Betim – Caixa d’ Água


Imagem: Dossiê de Tombamento

A Caixa d’ Água é símbolo da modernização do sistema de abastecimento de água. Em 1962, é inaugurado um sistema baseado em reservatórios, caixas-depósitos d’água e encanamento.

Prefeitura Municipal de Betim-MG
Nome atribuído: Caixa d’ Água
Localização: Av. Gov. Valadares, esquina com R. Aqueber Saliba – Centro – Betim-MG
Decreto de Tombamento: Homologação: 17/05/2004 publicada no “Minas Gerais – Diário do Executivo, Legislativo e publicações de terceiros”: 09/06/2004
Dossiê de Tombamento

Descrição: A Caixa D’água localiza-se num terreno de esquina com frente para as avenidas Governador Valadares e Nossa Senhora do Carmo e entre estas a rua Antônio Rafael que é continuação da Aqueber Saliba. Quanto ao uso a região abriga muitas residências e serviços, como clínicas médicas e odontológicas, além de um comércio formado basicamente por bares e restaurantes. Adjacente ao terreno está a Praça Milton Campos e em sua porção sul encontra-se a Casa da Cultura Josephina Bento, dois importantes pontos culturais e de encontro de Betim. Localizada no centro da cidade numa de suas principais avenidas e vizinha a BR 381/262, a Caixa D’água é de fácil acesso.
O reservatório todo em concreto armado tem formato de torre. O tanque possui aproximadamente 3 metros de altura e 7 de diâmetro, está suspenso por pilares e vigas a uma altura de mais ou menos 9 metros. Esta base forma um desenho octogonal. O tanque possui um furo no centro, com uma escada de marinheiro, que leva ao topo deste, para manutenção. O terreno de aproximadamente 1.630 m² com formato retangular possui um leve declive, nele está localizado uma outra torre de capacidade e altura menor que a anterior construída posteriormente. Além desta existe uma pequena edificação construída toda em concreto armado, que abrigava provavelmente a bomba que levava água para o reservatório, que depois a distribuía para as casas através da gravidade. Está todo cercado um muro chapiscado e o acesso é feito por um portão localizado na rua Antônio Rafael. Retirando os reservatórios, a edificação e um pequeno pátio cimentado todo o terreno é área permeável com pouca arborização.

Histórico: A construção da caixa d’água, exposta neste dossiê de tombamento, ocorreu em função de um considerável crescimento da região urbana betinense, registrada a partir dos anos 1960. Uma parte considerável dessa evolução urbana se deve, sobremaneira, ao fator “migração”, que neste caso e período específicos, ocorreu de duas formas: migração da população da zona rural para a urbana; migração de uma população não natural, ou seja, exógena à cidade. É necessário salientar que essa movimentação populacional foi instigada pela construção da Rodovia Fernão Dias, inaugurada, em Minas Gerais, em 1959. Dessa forma, tem-se a Fernão Dias como um dos principais fatores geradores da “urbanidade” betinense, induzindo a administração pública local a ações de adequação àquela nova
realidade.
A Rodovia Fernão Dias, construída no governo do então presidente Juscelino
[…]
Este movimento migratório é o segundo que ocorreu no município; antes, por volta de 1910, a cidade desenvolveu um novo desenho urbano em função da passagem da linha férrea, que se instalou a aproximadamente uns setecentos metros da parte posterior da Praça Milton Campos – até então tida como região central. É comum no meio popular a afirmativa de que “a cidade cresceu para trás, nas costas da Igreja [antiga Matriz onde hoje está a Praça Milton Campos]”. O que se nota, dessa forma, é uma formação urbana que desloca o eixo central da cidade para a confluência das avenidas Governador Valadares e Amazonas, em detrimento ao “antigo” centro, na Praça. Este momento histórico, que envolve o período de 1910, trouxe uma inédita dinâmica sócio-urbana para o município, mas não causou uma inversão de polaridades, sendo que a população do campo se mantém superior à urbana; nem tão pouco, proporcionalmente, implicou em qualquer tipo de crescimento gradual desta última. Todavia, a passagem da Rodovia Fernão Dias, por sua vez, é que provocou efetivamente tal crescimento, que ocorreu de forma lenta e gradual.
[…] A partir da década de 1960, Betim inicia uma nova configuração urbana e social, que definirá sua condição populacional como majoritariamente urbana. Neste sentido, o início dessa configuração se deu na região central, com uma migração considerável da população do campo para a cidade. Foi necessário, portanto, a criação de condições adequadas para os novos “habitantes” do centro. Coube ao poder público municipal tal incumbência, ou seja, essa criação consistiu na implantação de uma infra-estrutura básica para que a região central comportasse seus moradores. É necessário ressaltar que este tipo de migração foi deflagrado em toda Minas Gerais, o que fez com que o governo mineiro investisse em obras de infraestrutura para a crescente indústria do estado e também da população que tendia migrar para as áreas de indústria. Uma das maiores ações do governo nesta questão foi a criação da CEMIG, para o fornecimento de energia elétrica em larga escala para indústrias e cidades, ou seja, o amparo à produção e ao mesmo tempo à sociedade urbana. Em Betim, por exemplo, uma central distribuidora de energia foi implantada em 1956, próxima à Praça Milton Campos (centro histórico), às margens da Rodovia Fernão Dias. Este fato foi sintomático, pois três anos mais tarde, já estava prevista a inauguração da Rodovia e com ela o crescimento urbano. No início da década de 1960, a Prefeitura municipal instalou o primeiro reservatório de água para o abastecimento domiciliar; este pode ser considerado um fator do crescimento efetivo que teve o município em sua parte central. Foi uma medida considerada eficiente para o momento, porém, o fato é que nas décadas seguintes a população aumentou a proporções alarmantes, obrigando a criação de um órgão estatal, a COPASA na década de 1970, para gerenciar a questão do abastecimento d’água, transferindo, dessa maneira, esta responsabilidade do município para o estado. Este procedimento se aplicou a Betim que teve nesta década tal responsabilidade transferida para a COPASA.
O contexto histórico no qual esteve inserido a construção da primeira caixa d’água de Betim foi o de um intenso movimento de industrialização pelo qual passou a região metropolitana de Belo Horizonte, que tem como outro exemplo próximo a cidade industrial de Contagem, construída a partir dos anos 19408 . Neste mesmo contexto, pôde ser notado uma intensa ação pública (estatal ou municipal) no sentido de “modernizar” as condições de vida da sociedade urbana. Dessa forma, o termo “moderno”, estava associado ao termo “indústria”, que estava associado ao termo “urbanização”. Neste sentido, só havia modernidade onde havia indústria, só havia urbanização onde havia indústria e, portanto, uma sociedade para ser considerada “moderna” – no referido contexto histórico – deveria ser urbana e embasada economicamente na atividade industrial. Uma sociedade para se tornar, na prática, moderna, deveria ter consigo elementos que a tirassem do “atraso” e o tema proposto neste dossiê de tombamento, o abastecimento domiciliar de água, é um desses elementos. Portanto, a sociedade “urbana” de Betim da década de 1960, teve, dentre outros, a Caixa D’Água como mais um símbolo que lhe conferia pecha de “moderna”.

Fonte: Dossiê de Tombamento.

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Funarbe
Prefeitura Municipal


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