Santo Antônio do Grama – Acervo Cartográfico do Município
O Acervo Cartográfico do Município de Santo Antônio do Grama-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama-MG
Nome atribuído: Acervo Cartográfico do Município
Localização: R. Padre João Coutinho, nº 121 – Santo Antônio do Grama-MG
Dossiê de Tombamento
Descrição: O Acervo Cartográfico, ora apresentado, trata do conjunto de dois mapas elaborados pelo engenheiro Archimimo Augusto Jaqueira, durante o ano de 1954, a pedido do então prefeito do recém-criado município de Santo Antônio do Grama, Carlos Cunha Brandão. Esses mapas ainda hoje pertencem à Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama.
Os dois mapas encontram-se acondicionados em um único tubo de zinco, fechado por tampa do mesmo material. Por sua vez, este tubo fica guardado na sede da Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Grama, na Sala da Secretaria Administrativa, próxima ao Gabinete do Prefeito.
O contexto de elaboração dos mapas está ligado diretamente ao processo de emancipação da Cidade, iniciado, conforme já relatado, durante o período de comemorações do centenário de Santo Antônio do Grama, em 1950. Esse processo contou com grande participação da comunidade, que criou uma Comissão Pró-Emancipação. Ela atingiu sua meta no ano de 1953, quando o Estado passava por uma revisão administrativa. Tendo como parecerista da solicitação o Deputado Ciro Maciel, a emancipação foi aprovada em sessão da Assembléia Legislativa do Estado, pela Lei n. 1039, de 12 de dezembro. Findo o processo de emancipação, a comissão iniciou a organização do novo município que designou Carlos Cunha Brandão, para ser o Intendente Municipal até se organizarem as eleições. Ele foi empossado no cargo em 1º de janeiro de 1954 e governou até 1º de janeiro de 1955, quando o prefeito eleito, José Flaviano Bayão, tomou posse do cargo e governou por três anos.
Fonte: Dossiê-20.315593, -42.607628 de Tombamento.
Histórico do município: No início do século XIX, muladeiros, boiadeiros, mascates e tropeiros utilizavam a área onde hoje se encontra o município de Santo Antônio do Grama como caminho de ligação entre diversas regiões de Minas, atualmente conhecidas como as cidades mineiras de Abre Campo, Matipó, Manhuaçu, Ponte Nova e Mariana. Com o passar dos tempos, os viajantes começaram a chamar esta região pelo nome de Paragem da Grama, graças à grama verdinha utilizada para repouso e pastagens às margens do córrego hoje conhecido como Ribeirão Santo Antônio.
Essa região foi ocupada, inicialmente, pelo viajante Manoel Felipe da Silva, que fixou residência no local, ao construir sua choupana numa clareira que se destacava no meio da mata fechada. Mais tarde, expandiu seus domínios, embrenhando-se na mata e cultivando a terra ao redor de sua moradia, fato que atraiu outras pessoas para firmarem residência no local. A partir desse grupo inicial surgiu um núcleo de povoamento, que se tornou a propriedade agrícola de nome “Fazenda da Grama”, ainda pertencente a Manoel Felipe. Ela ocupava a margem direita do ribeirão, limitando-se acima pela sesmaria do Emboque e abaixo pelas terras de Antônio Luiz de Freitas. Depois, essa denominação se estendeu a todo o lugar, mesmo fora dos limites da fazenda de Manoel Felipe. Ele foi casado com Antônia Maria de Jesus, com quem teve vários filhos. Em 1846, Antônia Maria enviuvou-se e a propriedade foi dividida entre os filhos, em inventário procedido na Comarca de Mariana. O distrito de Santo Antônio do Grama nasceu à sombra desta fazenda com um pouco mais de terras ao seu redor.
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O terreno doado para a construção da capela, de pau-a-pique, cercada de esteira de taquara e coberta de sapé, corresponde à área onde hoje está situada a Praça Padre Antônio Ribeiro Pinto e a casa paroquial. A data da autorização para a construção da capela é considerada, por muitos cidadãos, a data em que os primórdios de ocupação e povoamento do atual município de Santo Antônio do Grama foram lançados. A primeira missa celebrada na capela de Santo Antônio foi realizada pelo Padre Fortunato de Abreu e Silva. Não são conhecidos mais dados referentes a este dia, nem mesmo a data.
O início do povoado se deu nas proximidades da capela, onde foram sendo construídas casas que deram origem a um pequeno núcleo urbano. O arraial tornou-se um significativo ponto de comércio para os viajantes que iam à Ponte Nova, fato que continuou influenciando a cidade com o advento das estradas de ferro na região. Com o passar dos anos, as terras doadas por Antônio Luiz de Freitas se tornaram pequenas para o arraial que crescia.
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No final do século XIX o povoado se desenvolve rapidamente. Há o crescimento da lavoura, da população e do comércio. Em 20 de julho de 1868, pela Lei n. 1.550, aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial e pelo Presidente da Província de Minas Gerais, o povoado de Santo Antônio do Grama é elevado a Distrito de Paz, sendo desmembrado da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Casca, e novamente incorporado, agora como distrito ao município de Ponte Nova. Nesse mesmo ano o distrito amplia novamente seu território com a doação de uma chácara por José Antônio Pereira Salgado e, não se sabe se nesse mesmo ano, ou no seguinte, José Fernandes da Silva, outro filho de Manoel Felipe da Silva, permuta quatro alqueires de suas terras da Fazenda da Piedade por três alqueires situados na divisa das terras do distrito para mais uma ampliação do território.
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Em 1873, tem-se o registro do primeiro Livro de Notas do Cartório do Distrito, no qual foram lavradas as primeiras escrituras das transmissões locais. Nele, estão nomeadas as primeiras autoridades: José Joaquim da Conceição é o primeiro Juiz de Paz, tendo como suplentes Manoel Felipe Domingos, Francisco Vieira Frade e Tristão Pereira de Azevedo. O primeiro Escrivão de Paz é Carlos José da Silva, que exerce o cargo até 1910. O Subdelegado de Polícia é Joaquim Gonçalves Gomes, sendo seus suplentes Manoel José de Melo, Caetano José Domingos e Luiz Domingues Gomes.
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A partir de 1913, o distrito de Santo Antônio do Grama passa por uma transformação econômica devido ao desativamento da parada de trem em Ponte Nova, pela Estrada de Ferro Leopoldina, o que diminui, consideravelmente, o comércio de viajantes, típico da região. O fim da Primeira Guerra Mundial, seguida da grande depressão, também contribuiu para o atrofiamento econômico dessa região ligada à agricultura.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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- Imagem: Prefeitura Municipal
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