capitania.
Desde o alto do córrego Vintém até as planícies da Bandeirinha, o metal brotava, como que por milagre, das entranhas da terra. Foi nas areias do minguado córrego Cuiabá que Gabriel Ponce de Leon encontrou, em uma única bateada, cerca de 20 oitavas de ouro. Sem dúvida, era o Eldorado. Começava, então, uma corrida por todos os ribeirões em busca do precioso metal e, consequentemente, da tão sonhada fortuna.
Contudo, relatos dão conta de que a primeira expedição para Conceição do Mato Dentro teria chegado à região em meados do século XVI (1573), comandada por Fernandes Tourinho. Entretanto, foi em janeiro de 1701 que um grupo de bandeirantes, partindo de Sabará sob o comando do Coronel Antônio Soares Ferreira atingiu, ao fim da jornada, a região conhecida como Ivituruí, ou Serro Frio. Entre os sertanistas, Gaspar Soares, Manoel Corrêa de Paiva e Gabriel Ponce de Leon.
Em 1702, Gabriel Ponce de Leon, ao se deparar com a riqueza da região, ergueu uma pequena capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, iniciando o processo de povoamento em função da descoberta de ouro nas margens do Ribeirão Santo Antônio e seus afluentes. Durante todo o século XVIII, o arraial teve sua economia voltada para a mineração. Após o término das lavras, o local passou a viver da agricultura de subsistência e da pecuária extensiva. Mais tarde, já no século XIX, John Pohl, quando passou pelo local, deixou o seguinte relato em seu livro Viagem pelo Interior do Brasil:
“este arraial, que está entre as maiores povoações da Capitania, distingue-se dos demais pela sua situação bela e salubre. A outrora abundante produção de ouro deu lugar à fundação deste, cujos grandes edifícios dão testemunho suficiente da antiga abastança dos habitantes. Mas, observa-se, com clareza, a decadência de hoje… O número de edifícios pode elevar-se a 200. Muitos deles assobradados. As igrejas, em número de 4, são todas bem edificadas. Os habitantes que, antes, viviam da extração do ouro, vivem, hoje, geralmente, de suas plantações.”
Fonte: Prefeitura Municipal.
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