Campanha – Catedral Santo Antônio
A Catedral Santo Antônio foi tombada pela Prefeitura Municipal de Campanha-MG por sua importância cultural para a cidade.
SERPHAM – Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Municipal
Prefeitura Municipal de Campanha-MG
Nome atribuído: Catedral Santo Antônio
Localização: Praça Dom Ferrão, s/n – Campanha-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 4508/2008
Descrição: Santo Antônio do Vale da Piedade do Rio Verde foi o nome primitivo da povoação que deu origem à atual cidade mineira de Campanha. No ano de 1752, uma carta régia elevou o local à condição de freguesia, com o nome de Campanha da Princesa da Beira. Com isso, tornou-se sede de uma paróquia, que pertencia à diocese de Mariana, e que era diretamente influenciada pela cultura da cidade de São João del Rei.
A igreja matriz de Campanha, que foi dedicada a Santo Antônio de Lisboa (ou também de Pádua) teve sua pedra fundamental depositada em 1787 pelo padre Bernardo da Silva Lobo. O projeto e condução das obras ficaram a cargo do arquiteto Francisco de Lima, proveniente de São João del Rei – há na igreja alguns belos altares que muito provavelmente também foram feitos por algum artista são-joanense, devido à semelhança estilística com alguns altares daquela cidade.
Mais de trinta anos depois a igreja seria finalizada, mais precisamente em março de 1822.
No ano de 1848, o Venerável Dom Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana, visitou a cidade de Campanha, ocasião em que um alfaiate negro chamado Francisco de Paula Victor lhe declarou desejar seguir a vida religiosa. Esse alfaiate posteriormente se tornaria um sacerdote com grande fama de santidade – o Beato Padre Victor.
Outra personalidade de renome que já esteve nessa igreja foi a Princesa Isabel, que durante três dias permaneceu na cidade juntamente com seu esposo, o Conde D’Eu, no ano de 1868.
Três anos após essa visita, iniciou-se uma série de obras para aumentar a igreja, a começar pelas torres. Em 1900 houve uma reforma interna; em 1925 fizeram nova modificação nas torres e fachada, e, por fim, em 1948 foi modificada a nave central, com retirada de alguns altares e construção de uma cripta.
Nesse ínterim, em setembro de 1909, havia sido criada a Diocese de Campanha, e a matriz foi elevada à condição de catedral, mediante a sagração episcopal de Dom João de Almeida Ferrão.
O apreço da população pela catedral pode ser notado pelo excelente estado de conservação e asseio em que a igreja se encontra, principalmente após ter passado por uma grande reforma no início do século XXI.
Fonte: Patrimônio espiritual.
Histórico do município: As primeiras cidades fundadas em Minas Gerais devem sua origem à ambição pelo ouro, que moveu bandeirantes fazendo-os caminhar léguas por lugares antes não penetrados. Entre elas inclui-se a cidade da Campanha, o que é evidente ainda nos dias de hoje em profundas escavações nos terrenos que a circundam. A fase inicial da história compreende um longo período do século XVIII, onde encontravam-se princípios de uma sociedade. Muito antes de 1700 começaram as entradas dos paulistas, que vinham caçar índios com o fim de escravizá-los. Logo após, os bandeirantes, atraídos pela fama que corria das ricas minas de ouro descobertas em Minas Gerais. É então que se esboçam os primeiros rudes povoados que indicando a localização da antiga riqueza aurífera e de diamantes de Minas Gerais, constituíram o início da vida civilizada dos sertões de Minas.
Campanha é a cidade mais antiga do Sul das Minas Gerais – cidade histórica reconhecida oficialmente em 02/10/1737 – povoação iniciada no ciclo do ouro. Elevada à freguesia em 06/02/1752, à vila em 20/10/1798 e à cidade em 09/03/1840.
O ouvidor Cipriano José da Rocha, saindo de São João Del Rei a 23 de setembro chegou ao arraial da Campanha no dia 2 de outubro de 1737 e, entusiasmado com a fertilidade do seu solo e com as riquezas das minas de ouro encontradas, deu ao povoado o nome de São Cipriano. O nome da atual cidade – Campanha – se deve à topografia, pois a cidade se encontra localizada numa colina circundada por extensas campinas.
Campanha desde o século VIII esteve presente em fatos históricos do Brasil e de Minas. Dentre eles, teve participação no episódio da Conjuração Mineira. Dr. Inácio de Alvarenga Peixoto, um dos conspiradores, viveu em Campanha, onde possuía inúmeras fazendas e era um dos homens mais ricos de Minas, no seu tempo. O esgotamento das minas, alegado por aqueles que se esquivavam ao pagamento de seu débito para com o físco, já na segunda metade do século XVIII, acentuava-se cada vez mais, prenunciando o fim de uma era de grandeza.
Passado o ciclo de grandes atividades desenvolvidas em torno das minas, sofreram natural estagnação ou decadência, todos os rincões de Minas Gerais onde predominavam os interesses ligados à mineração. Campanha, entretanto, manteve-se por muito tempo como centro de industrialização e cultural de toda a região Sul Mineira. Foi, ainda, sede administrativa e jurídica do Sul de Minas: a primeira, por quase um século, e a segunda além de um século.
Pioneira da instrução, em razão mesmo de sua antigüidade, sempre gozou de merecido renome, pela notável contribuição que deu à causa do ensino em nossa pátria, desde os primórdios de sua formação histórica, como bem definiu o jurista e historiador campanhense Ministro Alfredo de Vilhena Valladão, quando declarou: “Refulgiu pelo ouro da terra e pela fé, pela cultura e pelo civismo de seus filhos”.
Ainda alguns anos depois da nossa independência, a instrução pública em Minas Gerais era extremamente limitada, pois além de algumas escolas de primeiras letras que aqui e ali se encontravam e de dois colégios dirigidos por padres, um conhecido em Congonhas do Campo e o outro no Caraça, não existia em toda província outro qualquer estabelecimento de instrução secundária além do seminário de Mariana, onde se preparavam os padres, e uma simples cadeira de latim em algumas das principais vilas da província. Campanha era uma dessas vilas privilegiadas e a única no Sul de Minas para onde afluíram estudantes de outros pontos, quer próximos, quer distantes, pois era a sede da 3a Circunscrição Literária.
O anseio de seus filhos para instrução manifestou-se desde os primeiros tempos, como se evidencia pelo que ocorreu quando foram inaugurados os cursos jurídicos no Brasil, apenas com duas faculdades – uma em São Paulo e a outra em Recife. Na primeira matricularam-se quatro mineiros, três dos quais eram campanhenses e um de outra cidade.
No percurso de sua história, Campanha recebeu gente vinda de várias partes do Brasil e de diversas categorias sociais. A sua riqueza mineral e vegetativa propiciou o desenvolvimento da sociedade, o que levou a receber visitantes ilustres como a Princesa Isabel, Carlota Joaquina, Conde D’Eu, Euclides da Cunha, Manoel Bandeira, Sílvio Romero, José do Patrocínio, Pedro Ernesto Baptista, Bárbara Eliodora, entre outros. Suas passagens por Campanha, marcaram a história da cidade, mas a recíproca é verdadeira. A cidade também os marcou, muitas vezes registrado nas suas obras culturais levando-os a construírem moradias (casarões e templos) e permanecerem aqui por um tempo considerado.
Campanha também gerou personalidades reconhecidas internacionalmente, como Vital Brazil Mineiro da Campanha – cientista descobridor do soro antiofídico, Maria Martins – considerada uma das artistas surrealistas mais relevantes do planeta e Padre Victor, natural de Campanha, em processo de Beatificação no Vaticano.
No passado, a grande extensão do município ocupava a margem esquerda do Rio Grande até o Jaguari, das cumiadas da Mantiqueira até o rio Pardo, estendendo a sua jurisdição municipal – com legislação num círculo de quase 3 mil léguas. Por essa extensão de terra e pela riqueza natural e cultural, Campanha é considerada a cidade mãe, fertilizadora das outras cidades – o berço do sul de Minas.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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- Imagem: Patrimônio espiritual
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