Pinhal da Serra – Parque Arqueológico do Homem do Planalto das Araucárias


Imagem: Silvia Moehlecke Copé

O Parque Arqueológico do Homem do Planalto das Araucárias, em Pinhal da Serra-RS, é composto por floresta subtropical subcaducifólia com araucárias alternadas com campos de gramíneas.

Prefeitura Municipal de Pinhal da Serra-RS
Nome Atribuído: Parque Arqueológico do Homem do Planalto das Araucárias
Localização: Pinhal da Serra-RS

Descrição: A criação do Parque Arqueológico do Homem do Planalto das Araucárias PAHPA, situado no município de Pinhal da Serra, no centro norte do Estado do Rio Grande do Sul, objetiva trazer ao grande público (comunidade local, regional, estadual e nacional) os resultados das pesquisas científicas realizadas por ocasião da construção da UHE Barra Grande. Em atendimento a resolução CONAMA nº 001/86, a empresa contratou consultores especialistas nas mais diversas áreas de conhecimento, abrangendo as Biociências, as Geociências e as Ciências Humanas. O projeto do Parque visa disponibilizar o conhecimento produzido nestas diferentes áreas através da realização de exposições temáticas, de vídeos, de palestras, de estudos interdisciplinares e da museologização de sítios arqueológicos a serem abertos à visitação pública e da elaboração de roteiros turísticos ecológicos e culturais. A implantação do PAHPA permitirá o desenvolvimento de um plano de manejo conjunto entre estas diversas áreas de conhecimento e garantirá a preservação adequada de uma área do município onde se encontra uma grande concentração de sítios arqueológicos pré-coloniais do Estado, assim como, uma rica biodiversidade de fauna e flora. A elaboração de roteiros de visitação às belezas naturais e culturais viabilizará o ecoturismo e o turismo cultural no município e na região do planalto, desenvolverá junto à população local a necessidade de valorizar e preservar o seu rico patrimônio ambiental e cultural e ajudará na fixação da população jovem no local oferecendo novas possibilidades de trabalho.
Fonte: Silvia Moehlecke Copé.

Descrição: Ao longo de onze anos (2001 a 2011), as equipes do Núcleo de Pesquisa Arqueológica realizaram escavações em diversos tipos de sítios do município de Pinhal da Serra. Entre eles, o sítio arqueológico RS-PS-12 que se compõe de uma mancha de 1.780 m², mais ou menos circular, de terra preta (a cor escura se deve a grande quantidade de material orgânico produzido pela ocupação humana passada), com material lítico e cerâmico na superfície. Apesar das evidências da passagem do arado, no lado leste da mancha, identificamos uma estrutura de fogueira formada de lascas e blocos de rocha dispostos em círculo e uma concentração de artefatos grandes em semicírculo ao seu redor. A data obtida para a fogueira é de AD 1460. A posição da fogueira e a distribuição dos artefatos permitem elaborar um modelo hipotético da estrutura: as atividades domésticas desenvolver-se-iam ao redor da fogueira e os detritos dessas atividades iriam acumulando-se junto às paredes da estrutura, formadas por madeirames dispostos radialmente que compunham o telhado revestido de palha (Copé et al., 2002) (Figura 6).
Apesar de esse tipo de sítio não ser alvo de investigações sistemáticas e somente registrada a sua existência na literatura arqueológica, essas concentrações de artefatos líticos e cerâmicos, associados à tradição Taquara, sempre foram interpretadas como aldeias compostas por pequenas choças de palha (Schmitz; Becker, 1991). Pela datação obtida e pelas suas características, interpretamos como sendo os sítios de habitação dos construtores das estruturas anelares com ou sem montículo central (Saldanha, 2005; Copé, 2007).
Fonte: Silvia Moehlecke Copé.

Os cemitérios: Os sítios com estruturas em relevo são formados de muros de terra com alturas aproximadas de 0,5 m, as estruturas são circulares ou losangulares ou, ainda, podem formar figuras mais complexa com tamanhos variados em cujo  centro se encontra um ou mais montículos de terra. Esses sítios são compostos, na maioria dos casos, com duas estruturas de diferentes tamanhos. A primeira preocupação dos trabalhos nesse tipo de sítios foi a identificação da função, e para elucidar essa questão, realizamos a escavação no sítio RS-PE-21 e no RS-PE-29.
O sítio denominado RS-PS-21 consiste em dois aterros circulares de 15 e 20 m de diâmetro, ambos cercando montículos, e uma área de concentração de artefatos líticos e cerâmicos em superfície, com cerca de 1.400 m². Foi aberta uma trincheira cortando parte do aterro da estrutura maior, bem como seu montículo central. Neste, aos 45 cm de profundidade, foi localizada uma microestrutura de fogueira com ossos calcinados, cercada por terra queimada (Copé et al., 2002). Esse achado confirmou a função funerária dos montículos, e desde então sítios semelhantes foram identificados e escavados no vale do rio Pelotas e do rio Canoas em Santa Catarina, quase sempre encontrando sepultamentos nos montículos (Herberts; Müller, 2007; De Masi 2006, 2009).
Fonte: Silvia Moehlecke Copé.

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Silvia Moehlecke Copé
Silvia Moehlecke Copé


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