Dois Irmãos – Casa Soine


Imagem: Google Street View

A Casa Soine foi tombada pela Prefeitura Municipal de Dois Irmãos-RS por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Dois Irmãos-RS
Nome Atribuído: Casa Soine
Localização: Av. São Miguel, n° 1835 – Dois Irmãos-RSDecreto de Tombamento: Portaria municipal de tombamento n° 116/2003, de 11 de abril de 2003.
Ficha de inventário – Compac

Importância: O bem se destaca por apresentar valor nas seguintes Instâncias:
1 – Instância Cultural: Enquanto referência histórica; pelo valor de antiguidade; pelo valor tradicional para a comunidade e pelo valor de referência coletiva;
2 – Instância Morfológica: Valor arquitetônico: pela qualidade formal, Valor pela referência historiográfica; Valor pela raridade formal; Valor como elemento referencial na paisagem urbana;
3 – Instância Funcional: Compatibilização com a estrutura urbana e pela permanência dos usos originais nas estruturas existentes.
4 – Instância Técnica: Valor pelo risco de desaparecimento e Valor pelo bom estado de conservação;
5 – Instância Paisagística: Valor pela compatibilização com a paisagem urbana; Valor pelo conjunto de unidades – estruturação do cenário da quadra e Valor como elemento referencial.
6 – Instância Legal: legislação de preservação em nível municipal (Lei de Tombamento e Zoneamento em Plano Diretor).
Fonte: Ficha de inventário – Compac.

Descrição: Os primeiros proprietários da edificação foram Jacob e Elisabetha Soine, que solicitaram sua construção no ano de 1914.
Posteriormente pertenceu ao casal Albino e Olga Soine, que tiveram 5 filhos, ambos eram agricultores e participavam da Comunidade Evangélica Luterana.
As terceiras proprietárias da edificação foram as irmãs Herta e Wally Soine, que eram irmãs e solteiras, eram industriárias mas também desempenharam a função de costureiras, ao lado da sala de jantar da casa há um quarto que serviu como espaço de trabalhos para as costuras, há também um acesso da rua para este cômodo, facilitando o atendimento para este fim. As irmãs residiram na edificação até falecerem, Herta faleceu no ano de 2015 e Wally anteriormente, em 2011.
Atualmente a edificação pertence à Elisa, Beatriz, Cristina e Heloisa, que herdaram a edificação para cuidarem das tias.
Ao longo da trajetória histórica, a casa passou de geração em geração por herança, observa-se o cuidado que cada familiar teve com a mesma, pois conservaram os elementos construtivos originais, também há diversos mobiliários como baú, cristaleira, roupeiros e mesa nos diferentes cômodos da edificação, além de outros mobiliários que foram adquiridos pela terceira geração da família na década de 1940. Há também na sala de estar imagens históricas dos familiares que residiram na edificação e outros parentes próximos. O relato das atuais proprietárias reflete no zelo que possuem com o imóvel, pois afirmam que até então a casa foi bem cuidada por seus antepassados e desta forma continuarão a preservar este
patrimônio cultural.
Lateralmente há uma rua que foi aberta há cerca de cinco anos atrás, e ao lado esquerdo do imóvel existe um terreno que também pertence às atuais proprietárias onde elas cultivam um jardim com diferentes espécies.
A Casa Soine foi um dos objetos de pesquisa de Jean Roche, no seu livro “A colonização alemã e o Rio Grande do Sul”, ele afirma que a casa teria sido edificada no ano de 1916 e a apresenta no seu estudo por ser um modelo de casa de tijolos, com telhado simétrico, e por ser construída no período entre 1915 e 1935-1940 poderia chamar tipo “benefício de guerra”, copiada de Novo Hamburgo. Afirma também que por ser um período em que os colonos tiveram mais prosperidade, os recursos técnicos eram maiores (ROCHE, 1969, p.204).
Em se tratando da evolução da agricultura nas colônias alemãs, Roche realizou um estudo nesta propriedade também, durante o período de 1949-1952, principalmente no aspecto do sistema de rotação de terras. Isto confirma o relato das atuais proprietárias em que as duas primeiras gerações da família eram de agricultores, e o lote original se estendia em vários hectares.
Fonte: Ficha de inventário – Compac.

Histórico do município: Município integrante do Vale do Rio Feitoria, afluente do Rio Caí, sua história está ligada à colonização alemã no Estado, parte da antiga Colônia de São Leopoldo, instalada em 1824. Dois Irmãos recebeu os primeiros colonos a partir de 1825, entre eles Pedro Baum e família, lavrador e sapateiro, do Hunsrück.
A leva mais significativa de colonos imigrantes que ocuparam parte dos 249 lotes da “Linha Grande de Dois Irmãos”, foi a dos ex-náufragos do navio Cecília. O veleiro partiu do porto de Hamburgo em 1827 e surpreendido por uma tempestade no Canal da Mancha. Parcialmente destroçado, o navio com seus passageiros foi abandonado por seu capitão e pela marinhagem, ficando sem rumo até ser encontrado por um barco inglês que o conduziu para Plymouth, na Inglaterra. Aí permaneceram por cerca de dois anos, aguardando a definição de seus destinos. Aportaram no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1829, dia de São Miguel. Conta a tradição que em homenagem ao Arcanjo estabeleceram essa data como seu marco fundante. Até hoje ela é comemorada no “Michelskerb”, Kerb de São Miguel.
Em 1832 os colonos católicos inauguraram a capela em honra a São Miguel. O lugar onde foi erguido o templo é, provavelmente, o mesmo onde a partir de 1869 foi construído o outro, com traços góticos, concluído em 1880, que hoje se encontra a Antiga Igreja Matriz de São Miguel, tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado.
Fonte: Prefeitura Municipal.

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