Uberlândia – Igreja de Nossa Senhora das Dores
A Igreja de Nossa Senhora das Dores foi tombada pela Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG
Nome atribuído: Igreja de Nossa Senhora das Dores
Localização: R. Dom Barreto, nº 60 – Bairro Fundinho – Uberlândia-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 11995/2009, de 08/12/2009.
Livro do Tombo Histórico: Inscrição XVI , pág. 24.
Descrição: A Igreja de Nossa Senhora das Dores tem sua história vinculada à criação do Colégio Ressurreição Nossa Senhora, a primeira instituição religiosa de ensino do município de Uberlândia.
Sua construção se deu na primeira metade do século XX, pela Madre Maria Villac, uma jovem campineira de 19 anos que tinha como propósito para sua vida servir a Deus em uma congregação na Bélgica. Com o advento da primeira Guerra Mundial, Maria Villac não pôde sair do país, permanecendo em Campinas. Desta forma, reuniu um grupo de moças da cidade que inicialmente a procurava para receber orientações espirituais, mas também com o mesmo propósito de servir a Deus e ao próximo. O trabalho das Missionárias iniciou-se com os centros de catequese nos bairros periféricos de Campinas, onde trabalhavam com as famílias pobres.
No início da década de 1930, o Cônego Pe. Albino Figueiredo Martins Miranda sentindo a necessidade da instalação de uma instituição educacional religiosa na localidade dirigiu-se a Uberaba e apresentou ao Bispo da Diocese Frei Luiz Maria de Santana um projeto para a criação de uma escola católica. Este, sabendo que Dom Francisco Barreto tinha fundado há três anos o Instituto das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, fez um convite às responsáveis para que estas visitassem Uberlândia a fim de estudar a possibilidade de ali fundar um colégio. Com o convite feito pelo Bispo Dom Luiz Maria de Santana, a Congregação tinha a oportunidade de expandir o propósito da evangelização para o âmbito escolar.
Em novembro de 1931, chegam a Uberlândia a Madre Maria Villac, fundadora da Congregação e as Irmãs Josefina Maria do Coração Chagado de Jesus e Amália de Jesus Flagelado, conhecida no âmbito religioso por ter vislumbrado Nossa Senhora das Lágrimas, ficando hospedadas na residência do Sr. Arlindo Teixeira.
Após uma criteriosa avaliação do local e atendendo às solicitações das famílias católicas, as Irmãs consideraram a ideia de abrir um colégio religioso na localidade como um projeto viável e que deveria se realizar o mais breve possível. Instalaram-se numa casa que ficava na esquina da Rua Vigário Dantas com a Rua Marechal Deodoro e sete dias depois da chegada das Irmãs, na data que a igreja católica comemora o dia de Nossa Senhora de Lourdes, foi fundado, então, o Colégio Nossa Senhora das Lágrimas. A Igreja de Nossa Senhora das Dores foi construída inicialmente para abrigar a Capela do Colégio Nossa Senhora das Lágrimas que funcionava de forma improvisada no auditório da instituição.
Em 1935, houve o reconhecimento oficial do Colégio como instituição de ensino e o lançamento da pedra fundamental da Capela que ocorreu em 17 de julho de 1936. Em outubro do mesmo ano, foram demarcados os alicerces e, a partir daí, foram intensos os trabalhos e esforços das irmãs para a construção da Capela.
A edificação é um exemplar de arquitetura eclética onde podem ser observadas características da arquitetura românica e paleocristã-carolíngia. Construída, em 1936, meados do século XX, apresenta partido arquitetônico retangular com três volumes.
Internamente, a igreja possui três pavimentos com utilização distinta: no primeiro localizam-se as naves definidas pelas arcadas, capela-mor e sacristia. No “mezanino”, localiza-se o coro e no segundo pavimento, o dormitório das freiras com banheiros e cozinha e um balcão com arcada localizado sobre o coro de onde as freiras assistem às missas reunidas. Na nave lateral direita, encontra-se uma escada helicoidal com acesso ao coro. Aos fundos do altar mor, localiza-se a sacristia. No lado direito da sacristia existe uma escada que dá acesso ao pavimento superior que possui uma cozinha e dois banheiros.
A igreja não apresenta retábulos e sua decoração interna é realizada através de ornamentos em argamassa localizados no intradorso dos arcos plenos e capitéis dos pilares e mísulas com imagens dos santos de devoção da comunidade. Na nave direita, encontra-se a imagem de São José e, na esquerda, a imagem do Cristo Redentor.
Todas as imagens estão pintadas de branco, apenas com as partes de carnação e cabelos coloridas e douramentos nas bordas dos mantos. Isto se deve à exigência por parte da irmandade que administra a igreja. No altar-mor encontram-se as imagens de Cristo Crucificado fixada no altar, e de Nossa Senhora das Dores. Ambas também seguem o mesmo padrão de pintura das demais imagens. A mesa do altar é em granito preto.
A Igreja, além de suas características arquitetônicas ecléticas, constitui um elemento que se torna um marco no contexto do bairro Fundinho fazendo parte da história e características do local, onde tinha essa predominância de casarões ecléticos construídos no início do século XX e, que aos poucos, foram sendo substituídos, em sua maioria, por arranha-céus.
A comunidade sempre teve uma relação muito forte com a mesma, tendo inclusive participado ativamente das campanhas promovidas pelas irmãs para arrecadação de verbas para sua construção. Prova desta interação está no interior da capela onde nos vitrais que ornamentam suas paredes laterais encontram-se registrado os nomes de algumas famílias que contribuíram de alguma forma, para a sua construção.
Quando em 1969, a Capela foi elevada à condição de Paróquia de Nossa Senhora das Dores esta relação com a comunidade ficou mais forte, uma vez que as atividades religiosas antes destinadas em sua maioria aos estudantes do colégio foram extensivas à toda comunidade local.
Atualmente, a Paróquia que é coordenada pelo Padre Márcio Antônio Gonçalves e promove atividades religiosas diariamente com a realização de missas, novenas, terços, dentre outras, além da festa de Nossa Senhora das Dores, comemorada no mês de setembro, quando são realizadas procissões, novenas, quermesses e a coroação de Nossa Senhora, envolvendo toda comunidade católica. Este imóvel foi um marco na história educacional e religiosa do Município, além de ser um testemunho de sua história e desenvolvimento. Portanto, preservar este imóvel é preservar a memória de Uberlândia.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: A Fazenda São Francisco foi sede da Sesmaria de João Pereira da Rocha, o primeiro morador a fixar residência nesta região no início do século XIX, por volta de 1818. A cidade de Uberlândia se formou em terras desmembradas desta família.
Por volta de 1835, chegaram os irmãos Luiz, Francisco, Antônio e Felisberto Carrejo, que compraram de João Pereira da Rocha as terras para formar as respectivas propriedades: Olhos D’Água, Lage, Marimbondo e Tenda. Ainda hoje elas permanecem na zona rural do município.
Felisberto Alves Carrejo construiu em sua fazenda uma tenda de ferreiro para abrigar as suas atividades profissionais, por isso, sua propriedade ficou conhecida por “Tenda”. Apesar das benfeitorias feitas no local, Felisberto transferiu sua residência para 10 alqueires de terra de cultura, nas imediações do Córrego Das “Galinhas” (Avenida Getúlio Vargas), adquiridos de Dona Francisca Alves Rabelo, viúva de João Pereira da Rocha. Nesta ocasião, esta porção de terra, atualmente Bairro Tabajaras, já era habitada por um pequeno número de pessoas.
Uberlândia é uma cidade que, como muitas, nasceu no entorno de uma capela. Como símbolo de uma comunidade que se pretendia organizada e civilizada, os moradores pediram ao Bispado a permissão para a construção de uma Capela Curada, a ser dedicada à Nossa Senhora do Carmo. Desta forma, construída em adobe e barro nas suas formas mais simples em termos arquitetônicos, ela foi idealizada em 1846.
Para viabilizar a sua construção, os procuradores da obra entraram em entendimento com D. Francisca Alves Rabelo e dela adquiriram, pela quantia de quatrocentos mil réis, cem alqueires de terras de cultura e campo, entre os Córregos Das Galinhas e São Pedro. Todo o Patrimônio foi doado a Nossa Senhora do Carmo e, atualmente, corresponde à parte central da cidade de Uberlândia. O Arraial recebeu então o nome de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha. Nas proximidades do lugar escolhido para a construção da capela, havia um caminho denominado de “Estrada Salineira”, foi às margens deste caminho que se formou o primitivo núcleo urbano.
Quando o Arraial passou à sede do Distrito, a estrada recebeu o nome de Rua Sertãozinho, posteriormente Rua Tupinambás e, atualmente, denomina-se Rua José Ayube. Como o cotidiano das pessoas era pontuado pela vida religiosa, a Capela abrigava à sua volta uma faixa de terreno que ficou conhecido como “Campo Santo”, nele foram sepultados os primeiros habitantes da Vila.
As raízes da cidade estão em um bairro conhecido hoje por Fundinho. As pequenas e tortuosas ruas que entrecortavam o arraial se formaram ladeadas pela sequência de casas, quintais e antigos muros que emprestaram à geografia urbana o seu sentido.
Por volta de 1861, pouco tempo após sua inauguração, a capelinha foi ampliada e transformou-se na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, abrigando até 1941 as principais atividades religiosas da cidade. Em 1943, após a inauguração da imponente Matriz de Santa Terezinha na Praça Tubal Vilela, ela foi demolida e, em seu lugar, foi construído um prédio para abrigar a Estação Rodoviária.
Fonte: Prefeitura Municipal.
FOTOS:
- Imagem: Prefeitura Municipal


