Pará de Minas – Ofício das Biscoiteiras
O Ofício das Biscoiteiras de Pará de Minas-MG ganhou expressão no séc. XX, tornando-se referência gastronômica municipal.
Prefeitura Municipal de Pará de Minas-MG
Nome atribuído: Ofício das Biscoiteiras (Saberes)
Localização: Pará de Minas-MG
Livro de Registro dos Saberes
Plano de salvaguarda
Descrição: O Ofício das Biscoiteiras já faz parte do coletivo gastronômico de Pará de Minas e revela-se como um importante exemplar do patrimônio intangível local, símbolo de um repertório culinário comum a todo o município. Originalmente o ofício foi desempenhado como uma atividade informal, e por esse motivo não há registros que apontem os fundadores dessa atividade. De acordo com vários depoimentos de moradores que habitam a região, seus ancestrais já elaboravam biscoitos para o consumo doméstico, familiar, reproduzindo costumes associados à divisão de papéis sociais, à tradições gastronômicas e a rituais de sociabilidade. Essas saborosas guloseimas integravam as mesas de muitos pará-minenses, revelando especificidade de cada cozinheira, há tempos já existiam diversos tipos de biscoitos inventados e reinventados à base, em sua maioria, de queijo, açúcar, sal e polvilho.
Segundo relatos, não há marcações temporais exatas que definam o início da atividade na região pará-minense. Aparentemente trata-se de um costume gradualmente desenvolvido a partir dos papéis femininos desempenhados desde a época da mineração, quando se inicia a formação do povoado por decorrência das atividades mineradoras. Mas foi no século XX que o trabalho com biscoitos ganhou expressão, tornando-se uma referência gastronômica paráminense. Articulada à organização da vida cotidiana, a atividade desenvolveu-se em âmbito doméstico por meio de conhecimentos culinários compartilhados, popularmente, com
embasamento empírico e sem referência.
Maria Amábilis Caçador, moradora de Pará de Minas e fiel admiradora dos quitutes, comenta que as mulheres que fabricavam biscoitos eram, em sua maioria, oriundas de zonas rurais, com baixo poder aquisitivo e desconheciam leis da física e da química; mas possuíam surpreendentes conhecimentos culinários. E os biscoitos, por elas preparados, eram degustados por todas as pessoas, de todas as idades e de várias procedências, e foi então que as cozinheiras tornaram-se conhecidas em diferentes regiões do município como “biscoiteiras”.
Para atender às demandas por alimentos, essas mulheres passaram por mudanças significativas dos rituais de socialização articulados às práticas de comensalidade: as mulheres já não se restringiam às atividades de cunho doméstico, e nesse sentido a culinária adentrou o campo da profissionalização, que vem sendo seguido (ou informalmente praticado) por familiares.
O ofício das biscoiteiras se desenvolveu por diferentes gerações, e se manteve viva a prática de produção desse peculiar quitute. A atividade ficou conhecida como originada da zona rural, mas foi no distrito sede que se desenvolveram os maiores estabelecimentos da
região: como forma de biscoitos, aquele trabalho culinário irradiou-se para o centro citadino na forma de estabelecimentos comerciais ou por meio de barracas em feiras urbanas. Tais postos de venda tornaram-se conhecidos como “biscoiteiras”, e passaram a competir em qualidade e frequência com grandes padarias e lanchonetes. Atualmente, o sucesso dessas empreitadas tem estimulado os buffets da cidade a incluírem os deliciosos biscoitos nos cafés
da manhã do pós festa.
Ao longo do tempo, muitas famílias pará-minenses adquiriram o costume de elaborar biscoitos para consumo próprio, por isso a fama das biscoiteiras foi preservada e até mesmo potencializada, com destaque para aquelas que fabricavam e vendiam os biscoitos nos pequenos distritos municipais, remetendo às origens identitárias da sociedade pará-minense.
Nesses lugares, algumas biscoiteiras deram continuidade aos seus ofícios por encomenda.
A maioria das biscoiteiras preserva o caráter caseiro dos quitutes: utilizam ingredientes naturais e não inserem conservante. Mas para atender a grande demanda diária, introduziram ferramentas elétricas como batedeiras, máquinas de mexer massa, e passaram a usar fornos elétricos e a gás.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: O topônimo Pará, segundo opinião do indianólogo Batista Caetano de Almeida e do engenheiro Teodoro Sampaio, significa rio volumoso, caudal, e colecionador de águas, sendo “de Minas” apenas um aditivo destinado a distinguir o município mineiro do Estado do Pará.
Os primórdios da povoação que deu origem à atual cidade do Pará de Minas remontam aos fins do século XVII, quando, em intenso movimento, dirigiam-se para as Minas de Pitangui as “bandeiras paulistas”. No roteiro que acompanhava os rios, lançavam-se os audazes aventureiros em busca do ouro, deixando trilhas aos pósteros.
Em um desses caminhos, nos territórios que se estendem entre os rios Paraopeba e São João, surgiu um ponto de pouso, às margens do ribeirão do Paciência e, nesse local, entre muitos outros, fixou-se o mercador português de nome Manoel Batista, alcunhado o “Pato-Fôfo”, que deliberou, mais tarde, abandonar o comércio que mantinha com os bandeirantes paulistas e explorar uma fazenda existente nas margens do Paciência. Seu apelido, segundo tradição, originou-se do fato de ter aquele português, que era muito gordo, a vaidade de querer passar por homem de grandes posses.
Manoel Batista foi, assim o desbravador da região e um dos seus primeiros moradores, tendo resultado dos seus esforços a construção da primeira capela local, que, em sua homenagem, foi cognominada “Capela de Nossa Senhora da Piedade do Patafufo” (corrutela de Pato Fôfo). Também o arraial que começou a se formar no local chamou-se, inicialmente “Arraial do Patafufo”.
Fonte: IBGE.
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