Cristina – Museu do Trem e a Locomotiva a Vapor nº 423


Imagem: Google Street View

O Museu do Trem e a Locomotiva a Vapor nº 423 foi tombado pela Prefeitura Municipal de Cristina-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Cristina-MG
Nome atribuído: Museu do Trem e a Locomotiva a vapor nº 423
Localização: Praça José Araújo Barros, s/n – Cristina-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 514/2000

Descrição: A criação do Museu do Trem e a aquisição da Locomotiva n°423 envolveram diversas personalidades de Cristina. Foram vários anos de dedicação para, enfim, conseguir uma forma de resgatar e preservar a memória da Estrada de Ferro Sapucaí, tão importante ao município.
Tudo começou com uma homenagem ao João Batista Teixeira (Sr. Jujú) – conterrâneo, filho ilustre e Ex.-superintendente da Rede Ferroviária – aqui em Cristina. Na festa, cogitou-se que seria de grande valia se a cidade possuísse uma locomotiva e um vagão como atrativo turístico. Então, o superintendente da Rede na época, Helimar Levi Rizzi, disse que seria possível e que em Três Corações havia três locomotivas em um galpão e que poderíamos adquirir uma máquina. Contudo, não seria fácil porque a Rede estava sendo privatizada e seria fundamental agilizar rápido uma negociação.
Na gestão do prefeito José Carlos Filho foi encaminhado ao superintendente Regional da RFFSA em Belo Horizonte, Sérgio Augusto Messeder de Castro, o pedido (assinado por vários cristinenses) para a doação de uma locomotiva, que seria colocada em um local de destaque, próxima a antiga Estação Ferroviária. O pedido foi enviado por José dos Reis Ferraz ao ministro Aureliano Chaves, para que este encaminhasse ao superintendente da Rede e reforçasse o pedido.
Depois de muita luta, a máquina foi cedida a Cristina. A doação foi feita através de um convênio 31/96 entre a Prefeitura e RFFSA, que mantém o Programa Ferroviário de Ação Cultural (Profac) com a finalidade de não deixar morrer a história e o patrimônio da Rede. É importante ressaltar que a Locomotiva a Vapor é um patrimônio Federal, e a cidade de Cristina abriga um tesouro do Brasil.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Transporte: Antes de trazê-la para Cristina houve uma grande manobra para retirar a locomotiva de seu galpão. Durante uma semana, o Ex. chefe da Estação de Cristina, no período de 1971 a 82, Jarba de Paiva e o funcionário da prefeitura Salomão Odilon Ferreira ficaram em Três Corações preparando a máquina para seu transporte. Jarba fez um levantamento das peças que estavam faltando, que posteriormente foram trazidas de Três Corações, São João Del Rei e Engenheiro Behing.
A máquina chegou a Cristina cheia de histórias e pousou em frente ao Poliesportivo. Aqui, passou por limpeza e pintura para a sua melhor conservação. Foi nesta época que começou a cogitar a idéia de construir um galpão para abrigá-la.
A Prefeitura agarrou a idéia e solicitou uma verba para a tal construção ao governo Federal, que fez uma ressalva: ajudaria financeiramente, mas o local teria que se caracterizar em um museu.
O projeto arquitetônico, feito pelo arquiteto Francisco José Gorgulho Silva, passou por vários estudos até a sua configuração atual e a aprovação pelo Ministério da Cultura, em Brasília. Com os recursos do Ministério e a ajuda da Prefeitura ergueu-se o prédio do Museu do Trem. Participaram também das obras os engenheiros civis Rosamaria Rezek Alves Ribeiro e Willian Negreiros Junqueira e o engenheiro elétrico Eduardo Vilela Martins.
A construção do Museu teve início em setembro de 1997, na gestão do prefeito João Dionísio Chaves. O término das obras se deu em 18 de setembro de 1998. O Museu do Trem foi inaugurado com festa no dia 19 de setembro, com a benção do padre Luiz Henrique e apresentação de grupos de dança e jogral. A faixa inaugural foi cortada pelo prefeito João Dionísio Chaves e pelo deputado Olavo Bilac Pinto. Estiveram presente ao evento ilustres personalidades e a população de Cristina em geral.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Partido: Procurou- se implantar o projeto na praça de maneira a integrar o partido com as edificações existentes. Assim, decidiu-se um telhado de duas águas, prismático com telha cerâmica seguindo o estilo da antiga Estação Ferroviária de Cristina (atual Rodoviária), que segue o padrão de partido de toda a Rede Sul Mineira do início do século XX, em linguagem neoclássica.
As paredes externas tem tijolo maciço aparente e em cutelo fazendo moldura nos vãos de ventilação e iluminação, com pé direito interno igual a 4,60 m similar ao da Estação. Fazendo tal procedimento, o objeto integrou na paisagem transformado a praça em um grande atrativo turístico.

Salão de exposições —————————– 83,00 m2
Alojamento da Locomotiva ——————- 108,00 m2
Hall de entrada ———————————— 54,00 m2
Sanitários ——————————————- 10,26 m2
Jardim ———————————————– 28,16 m2
Área útil = 283,42 m2
Área construída = 294,00 m2
Fonte: Prefeitura Municipal.

Locomotiva nº 423: A Locomotiva nº 423, tipo “Consolidation” fabricada em 1912 pela Boldwin, faz parte de um lote de seis locomotivas que pertenciam a antiga Rede de Viação Sul Mineira e circulava nas linhas de Três Corações, Itajubá, Soledade, Varginha, Machado, etc. Em 1931, quando da criação da Rede Mineira de Viação, as seis locomotivas foram incorporadas ao parque da recém-formada RMV que encampou toda a Rede Sul Mineira, parte da E. F. de Goyaz e outras ferrovias de menos importância. Na redestribuição das locomotivas para os depósitos, as seis locomotivas foram para Ibiá, da antiga E. F. Goyaz, e receberam os nº 418 a 423.
Prestaram muito serviço no transporte de cargas pesadas de produtos agrícolas como o arroz e o milho nas linhas de Goiandeira, Monte Carmelo, Ibiá e Garças de Minas; e também o transporte de gado para os grandes centros consumidores. Para este tipo de transporte eram as preferidas, dado a sua excelente capacidade de tração, equilíbrio e aderência nos trilhos. Raramente atrasava, e quando isto acontecia justificava-se com outras causas e nunca com o problema mecânico. Resistentes e fortes, trabalhavam ininterruptamente sem nunca se avariarem. Excelente tipo de máquina que tanto fez e acabou perdendo o seu lugar para as máquinas modernas movidas a diesel. Uma pena.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Montagem e Restauração da Locomotiva em Cristina: O pedido para a restauração da Locomotiva a vapor nº 423 foi feito em outubro de 1996 pelo, então, prefeito municipal José Carlos Filho e por Daltro Noronha Barros. Vieram faltando muitas peças de mecanismos (que ligam uma roda a outra), torneiras de vapor, compressor de ar, entre outras, que posteriormente foram cedidas pelas oficinas de São João Del-Rei e Três Corações. Por não serem da mesma locomotiva, a equipe que trabalhou na montagem teve que fazer uma série de adaptações nas peças. As grandes – que não encaixavam – foram cortadas, outras foram confeccionadas. A locomotiva não funciona devido as adaptações que foram feias, mas aparentemente está perfeita. O trabalho de montagem foi iniciado em janeiro de 1997 e durou dois meses até o seu término.
Depois, a locomotiva passou por uma pintura e atualmente está devidamente guardada no pátio do Museu do Trem.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Equipe responsável pela montagem da Locomotiva: 1. Francisco Marques Sobrinho (Supervisor de mecânica, Ex. Chefe da Oficinas da RFFSA/SJDR); 2. Luciano Manoel Marques (Mecânico ajustador); 3. Osmar Mauro de Carvalho (Mecânico ajustador, Ex. Ferroviário); 4. Euler Cristovão Rezende (Mecânico ferroviário); 5. Hugo Caramuru (Letrista); 6. José Maria (Lanterneiro da cidade de Cristina); 7. Ana Cristina de Fátima Marques (Técnica administrativa).
Fonte: Prefeitura Municipal.

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