Uberlândia – E. E. Dr. Enéas de Oliveira Guimarães


Imagem: Prefeitura Municipal

A E. E. Dr. Enéas de Oliveira Guimarães foi tombada pela Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG
Nome atribuído: Residência e armazém comercial de Antônio de Rezende Costa – Escola Estadual Dr. Enéas de Oliveira Guimarães – praça Dr. Duarte nº44
Localização: Praça Doutor Duarte, nº 44 – Bairro Fundinho – Uberlândia-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 13.792/2012, , de 21/08/2012 – Alterado pelo Decreto nº 13.792, 03/12/2012.
Livro do Tombo Histórico: Inscrição XVIII, pág. 27.

Descrição: O prédio que abriga a Escola Estadual Enéas Oliveira Guimarães foi construído no final do século XIX por Antônio de Rezende Costa, conhecido em seu tempo como Tonico Rezende, natural de Paracatu, que se estabeleceu como comerciante em São Pedro de Uberabinha no final do século XIX.

A empresa Antônio de Rezende & Companhia foi instalada em uma região da cidade que, entre o final do século XIX e início do XX, possuiu três nomes: Largo do Rosário, Largo do Comércio e Praça Dr. Duarte. O local passou a ser denominado Largo do Comércio, devido a concentração de várias casas comerciais em seu entorno que comercializava uma grande variedade de produtos, no atacado e no varejo como ferramentas, implementos e suplementos agrícolas, cereais, algodão, borracha, couro, material de construção, apetrechos domésticos, armarinhos, querosene, sal, dentre outros.

Estabelecida a casa comercial e vislumbrando a possibilidade de expansão dos seus negócios, Antônio de Rezende procurou ampliá-los construindo um galpão que serviria de depósito para o seu comércio. Optou também por construir ali mesmo, ao lado, a sua residência.

A residência foi construída no alinhamento da Rua XV de Novembro e o Largo do Comércio, com sua entrada voltada para o Largo. O primeiro bloco que compõe a residência é uma edificação retangular que apresenta influências arquitetônicas do estilo neoclássico (ainda que de forma discreta e incipiente). A organização interna obedece à lógica desse estilo, aplicado à arquitetura residencial: a porta principal dá acesso a um corredor ao longo do qual, quase simetricamente, distribuem-se os cômodos. São três cômodos à direita do corredor (o primeiro a sala de estar e os dois demais dormitórios) e três cômodos à esquerda (um dormitório, o escritório e, no fundo, já incorporando a área que seria a continuidade do corredor, a sala de jantar).

A Sala de Estar apresenta forro decorado (pinturas sobre tecido) e paredes também decoradas. Tanto as pinturas do forro quanto das paredes foram atribuídas ao construtor e pintor Cipriano Del Fávero. Esse bloco foi todo construído em alvenaria estrutural de tijolos maciços. Apresenta porão baixo não habitável. O piso é todo de estrutura de barrotes de madeira sobre a qual foram assentadas tábuas.

Também nas fachadas externas há elementos decorativos condizentes com as aspirações do estilo neoclássico. São elementos sóbrios e que buscam um equilíbrio visual. Colunas feitas na própria alvenaria estrutural de tijolos maciços aparecem nos cantos da construção, com dois capitéis cada e acabamento também decorado nas suas partes inferiores. Dos capitéis mais baixos sai uma moldura que envolve toda a casa, e dos mais altos saem as cimalhas sobre as quais se apoiam visualmente as quatro águas do telhado.

As janelas e porta principal apresentam molduras decoradas em massa, e cada esquadria apresenta também um elemento decorativo horizontal superior (sobreverga). A porta principal possui uma bandeira com arco pleno fechada com uma grade de metal. Todas as janelas possuem bandeiras e folhas de veneziana de madeira e de vidro. Os vidros, como também pode-se constatar nas fotos de época, eram decorados. Verifica-se também nas fachadas laterais e de fundos pequenas grades nos vãos de ventilação do porão. As portas internas do bloco eram altas, com bandeiras de vidro. O telhado desse bloco é em estrutura de madeira com tesouras, em quatro águas, e com fechamento em telhas cerâmicas tipo francesa. Sob a estrutura foi instalado forro de madeira.

Um segundo bloco (ligado ao primeiro pela sala de jantar) abrigava originalmente cozinha e banheiros. Esse bloco liga morfologicamente a residência e o armazém comercial, existindo entre eles o pátio frontal do conjunto, pelo qual também se acessava a residência. Sua saída posterior dava para o quintal. Tem as características construtivas similares às do primeiro bloco. O telhado também em estrutura de madeira apresenta quatro águas com três calhas ao longo delas, uma no centro e uma em cada lateral. Sob a estrutura também foi instalado o forro de madeira. As telhas também eram de cerâmicas do tipo francesas. A fachada frontal apresenta dois frontões triangulares que emolduram essas quatro águas do telhado.

O armazém foi construído perpendicularmente ao então Largo do Comércio e consolidava o conjunto arquitetônico original. Tinha entrada original para o Largo com três portas. Tinha na fachada lateral voltada para o pátio central elementos decorativos e também janelas redondas. O estilo segue a inspiração neoclássica do restante do imóvel. O telhado do bloco é em estrutura de madeira, em 4 águas, e coberto com telhas cerâmicas tipo francesa.

O pátio frontal era um acesso alternativo à residência. O fechamento é constituído de duas pilastras, muro baixo e grade metálica. Sobre as pilastras havia dois grandes vasos ornamentais. Havia também no seu interior canteiros para o cultivo de um jardim.

Com as reminiscências de sua infância, passada na casa, Luiz Antônio fez uma detalhada descrição de seus espaços internos e externos e relatou que “para a construção da residência, meu avô, já exercendo atividades pioneiras de importador e exportador, importou grande parte do material de construção, pois se fazia necessário: assim, adquiriu as telhas de Marselha, na França, os vidros da Bélgica, as ferramentas e ferragens, da Inglaterra, as madeiras de pinho de Riga da Lituânia, e as portas e janelas de Portugal. Para pintar e decorar a casa chamou de Franca (S.P.) o pintor Cipriano Del Fávero. Nas paredes ele usou painéis e padrões artísticos que inspiraram posteriormente a pintura de outras casas e também iniciou aqui as técnicas adotadas por outros pintores como o falecido Ido Finotti. Cipriano Del Fávero, mais tarde projetou o prédio da antiga prefeitura, construída no antigo cemitério, hoje praça Clarimundo Carneiro. Essa casa, hoje centenária, foi a primeira a ter tubulação de água quente no banheiro e cozinha que era, de início, aquecida por serpentinas e, posteriormente, por caixa térmica.

Em depoimento informa ainda que “para a inauguração de sua residência em 06 de outubro de 1897, comprou da França para sua sala de visita, pintada por Cipriano Del Fávero, o primeiro conjunto estofado da cidade que constava de sofá, duas poltronas, e duas cadeiras estofadas e importou um piano marca G. Schwechten de Berlim – Alemanha…”

Essas são reminiscências que, assim como outras, preservam a história dessa cidade.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: A Fazenda São Francisco foi sede da Sesmaria de João Pereira da Rocha, o primeiro morador a fixar residência nesta região no início do século XIX, por volta de 1818. A cidade de Uberlândia se formou em terras desmembradas desta família.

Por volta de 1835, chegaram os irmãos Luiz, Francisco, Antônio e Felisberto Carrejo, que compraram de João Pereira da Rocha as terras para formar as respectivas propriedades: Olhos D’Água, Lage, Marimbondo e Tenda. Ainda hoje elas permanecem na zona rural do município.

Felisberto Alves Carrejo construiu em sua fazenda uma tenda de ferreiro para abrigar as suas atividades profissionais, por isso, sua propriedade ficou conhecida por “Tenda”. Apesar das benfeitorias feitas no local, Felisberto transferiu sua residência para 10 alqueires de terra de cultura, nas imediações do Córrego Das “Galinhas” (Avenida Getúlio Vargas), adquiridos de Dona Francisca Alves Rabelo, viúva de João Pereira da Rocha. Nesta ocasião, esta porção de terra, atualmente Bairro Tabajaras, já era habitada por um pequeno número de pessoas.

Uberlândia é uma cidade que, como muitas, nasceu no entorno de uma capela. Como símbolo de uma comunidade que se pretendia organizada e civilizada, os moradores pediram ao Bispado a permissão para a construção de uma Capela Curada, a ser dedicada à Nossa Senhora do Carmo. Desta forma, construída em adobe e barro nas suas formas mais simples em termos arquitetônicos, ela foi idealizada em 1846.

Para viabilizar a sua construção, os procuradores da obra entraram em entendimento com D. Francisca Alves Rabelo e dela adquiriram, pela quantia de quatrocentos mil réis, cem alqueires de terras de cultura e campo, entre os Córregos Das Galinhas e São Pedro. Todo o Patrimônio foi doado a Nossa Senhora do Carmo e, atualmente, corresponde à parte central da cidade de Uberlândia. O Arraial recebeu então o nome de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha. Nas proximidades do lugar escolhido para a construção da capela, havia um caminho denominado de “Estrada Salineira”, foi às margens deste caminho que se formou o primitivo núcleo urbano.

Quando o Arraial passou à sede do Distrito, a estrada recebeu o nome de Rua Sertãozinho, posteriormente Rua Tupinambás e, atualmente, denomina-se Rua José Ayube. Como o cotidiano das pessoas era pontuado pela vida religiosa, a Capela abrigava à sua volta uma faixa de terreno que ficou conhecido como “Campo Santo”, nele foram sepultados os primeiros habitantes da Vila.

As raízes da cidade estão em um bairro conhecido hoje por Fundinho. As pequenas e tortuosas ruas que entrecortavam o arraial se formaram ladeadas pela sequência de casas, quintais e antigos muros que emprestaram à geografia urbana o seu sentido.

Por volta de 1861, pouco tempo após sua inauguração, a capelinha foi ampliada e transformou-se na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, abrigando até 1941 as principais atividades religiosas da cidade. Em 1943, após a inauguração da imponente Matriz de Santa Terezinha na Praça Tubal Vilela, ela foi demolida e, em seu lugar, foi construído um prédio para abrigar a Estação Rodoviária.
Fonte: Prefeitura Municipal.


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