Cachoeira de Minas – E. E. Cônego José Eugênio de Faria
A E. E. Cônego José Eugênio de Faria foi tombada pela Prefeitura Municipal de Cachoeira de Minas-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Cachoeira Dourada-MG
Nome atribuído: Bem Cultural situado à Praça Governador Valadares, 14
Outros Nomes: Escola Estadual Cônego José Eugênio de Faria
Localização: Praça Gov. Valadares, n° 14 – Cachoeira de Minas-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 2249/2007
Dossiê de Tombamento
Histórico: A história da Escola Estadual Cônego José Eugênio de Faria inicia-se em 1918, quando Cachoeira de Minas não era emancipada, sendo ainda o Distrito de São João Batista das Cachoeiras. Deu-se início as suas atividades educacionais através da construção do primeiro prédio escolar por conta do Estado, ganhando o nome de “Senador Bueno de Paiva”. Nesta época, juntamente com o crescimento educacional, crescia progressivamente o comércio, principalmente devido à construção da Estrada de Ferro Rede Sul Mineira. O Distrito tinha uma posição privilegiada, ganhando importância na região.
Emancipou-se do Município de Pouso Alegre em outubro de 1923, passando a chamar-se Vila Cachoeiras.
O prédio que abriga até os dias de hoje a escola foi construído pela Câmara Municipal de Paraisópolis, não havendo registros do autor do projeto. O terreno foi adquirido por compra feita pela mesma Câmara.
Eram pertences do Grupo Escolar “Senador Bueno de Paiva” nesta localidade, segundo informações obtidas em escrituras, os seguintes objetos: um sino pequeno, um relógio de parede, uma mesa grande envernizada com duas gavetas, quatro mesas envernizadas com gavetas, quatro armários com vidraças, um armário grande com vidraça, doze cadeiras de madeira tecidas com palhinha, meia mobília de sala de madeira, cem carteiras, duas talhas, quatro suportes para talha, uma bandeira nacional e seis tímpanos.
No dia 21 de maio de 1919, começou a funcionar o Grupo Escolar Senador Bueno de Paiva, sob a direção da Professora Julieta Dias Menezes, mais conhecida como Juju. Dois meses depois, em 19 de julho, o Professor José Maria Leão tomou posse como Diretor, na presença do Major Tertuliano da Fonseca Machado, Presidente da Comarca Municipal de Paraisópolis, representando o Senador Francisco Álvaro Bueno de Paiva, Patrono do Grupo Escolar. As primeiras professoras a lecionarem neste local foram: Julieta Dias Menezes, Maria Joana Contes, Adelina Pimentel Machado, Juvência de Oliveira, Maria Menezes Barbosa, Marieta Campos e Rosalina Santos. Havia também um inspetor escolar, o Sr. Orlando José de Oliveira. Em 07 de setembro do mesmo ano circula o primeiro número de jornal semanal “Sete de Setembro”, de Antônio Caetano da Silva, impresso nesta escola. Desta forma, deu-se início à imprensa local. A Escola Estadual Cônego José Eugênio de Faria pertence ao histórico do ensino médio em Cachoeira de Minas.
No dia 23 de abril de 1976, deu-se a extensão de 5ª a 8ª séries no Grupo Escolar Senador Bueno de Paiva. O ensino então passou a ser somente a nível de 2º Grau e a escola deixou de ser municipal. Em agosto de 1977, foi doado pelo Patrimônio do Município de Cachoeira de Minas, ato realizado pelo então Prefeito Municipal o Sr. José Dionísio de Faria, o terreno medindo 5.000 m2 (cinco mil metros quadrados), com área construída de 602 m2 (seiscentos e dois metros quadrados). O prédio escolar, já em funcionamento desde sua construção em 1919, foi então doado ao estado, para o cumprimento do compromisso assumido com a Secretaria de Estado da Educação, ao assumir o convênio de extensão de séries do Grupo Escolar “Senador Bueno de Paiva” de 1º Grau. Este prédio foi construído com recursos do MEC e FPM, autorizado pelo Tribunal de Contas da União.
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Havia uma pequena edificação independente que abrigava uma sala de aula, um depósito e almoxarifado e uma cozinha. Em um outro módulo funcionavam os sanitários. Ambos foram demolidos e os materiais provenientes, tais como tijolos, esquadrias, metais, madeiras e telhas, foram reaproveitados.
O telhado da circulação do prédio antigo foi recomposto, dando continuidade na forma existente. Neste anexo foram instalados novos banheiros, um refeitório coberto com bebedouros de alvenaria e uma nova cozinha, mais ampla, além de despensa e área de serviço. Em outubro de 2000, houve um novo estudo para adaptação do prédio escolar ao trânsito e utilização por portadores de necessidades especiais.
Foram construídas pequenas rampas de passagem com piso cimentado grosso visando impedir ou dificultar acidentes. Uma rampa de médio porte foi construída, permitindo o acesso pelo usuário deficiente às diversas instalações da escola, tais como banheiro, refeitório, auditório, laboratório de línguas e pátio. Para esta rampa foi necessário um fechamento lateral com mureta de alvenaria. Nos banheiros foram removidos dois boxes permitindo a abertura de um box mais espaçoso para uso preferencial de deficiente físico.
Atualmente, uma sala foi reservada e toda reformada para abrigar computadores, transformando-se em um telecentro, onde alunos da escola ou pessoas da comunidade têm aulas de informática e acesso à Internet . Vale ressaltar que todos os projetos de reformas foram de responsabilidade da arquiteta Wânia M. Modesto Murad, Fiscal Geral da Prefeitura Municipal de Cachoeira de Minas.
Fonte: Dossiê de Tombamento.
Descrição: Na segunda metade do século XIX e início do XX, a arquitetura brasileira passou por inúmeras transformações que faziam parte das modificações sócio-econômicas e tecnológicas ocorridas na vida do país. Nestas condições, as novas formas de habitar e construir não devem ser consideradas apenas como conseqüências das mudanças vividas pela sociedade, mas percebidas como parcelas importantes desta renovação. Este período foi marcado pelo fim do trabalho escravo e pelo início da imigração, da instalação de ferrovias e indústrias. Os agentes sociais dessas transformações, membros das camadas sociais urbanas em ascensão, atuariam sob a influência do positivismo e do ecletismo arquitetônico.
Estas camadas construiriam e utilizariam uma arquitetura mais atualizada e tecnicamente mais elaborada, sem o auxílio do trabalho escravo.
A Escola Estadual Cônego José Eugênio de Faria está implantada na Praça Governador Valadares, número 14. A praça é mais árida, mas possui jardineiras, fonte e iluminação especial. O piso é de bloquete de cimento e possui detalhes na paginação feitos em ladrilho hidráulico nas cores vermelho, amarelo, verde e branco.
O bloco da edificação mais antiga pertence ao Estilo Eclético e possui características da tradicional casa de porão alto, representando a transição entre os velhos sobrados e as casas térreas. Sob a inspiração do ecletismo e com o apoio dos hábitos das massas emigradas, surgem as primeiras edificações urbanas com nova implantação, rompendo com as tradições e exigindo modificações nos tipos de lotes e construções. Após reforma, foi construído outro bloco que não segue nenhum estilo específico. A Escola Estadual está implantada em um terreno plano, localizado em uma esquina. A área é cercada por muretas construídas em tijolos e rebocadas, possuindo pequenos pilares em intervalos de aproximadamente três metros. Entre eles, o espaço foi preenchido com balaústres e corrimão de argamassa encimando a composição. Há recuos apenas laterais, pois o bloco na porção posterior foi implantado no alinhamento da divisa. Nestes recuos, na lateral direita, existe um pátio plano cimentado para dispersão dos alunos. Já na lateral esquerda, há outro pátio cimentado com duas traves, destinado a um campo de futebol. Esta é uma das primeiras modificações verificadas nas soluções de implantação, libertando as construções em relação aos limites dos lotes. O esquema baseava-se no recuo do edifício em relação ao alinhamento da via pública.
A edificação possui um pavimento com porão no bloco mais antigo e dois pavimentos no mais atual. Na parte mais antiga, o prédio possui a arquitetura que aproveita o esquema da casa de porão alto, conservando uma altura discreta da rua. Os porões foram fechados e não são utilizados, pois novas salas foram construídas em outro bloco. As salas possuem pé-direito duplo, que ajudam no conforto térmico. O acesso principal é feito pela Praça Governador Valadares, através de dois portões metálicos.
Eles são iguais, possuindo duas folhas de abrir, trabalhadas com desenhos vazados com detalhes decorativos geométricos e simétricos. A esquadria metálica está pintada na cor amarela. O portão da lateral esquerda leva a uma escada reta de onze degraus cimentados. O portão da lateral direita leva a uma rampa reta cimentada construída para acesso de deficientes físicos. Ambos os acessos levam a uma varanda que percorre as laterais da edificação, funcionando como corredor externo. A circulação entre os dois blocos é feita através de duas escadarias com dois lances retos, revestida com ardósia.
O bloco mais antigo da escola possui quatro salas de aula, uma sala destinada à biblioteca, uma à diretoria e outra para secretaria, sendo as duas últimas interligadas. O porão não é utilizado. Já o bloco mais novo possui dois salões, dois conjuntos de instalação sanitária, um refeitório com bebedouro em alvenaria em toda extensão de uma das paredes, uma cozinha com despensa e área de serviço, todos estes ambientes no pavimento térreo. No superior, há cinco salas de aula, uma sala de professores, um arquivo e duas instalações sanitárias. O pé-direito neste edifício segue a padronização convencional, não ultrapassando os três metros de altura. Todas as portas abrem-se para um corredor coberto.
Os pilares da edificação antiga são de alvenaria e as paredes em tijolos de barro, geralmente feitos no próprio local e assentados com argamassa feita à base de barro. As paredes são pintadas na cor bege claro, apresentando relevos em argamassa pintados na cor branca. Eles surgem principalmente fazendo a marcação das arestas do edifício. Na fachada frontal, abaixo do peitoril das janelas, há relevos no formato de retângulos e uma cimalha que se estende por toda a fachada. Os respiros foram vedados com alvenaria, apresentando-se apenas como baixos relevos. Os relevos também estão presentes contornando a alvenaria da mureta que delimita o terreno. Voltando à fachada frontal, ela apresenta uma platibanda delimitada por relevos e quatro frisos verticais terminados em pináculos feitos com massa. A base da alvenaria de toda a edificação, bem como a extremidade superior da mureta de proteção da escada e da rampa nas fachadas laterais é pintada na cor marrom, destacando-se no conjunto.
Internamente, as paredes são pintadas na cor branca, com rodapé feito em massa pintado na cor cinza, além de um barrado medindo aproximadamente um metro pintado na cor cinza. As paredes das instalações sanitárias são revestidas com cerâmica branca, assim como as da cozinha, da despensa e da área de serviço. Os pilares e as vigas da edificação mais recente são feitos em concreto armado e as paredes em tijolos requeimados comuns, assentados com argamassa de areia, cal e cimento.
Externamente, elas estão pintadas na mesma cor usada no outro bloco, mas as fachadas não apresentam nenhum elemento decorativo. Internamente, recebem pintura na cor branca. Nas instalações sanitárias, nas faces do bebedouro e na parede do refeitório (até altura de um metro e meio), o revestimento também é de cerâmica branca.
As janelas da fachada frontal e as que estão fora da varanda são de madeira pintada na cor marrom, são de peitoril e possuem moldura em argamassa branca. Internamente, possuem duas folhas cegas com quatro almofadas cada, no sistema de abrir, e duas apresentando vidro transparente, externamente.
Possuem bandeiras fixas, em madeira e vidro transparente, e apresentam verga reta. Elas apresentam as vergas retilíneas arrematadas por uma cimalha saliente e por um pequeno frontão. Duas janelas na fachada frontal e duas da lateral direita possuem ainda grades metálicas para a proteção do Telecentro.
As demais janelas possuem as folhas internas como as outras, mas externamente são no sistema guilhotina, também em madeira e vidro transparente. Há respiros protegidos por grades metálicas pintadas na cor marrom. Eles aparecem nas fachadas laterais. No bloco posterior, mais recente, as janelas possuem esquadria em ferro pintada na cor marrom e vedação em vidro fantasia transparente.
São de peitoril, do tipo basculante, sem bandeiras ou molduras. As janelas das duas salas de aula na porção lateral esquerda da edificação, no pavimento térreo, estão protegidas por grades metálicas. Elas foram instaladas como proteção para os vidros contra bolas decorrentes do futebol na quadra logo abaixo. As portas são de madeira pintada na cor marrom, são de abrir com verga reta. No prédio antigo, as portas possuem duas folhas e elas apresentam três bandeiras em cada uma delas. Possuem bandeira fixa em madeira pintada na cor marrom e vedação em vidro transparente, além de molduras em argamassa branca pintada na cor branca. As demais portas do prédio mais recente, são de madeira pintadas como as outras, possuem verga reta, são no sistema de abrir e cada porta possui apenas uma folha cega, lisa, do tipo prancheta.
O piso da edificação é bem variado. Nas salas pertencentes ao bloco mais antigo, o piso é assoalhado.
Esta é uma característica que surgiu por volta dos últimos anos do século XIX e início do XX. O emprego de madeiras serradas, apresentando junções mais perfeitas, difundiu o uso de assoalhos encerados em substituição aos antigos, de tábuas largas e imperfeitas, que eram lavadas semanalmente. O piso da varanda é de lajota vermelha. Nas instalações sanitárias, o piso é de ardósia, assim como o da cozinha e o do refeitório. As circulações para o prédio novo, assim como o piso das salas de aula, também são em ardósia. Os pátios externos, a rampa de acesso e a escadaria da entrada são apenas cimentados.
O forro dos cômodos no prédio antigo é de tabuado de madeira envernizado. As varandas que circundam a edificação e a circulação vertical entre os dois blocos não possuem forro. Os demais cômodos possuem laje de forro do tipo pré-fabricada.
A estrutura do telhado é de madeira e possui caimento em quatro águas no bloco antigo, além das águas da varanda. A cobertura é feita por telha cerâmica do tipo francesa, permitindo uma inclinação maior. O telhado possui beirais pequenos nas fachadas laterais, arrematados na parte inferior com argamassa, formando uma cimalha. Na fachada frontal, ele é ocultado pela platibanda. No bloco novo, a estrutura do telhado também é em madeira e possui caimento em quatro águas, com cobertura em telha cerâmica do tipo francesa. O beiral percorre toda a extensão do telhado e possui arremate em argamassa, finalizado por calhas galvanizadas.
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A Escola Estadual Senador Cônego José Eugênio de Faria é um típico exemplar arquitetônico eclético.
Esta arquitetura correspondeu a um aperfeiçoamento técnico dos edifícios, contando comum esforço da sociedade para a incorporação dos benefícios industriais. No plano formal, o Ecletismo foi a solução utilizada para imitar com perfeição, te nos detalhes, os estilos de todas as épocas valorizados pela cultura européia.
Fonte: Dossiê de Tombamento.
FOTOS:
- Imagem: Dossiê de Tombamento
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