Dois Irmãos – Casa Prof. Matheus Grimm
A Casa Prof. Matheus Grimm foi tombada pela Prefeitura Municipal de Dois Irmãos-RS por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Dois Irmãos-RS
Nome Atribuído: Casa Prof. Matheus Grimm
Localização: Av. São Miguel, n° 395 – Dois Irmãos-RSDecreto de Tombamento: Portaria municipal de tombamento n° 116/2003, de 11 de abril de 2003.
Ficha de inventário – Compac
Importância: O bem se destaca por apresentar valor nas seguintes Instâncias:
1 – Instância Cultural: Enquanto referência histórica; pelo valor de antiguidade; pelo valor tradicional para a comunidade e pelo valor de referência coletiva;
2 – Instância Morfológica: Valor arquitetônico: pela qualidade formal, Valor pela referência historiográfica; Valor pela raridade formal; Valor como elemento referencial na paisagem urbana;
3 – Instância Funcional: Compatibilização com a estrutura urbana e pela permanência dos usos originais nas estruturas existentes.
4 – Instância Técnica: Valor pelo risco de desaparecimento e Valor pelo bom estado de conservação;
5 – Instância Paisagística: Valor pela compatibilização com a paisagem urbana; Valor pelo conjunto de unidades – estruturação do cenário da quadra e Valor como elemento referencial.
6 – Instância Legal: legislação de preservação em nível municipal (Lei de Tombamento e Zoneamento em Plano Diretor).
Fonte: Ficha de inventário – Compac.
Descrição: A edificação, construída no ano de 1909, pertenceu inicialmente aos pais de Catharina Brentano, que eram naturais de Cambará do Sul. A filha Catharina casou-se com o Professor Matheus Grimm no ano de 1898, e o casal passou a residir na edificação e tiveram sete filhos. Nos fundos da edificação havia uma cisterna e um anexo composto por banheiro, ducha e despensa. A propriedade tinha características rurais e de autossuficiência da família: havia uma mesa onde os animais eram carneados, um forno de pão, horta e pomar. Após as missas da Igreja Matriz de São Miguel muitas famílias vinham até a residência comprar o Bálsamo Alemão, que vinha diretamente da Alemanha e era revendido por Catharina. Também ela produzia schmier e vendia para a comunidade e visitantes. Matheus Grimm também conservava um harmônio, trouxe sua bagagem num baú quando veio da Alemanha e este ainda está salvaguardado pelos seus descendentes.
Na década de 1950, uma das filhas do casal, Emma Josefina Grimm Kaefer adquiriu a parte dos demais herdeiros e o imóvel passou a ser sua propriedade e dos seus herdeiros. Posteriormente, na década de 2000 foi vendida para o casal Erna Elvira Leuck Hennemann e Lauro Hennemann que inauguraram na edificação, juntamente com o anexo, o “Centro Pérola”, em 11 de março de 2004, e que permanece até hoje com este uso.
Fonte: Ficha de inventário – Compac.
A trajetória do Professor Matheus Grimm: Matheus Grimm nasceu em 21 de setembro de 1864 em Wurtemberg na Alemanha, era o filho mais novo de José e Anna Dressler Grimm. Ao completar seus vinte e cinco anos recebeu o diploma de Pedagogia, Filosofia e Música na Universidade de Berlim. Em 1894 foi convidado pelo Consulado Alemão para acompanhar um Padre Jesuíta rumo ao Brasil, chega em Porto Alegre em 5 de maio de 1895 e é recebido pelo seu conterrâneo Hugo Metler, na época diretor e redator do jornal Deutsches Volksblatt”. Estabeleceu-se em Dois Irmãos, na época 4º Distrito de São Leopoldo, e ali assumiu a direção da Escola Paroquial de São Miguel, atuando como professor até o ano de 1938, desempenhando diversas ações no desenvolvimento cultural e religioso da localidade. Faleceu em 14 de abril de 1943 aos 78 anos.
O Professor Matheus Grimm renovou os métodos de ensino na época, implantado novas formas de aprendizado conforme observou-se em livros de alfabetização, leitura e aritmética. São suas obras: “Cartilha Lesehst”, Aritmética para 1º e 2º anos, Aritmética para 3º ano, Livro de leitura para 3º ano; estas obras foram publicadas e reeditadas pela Editora Selbach de Porto Alegre. Também promoveu e organizou cursos denominados “Lehrer Konferenzen”, onde os professores das zonas rurais tinham a oportunidade de aperfeiçoar seus conhecimentos e posicionamentos perante os alunos. Atuou como jornalista fundando o “Lehrerzeitung”, onde desempenhava a função de diretor e através deste meio de comunicação incentivou novos métodos de ensino e incentivou a cultura geral aos professores da época. Como músico tinha habilidade com diversos instrumentos: órgão, piano, violino, flauta, violão e harpa, fazendo com que mantivesse uma Escola de Música por onde passaram centenas de alunos, entre suas composições estão: Missas em Latim; Marchas festivas e fúnebres; arranjos e músicas para coros de homens e misto; foi autor de livros de canto, destacando-se o “Laudate Domino”; também canções populares, escolares, músicas orquestrais e concertos para piano e violino.
Fonte: Ficha de inventário – Compac.
Histórico do município: Município integrante do Vale do Rio Feitoria, afluente do Rio Caí, sua história está ligada à colonização alemã no Estado, parte da antiga Colônia de São Leopoldo, instalada em 1824. Dois Irmãos recebeu os primeiros colonos a partir de 1825, entre eles Pedro Baum e família, lavrador e sapateiro, do Hunsrück.
A leva mais significativa de colonos imigrantes que ocuparam parte dos 249 lotes da “Linha Grande de Dois Irmãos”, foi a dos ex-náufragos do navio Cecília. O veleiro partiu do porto de Hamburgo em 1827 e surpreendido por uma tempestade no Canal da Mancha. Parcialmente destroçado, o navio com seus passageiros foi abandonado por seu capitão e pela marinhagem, ficando sem rumo até ser encontrado por um barco inglês que o conduziu para Plymouth, na Inglaterra. Aí permaneceram por cerca de dois anos, aguardando a definição de seus destinos. Aportaram no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1829, dia de São Miguel. Conta a tradição que em homenagem ao Arcanjo estabeleceram essa data como seu marco fundante. Até hoje ela é comemorada no “Michelskerb”, Kerb de São Miguel.
Em 1832 os colonos católicos inauguraram a capela em honra a São Miguel. O lugar onde foi erguido o templo é, provavelmente, o mesmo onde a partir de 1869 foi construído o outro, com traços góticos, concluído em 1880, que hoje se encontra a Antiga Igreja Matriz de São Miguel, tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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