Rio Novo – Fundação Cultural Francisco de Paula Leopoldino Araújo
A Fundação Cultural Francisco de Paula Leopoldino Araújo foi tombada pela Prefeitura Municipal de Rio Novo-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Rio Paranaíba-MG
Nome atribuído: Sede da Fundação Cultural Francisco de Paula Leopoldino Araújo (Chico Boticário)
Localização: Av. Governador Valadares, n° 201 – Rio Novo-MG
Descrição: Em 07 de Julho de 1876, a casa foi comprada pelo Dr. Antônio Jacob da Paixão. Em 1892, o Cel. Francisco de Paula Leopoldino de Araújo, adquiriu o imóvel e residiu nele com sua família até seu falecimento, em 1908. Por herança, foi transmitido ao seu filho, Cel. Christiano de Paula Araújo, que em 26 de Fevereiro de 1944 vendou ao Dr. Aristóteles Câmara Leal Jacob da Paixão (filho do Dr. Jacob). Em 05 de Janeiro de 1999, Geraldo Pontes Araújo (bisneto do Cel. Leopoldino) comprou a cada dos sucessores do Dr. Aristóteles (Dr. Tote Paixão), para instalação e funcionamento da Fundação Cultural.
O Museu Histórico de Rio Novo foi criado com o acervo pessoal dos instituidores da Fundação e tem sido enriquecido por constantes doações da sociedade. Destacam-se no acervo:
- “TIRADENTES EM MISSÃO NOS SERTÕES PROIBIDOS”, óleo s/tela de Fânia Ramos Araújo, 2000
- RETRATO DO BARÃO DE RIO NOVO, óleo s/tela de Julius Stewart, 1874
- MARCO DE SESMARIA
- OBJETOS DE PEDRA E CERAMICA DA TRIBO DOS PURIS
- RETRATO DO MARECHAL DEODORO, óleo s/tela de Hipólito Caron, 1889
- RETRATO DO MARQUÊS DE MARICÁ, óleo s/tela, autor desconhecido, século XVIII
- REMANESCENTES DA IGREJA MATRIZ DE RIO NOVO, demolida em 1965
A Biblioteca Carmo Gama, além do acervo inicial dos instituidores, tem recebido diversas doações que a credenciam como um dos mais importantes acervos de referência histórica do Leste de Minas Gerais (Zona da Mata e Rio Doce), aberto à consulta de pesquisadores. A biblioteca também oferece acesso a abrangente coleção de obras de referência geral, franqueada a estudantes da região.
Obras raras:
- Livro “THEOLOGIE DE L’EAU” (Teologia da Água) de Jean Albert Fabricius, edição de 1751. Curioso exemplo de estudo científico-teológico em pleno século das luzes.
- Livro “ESSAIS SUR L’HISTOIRE NATURELLE DES QUADRUPEDES DE LA PROVINCE DU PARAGUAY” (Ensaio sobre a História Natural dos Quadrúpedes da Província do Paraguai) de Dom Felix d’Azara, edição de 1801. Precursor de inúmeras obras sobre a natureza no Novo Mundo, que seduziram a Europa no século XIX.
- Livro “POESIAS COMPLETAS” de MANUEL BANDEIRA, com dedicatória do autor em beneficio das vítimas russas da guerra em 1942.
- Livros e postais que pertenceram a VINÍCIUS DE MORAIS.
- Livro que pertenceu a DOM HELDER CÂMARA, com assinatura.
Riquíssimo acervo de documentos administrativos, judiciais, eclesiásticos e particulares, coleções de jornais regionais e fotografias:
- Fotografia autografada de JOSEPH JOACHIM, notável violinista alemão, grande amigo dos compositores ROBERT SCHUMANN e JOHANNES BRAHMS (Coleção Maestro Giacinto de Méis.
- Fotografia da comitiva do notável cientista norte-americano de origem suíça LOUIS AGASSIZ, em visita a região no ano de 1864.
- Vasto material iconográfico que retrata a região desde a segunda metade do século XIX, incluindo importante coleção de fotografias do cientista mineiro Basílio Furtado.
- Documentos referentes a Presidentes da República nascidos no estado de Minas
Gerais, desde VENCESLAU BRAZ até JUSCELINO KUBITSCHEK. - Edição original do catálogo preparado pelo BARÃO DO RIO BRANCO para a grande exposição internacional de café de São Petersburgo (1884).
- Testemunhos diversos da sociedade escravocrata.
Fonte: Site da instituição.
Chico Boticário, Francisco de Paula Leopoldino Araújo: Nasceu no dia 26-8-1830, em Barbacena, MG, onde iniciou seus estudos. Seu pai Francisco de Paula Camilo Araújo, além de fazendeiro em Chapéu d’Uvas, era político em Barbacena, onde foi líder da Revolução Liberal de 1842. Seu avô Joaquim Rodrigues de Araújo, também político, foi um dos fundadores da Vila de Barbacena em 1791, e contribuiu também para a Independência do Brasil e sua consolidação, sendo vereador da Câmara Municipal de Barbacena, que foi a primeira a solicitar a permanência do Príncipe D. Pedro no Brasil, “O FICO”, oferecendo-lhe apoio político e militar. Seus avós eram parentes dos Inconfidentes Francisco Antonio de Oliveira Lopes, Domingos Vidal Barbosa e Faustino Soares Araújo e conviveram com os ideais e dramas da devassa e suas condenações.
Concluindo o curso de Farmácia, transferiu-se para Rio Novo, onde, sempre zeloso na manipulação dos remédios e eficiente atendimento ao povo, recebeu o carinhoso apelido de CHICO BOTICARIO.
Casou-se com Maria Augusta Vieira em 12-6-1859, filha de Francisco Antonio Vieira e Maria Rodrigues Viera (Vovó Novata). Tiveram quatro filhos: Olímpio Rodrigues Araújo, Cristiano de Paula Araújo, Jovita Augusta Araújo e Olívia Emília Araújo.
Sua cultura e dedicação à causa pública, levaram-no a exercer diversas funções na administração local, prestando relevantes serviços ao município, onde foi Presidente da Câmara e Agente executivo de 1882 a 1890. Foi nomeado também Coronel da Guarda Nacional e lembrado por Machado de Assis na crônica publicada em 28-05-1885 pela Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro. .
Como proprietário da Fazenda do Ribeirão, tornou-se próspero produtor de café; foi ainda escritor de obras técnicas, econômicas e sociais, como o livro “A Cultura do Café e a Falta de Braços na Lavoura”, editado em 1879.
A partir de 1890, abandona a política e as atividades econômicas para se dedicar com exclusividade à Botânica, em parceria com seu amigo SCHWACKE, realizando estudos de cruzamento de plantas para usos medicinais, coletando e determinando espécies novas de mais de 16.000 plantas. Este importante trabalho encontra-se atualmente na Escola de Farmácia de Ouro Preto, no Museu Nacional do Rio de Janeiro, e nas cidades de Breslau, Munique, Leipzig e Berlim na Alemanha.
Em reconhecimento a este importante trabalho foi homenageado pelos cientistas Loesener, Mez, Engler, Radlkorfer e Kochne, que deram o seu nome a algumas espécies novas, figurando para sempre nos anais da ciência: Tillandisia araujei, Nectandra araujovii, Mezia araujei, Diplopterys araujei e Virola araujovii.
Foi fundador da Loja Maçônica Culto Ao Dever, de Rio Novo, e recebeu do Grão Mestre Quintino Bocayúva o Titulo de Membro Honorário da Assembléia Geral do Grande Oriente do Brasil.
GENEALOGIA – Chico Boticário é descendente das ilustres famílias dos conquistadores e colonizadores do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais: Vasco Fernandes Coutinho, Marcos Azeredo, Azeredo Coutinho, Duarte Velho, Gomes Bravo, Nunes Campos, Barbosa Matos Coutinho, Afonso Rodrigues e Rodrigues Araújo; possui ligações colaterais com as famílias Massena, Soares Araújo, Murgel, Renault, Pharoux e Montreuil, Henriques, Castro Leite, Halfeld, Hamann, Oliveira Belo, Oliveira Lopes, Diana Braga, Gomes Araújo, Benedito Araújo, Pinto Coelho, Gonçalves Chaves, Araújo Franco, Lima e Silva (Duque de Caxias), Negrão de Lima, Vidal Barbosa Laje e Rates Amaral.
Fonte: Site da instituição.
Histórico do município: Rio Novo, como a grande maioria dos municípios mais antigos da Zona da Mata, surgiu da ação dos desbravadores do território, que se infiltravam pelo interior da Província das Minas Gerais à procura de riquezas minerais ou de terras para lavoura.
Assim, no decorrer do século XVIII, exploradores vindos da zona aurífera da Província, em busca de terras, chegaram à região, através da floresta, seguindo o curso sinuoso de um ribeiro, a que deram o nome de “Caranguejo”. Prosseguindo nas explorações, depararam com um curso de água mais importante e navegável, a que denominaram “Rio Novo”.
No local onde se acha situada atualmente a cidade, resolveram instalar o primeiro núcleo de povoamento, atraídos pela fertilidade das terras, pela abundância de água, pelas condições de navegabilidade do rio e topografia do local. Construíram as primeiras moradias e uma capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, que teria aparecido no local.
Os primeiros atos religiosos eram primeiramente celebrados, a longos intervalos, por um sacerdote que vinha de canoa da localidade de Chapéu d’Uvas. Mais tarde, um dos moradores, de nome Francisco Geraldo, promoveu uma subscrição e adquiriu os terrenos para patrimônio do povoado, fazendo construir nova capela, mais ampla e coberta de telhas, no local onde se edificou, posteriormente, a Igreja Matriz.
A região povoada se estendeu até onde hoje se encontra o Município de São João Nepomuceno. De início, com as respectivas capelas como núcleos, as duas povoações ficaram conhecidas como “Capela de Cima” (Rio Novo) e “Capela de Baixo” (São João Nepomuceno). No ano de 1850, foi a Capela de Cima elevada à condição de paróquia, com a denominação de Nossa Senhora Aparecida de Rio Novo, sendo, vinte anos depois, em 1870, elevada à categoria de vila.
Rio Novo exerceu grande influência na criação e desenvolvimento de diversos municípios da Zona da Mata, como sede de uma das 25 comarcas em que foi dividida a Província de Minas Gerais, em 1870, com jurisdição sobre os municípios de Leopoldina, Pomba, Mar de Espanha e São João Nepomuceno.
Fonte: Prefeitura Municipal.

