Guaranésia – Centro Cultural Profa. Fernandina Tavares Paes
O Centro Cultural Profa. Fernandina Tavares Paes foi tombado pela Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG
Nome atribuído: Centro Cultural Profª. Fernandina Tavares Paes
Localização: Praça Cel. Paula Ribeiro, nº 46 – Guaranésia-MG
Decreto de Tombamento:Decreto n° 1087/2003
Descrição: Guaranésia, nas décadas de 1920 a 40, tinha duas salas de cinema o cine Rex e o cine Theatro Rio Branco de propriedade de Lauria & Irmãos, e funcionou até 1958, quando surgiu o cinemascope e o cine Rex não possuía condições de adaptar-se a este tipo de cinema. Teve também o Cine Brazil, de vida bem curta. Nos anos 40 e 50 as ideias de um grupo formado pelo Sr. Atílio Perocco, Dr. Alberto Alves, o Sr. José Nardi, as Irmãs Nardi e a empresa cinematográfica Vale Paraíba, posteriormente Empresa Cinematográfica São Paulo Minas juntaram forças para construir o novo cinema em Guaranésia. O antigo Hotel Central, em frente a igreja Matriz, foi demolido em 1957; então iniciou-se a construção do novo cinema, erigido no centro da cidade, em frente à igreja Matriz de Santa Bárbara. O cinema recebeu o nome de “Cine São José”, e durante muito tempo serviu de atração de lazer e entretenimento ao povo guaranesiano. Sua arquitetura era idêntica ao cine de Ubatuba /SP, cuja construção foi iniciada ao mesmo tempo. O primeiro filme exibido na sua inauguração foi “O Corcunda de Notre Dame”.
Em 1974, segundo publicações do “Observador”, o jornal local de grande circulação na época, o povo já reivindicava melhorias em suas instalações, bem como o melhoramento na escolha da exibição de filmes e a contratação de “lanterninhas”. Algum tempo depois foi resolvido parte dos problemas, mas a programação dos filmes deixava a desejar.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do bem: O Cine São José, funcionou diariamente, desde a sua estréia em 1958 até 1980. A partir daí o cinema passou a funcionar somente aos sábados e domingos, por falta de público, até o mês Julho de 1984. Com o decorrer dos anos, o espaço físico do cinema começava ficar muito degradado e pequeno para os anseios da população e dos artistas locais que exigiam um espaço cultural mais amplo e mais propício aos programas artísticos, bem como de um lazer educativo para a cidade.
Então, em 1985 um grupo de jovens e artistas formado pelo Sr. Gilberto Ribeiro Alves, Sr. Ivan Soares David, Sr. Dagoberto Vitor, Sr. Paulo Nardi, os irmãos Carlos e Alberto Emiliano, Sr. Marcos David, Sra. Laura Ferreira Fiorotto, Sra. Loliane Colpa, Sr. Laercio Romanelli, Sra. Ana Lia Perocco, entre outros, movimentaram-se no intuito de conseguir uma casa de cultura para o município. Este espaço abrigaria um local não só para assistirem bons filmes, mas também onde a população poderia preservar sua própria identidade. Um Centro Cultural abrigaria um espaço polivalente e multidisciplinar.
Esse grupo começou a promover a partir de 1985 a 1990, anualmente, os Encontros Culturais reunindo as manifestações artísticas e culturais do municipio, destacando o artesanato e o folclore mineiro com o objetivo de sensibilizar o Poder Público. E foi a partir dos Encontros Culturais que surgiram no cenário cultural de Guaranésia novos jovens voluntários como o Sr. Mauro Cesar da Silva que criou o Grupo de Teatro Máscaras, Sra. Cacilda Ribeiro que trabalhou na Casa da Memória e o Sr. Alberto Emiliano (na época estudante) e que veio a ser Secretário Municipal de Cultura anos depois.
Assim, em 1986, o grupo dos Encontros Culturais, representado pelo Sr. Ivan Soares David levou até o Prefeito Sr.João Carlos Minchillo, com apoio do Vereador Dr. Donizete Ribeiro do Valle um relatório dos Encontros Culturais e um recorte do jornal o Estado de São Paulo com uma reportagem sobre o cinema de Campos do Jordão que foi desapropriado para ser Centro de Artes. A administração Municipal se sensibilizou com as propostas e o Cine São José foi desapropriado. O edifício foi reformado e adaptado para a sua nova função – a de abrigar o Centro Cultural. O espaço físico do cinema foi reduzido para formação da biblioteca municipal e de um ateliê. No pavimento superior sobre a biblioteca e ateliê foi construída uma sala de ginástica e dança. O depósito inferior do palco foi transformado emcamarim e o palco foi ampliado e para isso houve então a necessidade de retirar as primeiras fileiras de poltronas.
No dia 10 de setembro de 1988, o sonho de muitos foi realizado e foi então inaugurado o Centro Cultural que, em homenagem à professora Fernandina Tavares Paes, recebeu seu nome em reconhecimento aos serviços prestados à comunidade. Na inauguração, a festa de abertura contou com a presença da banda da Polícia Militar que fez sua apresentação no palco do cine/teatro. A Corporação Musical Santa Bárbara tocou na entrada do Centro Cultural, atraindo espectadores.
A inauguração do Centro Cultural fez parte de um conjunto de eventos promovidos pela Prefeitura Municipal, por ocasião das comemorações do aniversário de emancipação política de Guaranésia. O Centro Cultural, em 1988, o tão esperado espaço polivalente e multidisciplinar, era composto de sala de administração, sanitários femininos e masculinos, depósito, biblioteca, sala de dança e ginástica, sala de exposição temporária para fotografias, sala de vídeo, artesanato, oficina de música, artes plásticas, camarim, além de cine/teatro para 432 pessoas sentadas. O Cine São José contava ainda com uma sala de projeções que continha dois projetores 35mm. Este maravilhoso equipamento que data de meados do século XX e fabricado pela empresa Cinematográfica Triumpho – Canteruccio e Lamanna, de São Paulo, também fora desapropriado e passou a pertencer ao Centro Cultural.
Na administração do Sr. Sebastião Pinheiro, a sala de ginástica foi desativada por conter rachaduras na sua estrutura e hoje é usada para depósito de materiais. Na primeira administração do Sr. Narciso Lopes foi construída a copa e o almoxarifado cujo acesso se faz pelo cine/teatro. Em 1998 o Centro Cultural foi arrendado, até meados de 1999. Por ocasião de um incêndio nas instalações da sala de projeção que provocou danos no transformador, a empresa arrendatária foi abrigada a encerrar suas atividades. Os Projetores funcionam com perfeição, mas por motivos administrativos o Centro Cultural encerrou, por ora, as exibições de filmes.
O Centro Cultural realizou vários Encontros Culturais e manifestações artísticas. A partir de 1990 os Encontros Culturais passou a chamar “Encontro Cultural de Teatro”. Durante seis anos – de 1990 a 1995 – foi realizado no Centro Cultural o “Encontro Cultural de Teatro” – o evento cultural que também procurava reunir todas as variações de artes: cinema, teatro, música, ginástica e dança. Durante oito dias, participavam várias cidades do sul de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 1996, o Centro Cultural sediou a “9ª Mostra Estadual de Teatro”, uma espécie de intercâmbio cultural com a participação de 48 cidades da região, durante quatro dias. A mostra foi realizada no período de 06 a 09 de julho de 1996, sob o comando de Fernando Romanelli e acolheu atores infantis, juvenis e adultos. Em oito anos de atividades, o TEG encenou 28 peças. Teve sua sede no Centro Cultural.
O Centro Cultural também foi palco do Grupo de Teatro e Dança Máscaras, que também estava sob a direção de Fernando Romanelli, hoje sob a direção de Mauro César da Silva.
O Centro Cultural propicia à comunidade local, artistas e visitantes a oportunidade de se relacionar mais intimamente com a cultura. A criação de um local onde se possa reunir diversidade cultural fez reviver o sonho, a criatividade, uma nova visão de mundo, a sublimação do pensamento.
A partir de julho de 2005 o edifício do Centro Cultural Professora Fernandina Tavares Paes deixou de ter atividades culturais e outras, parcialmente, por não propiciar condições de segurança ao público, funcionários e artistas em geral.
Em janeiro de 2009 foi aprovado pelo FEC – Fundo Estadual de Cultura. O Projeto abrange uma parte mais urgente da Reforma e Restauração e nos dois últimos anos o referido Projeto passou por algumas readequações para melhor atender a população. O Centro Cultural foi palco constante dos ensaios do Grupo TEG – Teatro Experimen- Em 2016, após longo e árduo trabalho realital de Guaranésia sob a direção de Fernando zado por Alberto Emiliano (in-memoriam) Romanelli Secretário Municipal de Cultura na época, o Centro Cultural foi reinaugurado após trabalhos de reforma e restauração estando novamente em funcionamento.
Fonte: Prefeitura Municipal.
BENS TOMBADOS PERTENCENTES AO ACERVO:
Guaranésia – Projetores Cinematográficos
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