Conceição do Mato Dentro – Casa de Cultura


A Casa de Cultura está instalada em edificação dospadres capuchinhos, do período colonial, com estrutura autônoma de madeira e vedações em pau-a-pique e tijolos.

Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro-MG
Nome atribuído: Casa de Cultura
Localização: R. Daniel de Carvalho, nº 178 – Conceição do Mato Dentro-MG
Decreto de Tombamento: Resolução 003/2004

Descrição: A Casa de Cultura tem por finalidade incentivar, administrar e organizar atividades culturais no município e promover a defesa do seu patrimônio histórico, artístico e cultural. Antiga casa paroquial dos padres capuchinhos, seu primeiro pavimento funcionou como armazém, sofrendo com isso modificações no seu aspecto externo para o seu uso. Onde existiam portas foram instaladas janelas, preservando-se apenas a atual porta de entrada do sobrado.
Com a mudança dos padres capuchinhos para o novo convento no alto da colina do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, os religiosos usaram o casarão como residência e alugavam para as famílias de juízes, médicos e outras personagens de passagem pela cidade.
O sobrado é de tipologia arquitetônica antiga, ainda do período colonial. O sistema construtivo é de estrutura autônoma de madeira e vedações em pau-a-pique e tijolos. As esquadrias são de madeira, com verga em arco abatido, e os forros são em esteira. Os pisos em pedras rústicas na circulação e cozinha, e em madeira nos outros ambientes do pavimento inferior e em todo o superior. O telhado da casa está construído em quatro águas, com telhas tipo “cumbuca”, com beirais protegidos por tabuado reto em cimalha.
Tem escada central e pequena circulação no segundo pavimento, distribuindo para os cinco ambientes interligados do segundo pavimento. A fachada principal apresenta um conjunto de cinco sacadas isoladas, com guarda-corpo em ferro batido em desenhos curvos. Nos fundos apresenta varanda no pavimento superior e grande cozinha aberta no pavimento inferior.
O prédio foi completamente restaurado em 2001 e 2002 e hoje abriga a sede da Fundação Casa da Cultura. A beleza e o estado de preservação o tornam uma atração à parte dentro do centro histórico da cidade.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: A exemplo de tantas cidades mineiras, a história de Conceição do Mato Dentro está ligada à corrida do ouro, no início do século XVIII. Segundo registros, foi entre os penhascos da Serra da Ferrugem e os espigões do Campo Grande e Cotocorí, local onde os bandeirantes se entrincheiraram contra os primeiros habitantes, os ferozes índios botocudos, em que se encontravam as mais ricas lavras auríferas de toda a Região Nordestina da Capitania.
Desde o alto do córrego Vintém até as planícies da Bandeirinha, o metal brotava, como que por milagre, das entranhas da terra. Foi nas areias do minguado córrego Cuiabá que Gabriel Ponce de Leon encontrou, em uma única bateada, cerca de 20 oitavas de ouro. Sem dúvida, era o Eldorado. Começava, então, uma corrida por todos os ribeirões em busca do precioso metal e, consequentemente, da tão sonhada fortuna.
Contudo, relatos dão conta de que a primeira expedição para Conceição do Mato Dentro teria chegado à região em meados do século XVI (1573), comandada por Fernandes Tourinho. Entretanto, foi em janeiro de 1701 que um grupo de bandeirantes, partindo de Sabará sob o comando do Coronel Antônio Soares Ferreira atingiu, ao fim da jornada, a região conhecida como Ivituruí, ou Serro Frio. Entre os sertanistas, Gaspar Soares, Manoel Corrêa de Paiva e Gabriel Ponce de Leon.
Em 1702, Gabriel Ponce de Leon, ao se deparar com a riqueza da região, ergueu uma pequena capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, iniciando o processo de povoamento em função da descoberta de ouro nas margens do Ribeirão Santo Antônio e seus afluentes. Durante todo o século XVIII, o arraial teve sua economia voltada para a mineração. Após o término das lavras, o local passou a viver da agricultura de subsistência e da pecuária extensiva. Mais tarde, já no século XIX, John Pohl, quando passou pelo local, deixou o seguinte relato em seu livro Viagem pelo Interior do Brasil:
“este arraial, que está entre as maiores povoações da Capitania, distingue-se dos demais pela sua situação bela e salubre. A outrora abundante produção de ouro deu lugar à fundação deste, cujos grandes edifícios dão testemunho suficiente da antiga abastança dos habitantes. Mas, observa-se, com clareza, a decadência de hoje… O número de edifícios pode elevar-se a 200. Muitos deles assobradados. As igrejas, em número de 4, são todas bem edificadas. Os habitantes que, antes, viviam da extração do ouro, vivem, hoje, geralmente, de suas plantações.”
Fonte: Prefeitura Municipal.

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