Caeté – Cerâmica João Pinheiro
A Cerâmica João Pinheiro foi tombada pela Prefeitura Municipal de Caeté-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Caeté-MG
Nome atribuído: Cerâmica João Pinheiro
Localização: Av. João Pinheiro, s/n – Centro – Caeté-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 058/2008
Descrição: […] Nesta ocasião — 1893 — fixa residência no município, João Pinheiro.
Começa a liderança de João Pinheiro no município de Caeté. Não encontrou ele dificuldades para ser aceito no meio social. Logo passou a comandar a política local, pois as lideranças então existentes dispunham de pequeno embasamento econômico — atividades de comércio e cartoriais — de nenhuma tradição de mando com base latifundiária vinda de tempos imemoriais a serem preservadas, e de um nivel de conflito muito modesto. Trazia tambem grande bagagem política, pois já exercera inúmeros cargos públicos, até mesmo o de Governador de Estado. Fundou a Cerâmica João Pinheiro, objetivo que o trouxe à cidade e que iria vitalizar o município, criando inúmeros empregos.
Esta base econômica permitirá à família Pinheiro empolgar o poder local por mais de três décadas. João Pinheiro constituiu-se no elemento que primeiro “circulou” a cúpula política de Caeté.
O sucessor dos Pinheiro, constituindo a segunda alteração da cúpula do poder em Caeté, foi o “Coronel” (apelido popular) José Nunes Melo Jr.. Mas, a sucessão não se fez por uma ruptura abrupta: as lideranças Pinheiro-Melo estão inicialmente juntas até que os Pinheiro passem a atuar no plano estadual e os Melo, no municipal. Como se dá a aliança entre os Pinheiro e o Coronel José Nunes Melo Jr.? Como os Pinheiro deixam Caeté para os Melo? O autor explica que a aliança foi pela conexão de fatores de política municipal e estadual. Os Vasconcelos Mota faziam oposição local aos Pinheiro no início da década de vinte e Israel Pinheiro da Silva, chefe dos Pinheiro, foi obrigado a se ligar ao Coronel José Nunes Melo Jr., que, apoiando a eleição de Arthur Bernardes para a Presidência da República e de Raul Soares, para Presidente do Estado, tornara-se elemento forte na comunidade, pois se constituira no elo de ligação entre o município e o Estado. Daí o começo da colaboração das duas lideranças. Os Pinheiro aos poucos foram se retirando de Caeté, porque como a Cerâmica constituía a base econômica da família, mas não era uma empresa de grandes proporções capaz de oferecer meios de subsistência a todos os membros dela. Pouco a pouco os descendentes vão procurar novas condições de trabalho e de estudo em outros centros, passando o comando político ao Coronel Melo. Este herdou a liderança dos Pinheiro, alicerçada no embasamento econômico representado pela Cerâmica João Pinheiro. Alem disto contou e muito suas qualidades pessoais de energia, liderança, bondade pessoal, assistência aos pobres e necessitados (era farmacêutico prático), distribuindo sistematicamente remédios, brinquedos, roupas, calçados e alimentos. Mandou construir a Santa Casa da cidade que foi nas suas mãos eficiente fonte de atendimento popular, rendendo resultados eleitorais. Sua atuação administrativa, quando prefeito, foi realizadora e de agrado geral. A liderança do Coronel Melo vai até o ano de sua morte, em 1955. De fato, embora em 1947 tenha perdido a eleição municipal, nas de 1950 e 1954 foram eleitos correligionários seus. Terminou com ele uma fase da vida da cúpula política caetense.
Fonte: Celso José da Silva.
Histórico do Município: Os meados e fins do século XVII caracterizaram-se em Minas Gerais, pela penetração de grupos formados por intérpdidos aventureiros, vindos do litoral, em procura de fortuna, na exploração de ouro, prata e pedras preciosas.
Em Caeté, a primeira das “entradas” pode ser atribuída ao sertanista Lourenço Castanho Tanques (capitão-mor da expedição), visto datar de 23-III-1664 uma carta régia que o louva “pelos serviços prestados como um dos descobridores de Minas dos Cataguazes e dos Sertões do Caeté, fato que ocorreu, portanto, pelo menos no começo do ano anterior, ou mais provavelmente, em 1662, atenta a morosidade das comunicações naquele e o acurado exame das cousas que precediam de ordinário as deliberações régias quando estas importavam em honra ou mercê para os vassalos”.
Depois, as explorações de Antônio Rodrigues Arzão, que conseguiu extrair apreciável quantidade de ouro em nossas terras, sendo seu cunhado Bartolomeu Bueno de Sequeira o continuador de suas pesquisas.
Mais tarde, a expedição do ousado paulista Leonardo Nardez, citado pelo ilustre cientista Guilherme von Eschwege em sua notável obra “Pluto Brasiliensis”, como descobridor de Caeté, que trata do local onde mais tarde haveria de aparecer a tumultuosa e opulenta Vila Nova da Rainha do Caeté.
Esse fato é também registrado pelo historiador Rodolfo Jacó, em artigo publicado no “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro, em edição de janeiro de 1914, por ocassião das comemorações do bicentenário da instalação da futura cidade de Caeté.
Diz o historiador Rodolfo Jacó, “que, subindo pelo rio Sabará, ao longo da serra alcantilada (Serra da Piedade), e depois por um de seus galhos, Leonardo Nardez e os Guerras, os dos Santos, encontrando boa pista, vieram pousar entre colonias plácidas, às margens do pequeno ribeiro, cuja fonte próxima depararm à boca da mata espessa (Caeté) que orlava então a encosta da serra divisória do rio Doce. Daí o nome dado ao regato pelos índios ou pelos próprios invasores, e por estes, depois, ao pequeno arraial que levantaram”.
A origem e o significado da palavra Caeté provem da língua indígena e quer dizer: – mata virgem, mato verdadeiro, segundo Teodoro Sampaio, citado por Nelson de Sena em seu Anuário Histórico e Cartográfico de Minas Gerais, edição de 1909, página 282.
Concluiu-se, pois, que Caeté (a atual cidade) que era até 1700 uma floresta ocupada por Índios, que tinham sua principais tabas ou aldeias na Pedra Branca e Ribeirão do Inferno (redondezas da cidade), foi, em 1701, “descoberto” pelo bandeirante paulista Leonardo Nardez, que aqui veio parar attraído pela riqueza aurífera da região. Apesar de descoberto por Nardez, Caeté, segundo alguns historiadores, deve seu povoamento aos irmãos João e Antônio Leme, auxiliadores pelos Guerra, descendentes da condessa Maria de Souza Guerra.
Não tardou a descoberta se fizesse conhecida nos mais longínquos pontos da Colônia, pois dentro em pouco para aqui, afluíram levas “paulistas e forasteiros” do litoral Brasileiro e do reino, “vindo sobretudo da Bahia pelo São Francisco”, ficando Caeté, já em 1704, bastante povoado, contando entre seus principais fundadores os seguintes: Sebastião Pereira de Aguilar e sargento-mor Amaral, baianos famosos e riquíssimos; D. Maria Borba, irmã do tenente-general Manoel de Borba Gato, casada com Manoel Rodrigues Goes; frei Simão de Santa Tereza, que aqui iniciou, em 1704 , a construção da igreja do Rosário e ainda o famoso Manoel Nunes Viana que se estabeleceu no sopé da Serra da Piedade, de onde apurou – Segundo Antonil – outro tanto talvez da riqueza que Borba Gato acumulou em Sabarabuçu (Sabará), que foi de 50 arrobas de ouro.
Citado o nome desse último povoador, ocorre mencionar a fratricida luta que se desenrolou em 1707 nestas paragens e que é fato marcante na história do Brasil, a Guerra dos Emboabas.
Vitorioso, Nunes Viana, que chefiava a rebelião, é sagrado pelo frade Francisco Menezes e seus companheiros como “ditador de Minas”. – Faziam parte do Governo – Frei Simão de Santa Terezza, secretário-geral. Antônio Francisco da Silva, ajudante militar; Sebastião Pereira de Aguilar, superintendente do distrito e cel. Luiz do Couto, comandante militar da praça.
Tal estado de cousas só teve solução com o trabalho arguto e hábil do recém-nomeado governador das províncias reunidas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, Antônio Alburquerque Coelho de Carvalho que sucedera a D. Fernando Martins Mascarenhas de Alencastro.
Combinado, por intermédio do frade Miguel Ribeiro, um encontro entre Nunes Viana e o novo Governador, este o recebeu com benevolência e simpatia e para dar ao acontecimento “um caráter solene, convocou sob a regência de EL-Rei o governo supremo das Minas. Justo é lembrar o unânime registro dos historiadores sobre a personalidade de Manoel Nunes Viana – um homem valente, bondoso e justo.
Conseguindo a habilidade do governador Antônio de Albuquerque e a boa vontade de Nunes Viana dar fim às desordens e tumultos que reinavam em Minas, Caeté evolui rapidamente, sendo elevado à vila a 29 de janeiro de 1714 por D. Braz Baltazar da Silveira.
Fonte: IBGE.
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Celso José da Silva
Aziz José de Oliveira Pedrosa
