Dom Joaquim – Festa de São Domingos


A Festa de São Domingos foi registrada pela Prefeitura Municipal de Dom Joaquim-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Dom Silvério-MG
Nome atribuído: Festa de São Domingos (Celebrações)
Localização: Sede do município – Dom Joaquim-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 064/2011
Livro de Registro das Celebrações

Descrição: A Festa de São Domingos, padroeiro da cidade de Dom Joaquim-MG, conta com diversas manifestações cultural.

Marujada: A marujada compôe-se de 22 homens, podendo chegar ao número de 24. Um mestre, um contra-mestre, um piloto, dois caxeiros, um sanfoneiro, dois calafates (crianças) e quatorze marujos. A média de idade dos marujeiros, é de aproximadamente 45 anos, e normalmente é dado aos mais velhos posições de destaque. Além de integrantes da própria cidade, podem ser de cidades vizinhas.
O mestre vai à frente, comandando com um apito o início e término das músicas e coreografias. Com sua manguara, risca no chão as complicadas evoluções. O piloto vem logo atrás, pelo centro, entre as duas filas de marujeiros. O contra-mestre dispôe-se também pelo centro, mas no final das duas filas, como se protegesse a retaguarda. Um caixeiro principal, que é o repicador (por causa de seu toque repicado na caixa de guerra), dispôe-se ao lado direito do mestre. Do lado esquerdo, o sanfoneiro. Atrás do caixeiro repicador e sanfoneiro vêem os calafates, crianças de no máximo 14 anos. Outro caixeiro vem atrás do último calafate. Os marujos completam as filas.
Os instrumentos usados são: uma sanfona, duas caixas de guerra, pandeiros, chocalhos e maracas. As caixas de guerra são o forte do ritmo, e os outros instrumentos completam o batuque. A sanfona embala a música, fazendo o solo com o mestre. Atualmente o município possui uma versão da marujada, da região de Gororós e Cachoeira. Está na estrada há 35 anos e possui 25 integrantes, sendo destes apenas 3, os músicos, homens. Os instrumentos utilizados são pandeiros, pelas marujas, e caixa, violão e sanfona, pelos músicos.
Tendo surgindo na época de uma coroação da mãe de uma das integrantes, já se apresentou na sede de Dom Joaquim, Gororós, Alvorada de Minas, Ribeirão de Areia.

Zabelê: A Zabelê, uma boneca inicialmente muito alta e magra, já teve seu tempo de proibição na cidade. A prefeitura decidiu pela proibição devido aos estrados à fiação elétrica das ruas por onde passava. Então, a boneca passou a ser gorda e mais baixa. Mesmo com a troca da fiação elétrica, nas ruas, por outra mais elevada pela CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais), a Zabelê continuou a ser baixa e gorda.
Há alguns anos o tamanho e corpo originais foram restaurados, já quase esquecidos pela população donjoaquinense.

Boi Caracú: O Boi Caracú guarda poucas semelhanças com o Bumba-Meu-Boi da região nordeste. O boi Caracú é pobre, com poucos recursos visuais e bem resistente. Inicialmente dançava ao som de sanfona e de caixa de guerra, e a sua finalidade é assustar as pessoas com a desenfreada carreira e possíveis tombos, do perseguidor ou do perseguido. Os perseguidos refugiavam-se na Marujada, que ocorria simultaneamente.
O Bumba-Meu-Boi é totalmente bordado, cheio de cores vivas, e durante a apresentação há a encenação de sua vida, morte e ressurreição. Vários instrumentos tocam enquanto ele desenvolve sua dança, como o violão, rabeca, harmônica, sanfona, gaita gaúcha.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: O local onde hoje está localizada a cidade de Dom Joaquim, pertencia a João Lopes de Albuquerque e fazia parte de uma rota mercante de cidades como Ouro Preto, Mariana, Sabará, Rio de Janeiro, Conceição do Mato Dentro, Serro e Diamantina. Por ela eram transportadas mercadorias como o sal, açúcar, tecidos e jóias.
Com o crescimento da rota mercante na região, soube-se que o Rio do Peixe (nome dado devido à grande quantidade de peixe que este rio possuía) passava por Dom Joaquim e se encontrava com outro rio, o Rio Folheta (anteriormente Ribeirão do Gaya), um lugar de muito peixe e ouro. O nome deste vem de folheto, pois o ouro era encontrado em folhetos (lascas de ouro).
Por volta de 1750, Domingos Barbosa de Carvalho, um português vindo da cidade de Serro, se instalou nessa região onde seus escravos acharam ouro e diamante. Então se fez necessária uma capela para o “pasto espiritual”. Ergueu uma capela dedicada a São Domingos, (padroeiro de Dom Joaquim), cuja imagem foi trazida de Portugal – no alto de um morro conhecido como “Alto da Palha” (por razões de segurança e religiosas, pois acreditavam que um dilúvio estaria por vir), e eram seus escravos que buscavam água nas regiões mais baixas. Ao redor desta, assim como da tradição dos primeiros povoamentos em terra de Minas Gerais, formou-se o arraial de São Domingos do Rio do Peixe, nome em homenagem a Domingos Barbosa.
Em 1818, devido a localização do arraial no alto de uma colina, os moradores sofriam com a falta de água e se mudaram para o ponto onde atualmente Dom Joaquim se situa, à margem esquerda do Rio Folheta, sendo que o patrimônio deste foi doado por João Lopes de Albuquerque, onde também foi construída uma igreja (a chamada igreja velha), na atual Praça Waldemar Teixeira. Por essa época as casas eram construídas de pau-a-pique.
As pessoas que iam chegando pela rota do ouro faziam seus ranchos e posteriormente casas. Tudo se desenvolveu ao redor da igreja: casas, uma venda, paradouro para os tropeiros (onde as celas eram lavadas, os animais pastavam por perto e eles se alimentavam para seguir viagem ou comerciar). Nessa época Dom Joaquim, como Conceição do Mato Dentro e Serro, era vila de Diamantina.
Em 05 de outubro de 1870, pela Lei 1718 é elevado a freguesia, sendo então Distrito de São Domingos do Rio do Peixe, mantido posteriormente pela lei estadual no.02 de 14 de setembro de 1891. Quatro anos depois tem designado seu primeiro vigário, o padre Firmiano Gonçalves da Costa.
A construção da Igreja velha teria terminado por volta de 1874. Esta data estava entalhada, por formão, numa madeira atrás do altar da mesma, encontrada na data provável de sua demolição, na década de 1970. Indícios mostram que esse altar, ao ser demolido, foi levado para Pedro Leopoldo/MG.
Até então os mortos eram sepultados no terreno ao redor e até no interior da Igreja velha (que, como toda igreja antiga, apontava para o nascente), atualmente onde fica a pracinha em frente à Igreja Matriz. E antes mesmo de existir a Igreja velha os mortos eram enterrados nas fazendas e, nas mais antigas, ainda são encontrados pequenos cemitérios. Na praça situada em frente ao atual Terminal Rodoviário de Dom Joaquim existiu a Igreja do Rosário, construída para os escravos, que existiu até a construção da atual Capelinha.
Por volta de 1909, Dom Joaquim já era o distrito mais importante em lavoura e criação no município, com muito comércio e trânsito de tropas. Passavam árabes vendendo jóias, roupas, cortes de tecido, sal, bacalhau etc, que também traziam seus cargueiros e também suas filhas em época de férias. Contava ainda com dois mercados ou ranchos. Ainda por essa época, Dom Joaquim recebia os missionários, enviados pela igreja católica. Estes apareciam raramente, e realizavam casamentos, procissões e batizados.
Após diversos abaixo-assinados do então São Domingos do Peixe e região, a 17 de dezembro de 1938 pelo decreto-lei no. 148, emancipa-se e eleva-se à categoria de cidade, com território desmembrado de Conceição do Mato Dentro, após ter pertencido a Serro, tendo como primeiro prefeito o senhor Waldemar Teixeira e o nome Dom Joaquim em homenagem ao Arcebispo da Arquidiocese de Diamantina, Dom Joaquim Silvério de Souza. Nessa época Dom Joaquim era composto de quatro distritos: ex São Domingos do Rio do Peixe, Viamão (desmembrado do município de Conceição do Mato Dentro, em 31 de dezembro de 1943 passou-se a chamar Carmésia, sendo que em 1962 emancipa-se politicamente), Senhora do Porto (desmembrado do município de Guanhães) e Gororós.
Fonte: Prefeitura Municipal.

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