Caeté – Cavalhada de Nossa Senhora de Nazareth
A Cavalhada de Nossa Senhora de Nazareth foi registrada pela Prefeitura Municipal de Caeté-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Caeté-MG
Nome atribuído: Cavalhada de Nossa Senhora de Nazareth (Celebrações)
Localização: Praça da Matriz, s/n – Morro Vermelho – Caeté-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 161/2009
Livro de Registro das Celebrações
Descrição: As festas religiosas marcam a história de recantos e lugarejos de Minas Gerais. Um exemplo é Morro Vermelho, povoado de Caeté, Região Metropolitana de Belo Horizonte, que comemora […] [em 2016] os 312 anos da Festa da Cavalhada de Nossa Senhora de Nazareth, padroeira do lugar.
As festividades contam com apoio do Fundo Estadual de Cultura (FEC) e têm programação intensa nos dias 6, 7 e 8 de setembro. As celebrações movimentam o povoado de cerca de mil habitantes, e são esperados aproximadamente dez mil visitantes.
O ápice da festa vai ser no feriado de 7 de setembro, com a realização da cavalhada. Às quatro horas da manhã, os moradores e visitantes serão acordados pela banda de música local, fogos de artifícios e repiques de sinos.
Na sequência acontece o desfile dos mascarados, personagens que têm presença marcante na cavalhada do Morro Vermelho e atraem, principalmente, as crianças. O grupo é composto de homens e mulheres que vestem roupas estranhas e máscaras assustadoras.
De acordo com a tradição, a função dos mascarados é expulsar os males das casas e das ruas do povoado. O desfile deles será acompanhado de pessoas batendo caixas e tocando sanfonas.
Característica secular: Despois desses rituais e da novena, vem a cavalhada, prevista para às oito e meia da noite. O costume preserva características das festividades do início do Século XVIII. Os 12 cavaleiros cristãos e os 12 mouros conduzem a bandeira de Nossa Senhora de Nazareth até à Praça da Matriz, onde são recebidos com música, repiques de sinos e fogos de artifícios.
Adriana Leal, uma das organizadoras, explica que na cavalhada os fogos de artifício deixam de ser um show pirotécnico, assumindo valores simbólicos. “Os fogueteiros conversam entre si por meio dos fogos, estabelecendo uma linguagem que marca a evolução dos cavaleiros”, ressalta.
Cor e brilho: As vestes dos cavaleiros e os enfeites dos cavalos também dão colorido à festa. Os mouros vestem camisa azul de manga longa, calça azul marinho com listas laterais brancas, capacete azul com cauda da mesma cor, gravata e botas pretas. Já os cavaleiros cristãos usam camisa branca de manga comprida, calça preta com listas laterais brancas, capacete branco com cauda comprida da mesma cor, gravata e botas pretas.
As vestimentas dos embaixadores são mais pomposas. O mouro usa capa azul e coroa brilhante da mesma cor. O cristão veste capa branca e coroa branca brilhante. Os cavalos também trazem enfeites nas celas, guizos e fitas coloridas no peitoral e adornos de rosas nos freios.
Apesar de enfocar a luta entre mouros e cristãos, a cavalhada em Morro Vermelho representa o final da guerra, culminando com a vitória dos cristãos, a conversão dos mouros ao cristianismo e o pacto de aliança.
O embaixador mouro saúda a bandeira, recebida do embaixador cristão. Em seguida a bandeira é colocada no mastro, que é erguido pelos fiéis da comunidade e romeiros. Para selar a paz, cristãos e mouros entrelaçam fitas no mastro, amarrando o compromisso de fé aos pés da padroeira.
Para finalizar, os cavaleiros fazem uma série de evoluções, encenam um oito (entrelaçando-se como sinal de união), uma meia lua (símbolo de amizade crescente) e assistem à queima de fogos (que significa a queima de deuses pagãos). Em seguida, eles se despedem dos espectadores acenando lenços brancos.
Costume de gerações: A Festa da Cavalhada de Nossa Senhora de Nazareth em Morro Vermelho é comemorada, ininterruptamente, há mais de 300 anos. A tradição, que começou em Portugal no Século XVII e se espalhou pelo Brasil, chegou ao povoado em 1704, pouco antes da Guerra dos Emboabas. Desde então vem sendo transmitida de pai para filho.
O empresário Jeferson Evangelista Gonçalves tem 60 anos e há 46 participa da cavalhada de Morro Vermelho. Todo ano ele marca presença na festividade, mesmo vivendo longe do povoado onde nasceu.
Jeferson mora em Açailândia, no Maranhão, há 17 anos. O empresário e a família já estão em Morro Vermelho para a cavalhada deste ano.
“Faço questão de estar sempre presente. Não é nenhum esforço vir de longe participar dessa festa religiosa”, diz animado, o empresário. Feliz por rever os parentes e ajudar a manter a tradição, Jeferson conta que o avô, no passado, também participava da cavalhada. O empresário vai desfilar como cavaleiro cristão.
No dia da cavalhada, Walisson dos Santos deixa de ser vigia para se tornar um dos cavaleiros da batalha final contra os mouros. Ele participa da festa desde a adolescência e mantém o mesmo entusiasmo. “Eu não via a hora de chegar o dia da cavalhada para mostrar a minha fé e a vontade de estar ali. Essa alegria não mudou”, lembra.
Fonte: Governo do Estado.
Histórico do Município: Os meados e fins do século XVII caracterizaram-se em Minas Gerais, pela penetração de grupos formados por intérpdidos aventureiros, vindos do litoral, em procura de fortuna, na exploração de ouro, prata e pedras preciosas.
Em Caeté, a primeira das “entradas” pode ser atribuída ao sertanista Lourenço Castanho Tanques (capitão-mor da expedição), visto datar de 23-III-1664 uma carta régia que o louva “pelos serviços prestados como um dos descobridores de Minas dos Cataguazes e dos Sertões do Caeté, fato que ocorreu, portanto, pelo menos no começo do ano anterior, ou mais provavelmente, em 1662, atenta a morosidade das comunicações naquele e o acurado exame das cousas que precediam de ordinário as deliberações régias quando estas importavam em honra ou mercê para os vassalos”.
Depois, as explorações de Antônio Rodrigues Arzão, que conseguiu extrair apreciável quantidade de ouro em nossas terras, sendo seu cunhado Bartolomeu Bueno de Sequeira o continuador de suas pesquisas.
Mais tarde, a expedição do ousado paulista Leonardo Nardez, citado pelo ilustre cientista Guilherme von Eschwege em sua notável obra “Pluto Brasiliensis”, como descobridor de Caeté, que trata do local onde mais tarde haveria de aparecer a tumultuosa e opulenta Vila Nova da Rainha do Caeté.
Esse fato é também registrado pelo historiador Rodolfo Jacó, em artigo publicado no “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro, em edição de janeiro de 1914, por ocassião das comemorações do bicentenário da instalação da futura cidade de Caeté.
Diz o historiador Rodolfo Jacó, “que, subindo pelo rio Sabará, ao longo da serra alcantilada (Serra da Piedade), e depois por um de seus galhos, Leonardo Nardez e os Guerras, os dos Santos, encontrando boa pista, vieram pousar entre colonias plácidas, às margens do pequeno ribeiro, cuja fonte próxima depararm à boca da mata espessa (Caeté) que orlava então a encosta da serra divisória do rio Doce. Daí o nome dado ao regato pelos índios ou pelos próprios invasores, e por estes, depois, ao pequeno arraial que levantaram”.
A origem e o significado da palavra Caeté provem da língua indígena e quer dizer: – mata virgem, mato verdadeiro, segundo Teodoro Sampaio, citado por Nelson de Sena em seu Anuário Histórico e Cartográfico de Minas Gerais, edição de 1909, página 282.
Concluiu-se, pois, que Caeté (a atual cidade) que era até 1700 uma floresta ocupada por Índios, que tinham sua principais tabas ou aldeias na Pedra Branca e Ribeirão do Inferno (redondezas da cidade), foi, em 1701, “descoberto” pelo bandeirante paulista Leonardo Nardez, que aqui veio parar attraído pela riqueza aurífera da região. Apesar de descoberto por Nardez, Caeté, segundo alguns historiadores, deve seu povoamento aos irmãos João e Antônio Leme, auxiliadores pelos Guerra, descendentes da condessa Maria de Souza Guerra.
Não tardou a descoberta se fizesse conhecida nos mais longínquos pontos da Colônia, pois dentro em pouco para aqui, afluíram levas “paulistas e forasteiros” do litoral Brasileiro e do reino, “vindo sobretudo da Bahia pelo São Francisco”, ficando Caeté, já em 1704, bastante povoado, contando entre seus principais fundadores os seguintes: Sebastião Pereira de Aguilar e sargento-mor Amaral, baianos famosos e riquíssimos; D. Maria Borba, irmã do tenente-general Manoel de Borba Gato, casada com Manoel Rodrigues Goes; frei Simão de Santa Tereza, que aqui iniciou, em 1704 , a construção da igreja do Rosário e ainda o famoso Manoel Nunes Viana que se estabeleceu no sopé da Serra da Piedade, de onde apurou – Segundo Antonil – outro tanto talvez da riqueza que Borba Gato acumulou em Sabarabuçu (Sabará), que foi de 50 arrobas de ouro.
Citado o nome desse último povoador, ocorre mencionar a fratricida luta que se desenrolou em 1707 nestas paragens e que é fato marcante na história do Brasil, a Guerra dos Emboabas.
Vitorioso, Nunes Viana, que chefiava a rebelião, é sagrado pelo frade Francisco Menezes e seus companheiros como “ditador de Minas”. – Faziam parte do Governo – Frei Simão de Santa Terezza, secretário-geral. Antônio Francisco da Silva, ajudante militar; Sebastião Pereira de Aguilar, superintendente do distrito e cel. Luiz do Couto, comandante militar da praça.
Tal estado de cousas só teve solução com o trabalho arguto e hábil do recém-nomeado governador das províncias reunidas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, Antônio Alburquerque Coelho de Carvalho que sucedera a D. Fernando Martins Mascarenhas de Alencastro.
Combinado, por intermédio do frade Miguel Ribeiro, um encontro entre Nunes Viana e o novo Governador, este o recebeu com benevolência e simpatia e para dar ao acontecimento “um caráter solene, convocou sob a regência de EL-Rei o governo supremo das Minas. Justo é lembrar o unânime registro dos historiadores sobre a personalidade de Manoel Nunes Viana – um homem valente, bondoso e justo.
Conseguindo a habilidade do governador Antônio de Albuquerque e a boa vontade de Nunes Viana dar fim às desordens e tumultos que reinavam em Minas, Caeté evolui rapidamente, sendo elevado à vila a 29 de janeiro de 1714 por D. Braz Baltazar da Silveira.
Fonte: IBGE.
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