Belo Vale – Fazenda da Boa Esperança: Casa


Imagem: IEPHA

A Fazenda da Boa Esperança é uma construção de fins do séc. XVIII, típica das habitações rurais desse período, localizada em uma propriedade com cerca de 300 ha.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Nome atribuído: Fazenda da Boa Esperança: casa
Localização: Belo Vale-MG
Número do Processo: 569-T-
Livro do Tombo Belas Artes: Inscr. nº , de 27/08/1959
Descrição: A Fazenda da Boa Esperança, situada no Município de Belo Vale, antigo distrito de São Gonçalo da Ponte, é uma construção de fins do século XVIII ou princípios do XIX. Trata-se de uma propriedade com cerca de 300 hectares, sendo a edificação sede típica das habitações rurais do século XVIII. Possuía originalmente, além do pomar e jardins, moinho, fonte e água encanada, que chegava à residência através de “alcatruzes” (manilhas) de pedra-sabão, os quais se perderam com o tempo.
É uma construção de taipa e madeira, sobre alicerces de pedra. A fachada apresenta uma extensa varanda em arcos abertos, apoiados sobre oito colunas de madeira e capela anexa à direita. O acesso à varanda é feito por escada de cantaria. Na fachada lateral galeria com vedação de treliça de apurada plasticidade, demonstrativa da criatividade das soluções de nossa arquitetura doméstica. A capela que se abre para a varanda possui um belo altar com trabalhos de talha e rico retábulo com nicho central, enquadrado por pilastras em forma de consolos esculpidos, arrematadas por capitéis coríntios. Sobre o altar destaca-se o sacrário. Toda a composição, rica em talha e douramento, tem sua ornamentação complementada por quadros, correspondentes ao final do rococó mineiro, atribuída à Manuel da Costa Ataíde.
Adquirida pelo governo estadual, passou por obras de restauração empreendidas pelo IEPHA/MG, em 1979, as quais incluíam a restauração da capela.
Fonte: Iphan.

IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico
Nome atribuído: Fazenda da Boa Esperança
Localização: Belo Vale-MG
Resolução de Tombamento: Decreto Nº 17.009, de 27/02/1975
Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico
Livro do Tombo de Belas Artes
Descrição: Construída no final do século XVIII, a fazenda pertenceu ao 1° Barão de Paraopeba, Romualdo José Monteiro de Barros, proprietário de lavras de ouro e de fundição de ferro, que exerceu importantes cargos políticos na província. Ali se hospedaram personalidades ilustres, como o Imperador D. Pedro II.
As edificações da fazenda, casa sede, paiol, anexos e vestígios arqueológicos, representam aspectos autênticos das construções rurais dos séculos XVIII e XIX, como o sistema construtivo em estrutura autônoma de madeira com vedações em pau-a-pique e forros em esteiras de taquara. A capela na varanda possui pinturas atribuídas a João Nepomuceno, discípulo de Mestre Ataíde, que representam cenas dos evangelhos, e retábulo com apurados trabalhos de talha.
Foi tombada pelo IPHAN em 1959. Em 1970, o governo estadual adquiriu a fazenda de 318 hectares, que passou a integrar o patrimônio do Iepha-MG.
Fonte: Iepha.

Descrição: Um dos primeiros arraiais de Minas Gerais, fundado por bandeirantes, em 1681, Belo Vale foi povoado graças à descoberta de ouro nas Roças de Matias Cardoso (atual Roças Novas), em 1700. Em 1735, graças à descoberta de ouro na Serra do Mascate, no dia 26 de julho ergueu-se uma igreja em homenagem a Sant’ana, quando o arraial passou a se chamar Santana do Paraopeba.
Entre os anos de 1760 a 1780 foi construída a Fazenda Boa Esperança, residência do Barão do Paraopeba, proprietário das terras na localidade. Na fazenda, detinha em torno de 1.000 escravos que trabalhavam na mineração de ouro na Serra do Mascate. Em torno de 1760, a aridez das terras de Santana do Paraopeba fez com que os fazendeiros procurassem lugares melhores para a lavoura e a pastagem. Adentraram pelo Rio Paraopeba e deram início, num vale, um povoado chamado de São Gonçalo, erguendo uma igreja em homenagem ao santo em 1764.
Com a construção de uma pequena ponte de madeira, mudou-se o nome do povoado para São Gonçalo da Ponte. Em 1839 este é elevado a distrito. Em 1914 começaram as obras do ramal do Paraopeba da Estrada de Ferro Central do Brasil. Também em 1914 o nome do distrito é alterado passando a se chamar Belo Vale. Inaugurada em 1917 a estação ferroviária, o arraial começa a se desenvolver. No ano de 1926 é construída a ponte Melo Viana, obra majestosa para época, toda feita de cimento (na época o cimento era importado da Europa).
Em 1938 o então interventor de Minas Gerais Benedito Valadares institui o município de Belo Vale se emancipando de Bonfim. Também passaram a incorporar o município de Belo Vale os distritos de Santana do Paraopeba, Moeda e Coco. Em 1953, os distritos de Moeda e Coco se emanciparam de Belo Vale com a criação do município de Moeda. No mesmo ano foi criada a Comarca em Belo Vale. Depois de pertencer à comarca de Congonhas, há poucos anos foi refeita a comarca de Belo Vale, que abrange os municípios de Belo Vale e Moeda.

[…]
A Fazenda da Boa Esperança, situada na zona rural do município de Belo Vale, a 87 quilômetros de Belo Horizonte, foi presumivelmente construída no último quartel do século XVIII. Pertenceu à família Monteiro de Barros de nobre estirpe, passou ao coronel José Romualdo Monteiro de Barros, Barão de Paraopeba. Senhor de grandes propriedades de terras e de ricas lavras, o Barão tornou-se figura de projeção no cenário político do Império, tendo sido membro da Junta Governativa da Independência do Brasil em 1822 e por duas vezes Presidente da Província de Minas Gerais na década de 1830.
A Fazenda da Boa Esperança tornou-se um dos principais estabelecimentos rurais da região, servindo de hospedagem a personalidades ilustres do Império em passagem por Minas Gerais, incluindo o próprio imperador D. Pedro II, recebido diversas vezes pelo Barão por ocasião de suas visitas à província. Nessa época, sob a administração do Barão de Paraopeba, a fazenda teria em suas senzalas mais de oitocentos escravos. Após a morte do Barão, a fazenda passou às mãos de seus herdeiros por sucessivas gerações. No ano de 1970, foi adquirida pelo Governo do Estado de Minas Gerais e incorporada ao patrimônio do IEPHA/MG, por determinação da Lei nº 6.485, de 25 de novembro de 1974.
Fonte: Prefeitura Municipal.

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