Conceição do Mato Dentro – Conjunto Paisagístico do Salão de Pedras


Imagem: Prefeitura Municipal

O Conjunto Paisagístico do Salão de Pedras foi tombado pela Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro-MG
Nome atribuído: Conjunto Paisagístico do Salão de Pedras (235ha)
Outros Nomes: Sítio Arqueológico do Salão de Pedras, compreendendo o Abrigo do Anjo, Abrigo de Pedra Polida e o Abrigo da Colina
Localização: Limites do Parque Municipal Salão de Pedras – Encosta do Campo Grande – Conceição do Mato Dentro-MG

Descrição: O PNMSP está localizado na área central do Estado de Minas Gerais, na região da Serra do Espinhaço. A preservação deste patrimônio natural e cultural é essencial para assegurar a conservação da biodiversidade e das nascentes, assim como, tornar o espaço público benéfico para toda a população.
O Parque Natural Municipal Salão das Pedras possui hoje uma área total 857,621 ha e está inserido numa das regiões mais belas do Estado de Minas Gerais, a Serra do Espinhaço – divisor geográfico das terras do mato-a-dentro e do sertão das gerais. Em termos de vegetação, a serra é um divisor dos Biomas Mata Atlântica e Cerrado, sendo considerado um ecótono de rara beleza cênica, que abriga varias espécies endêmicas, restritas e/ou ameaçadas de extinção.
O território do PNMSP está conectado à área da sede urbana do município de Conceição do Mato Dentro e inserido na região das nascentes da sub-bacia hidrográfica do Rio Santo Antônio, afluente direto da degradada bacia hidrográfica do Rio Doce.
A grande relevância dessa Unidade de Conservação se deve à fonte de suas de águas. O histórico de preservação do Parque Natural Municipal Salão de Pedras remete ao histórico do uso da água, que, desde o inicio do século passado, vem sendo utilizado para captação de água para o abastecimento de algumas partes da sede do município.
[…]
Conforme previsto na Lei Nº 1.594 de 29 de novembro de 1999, a criação do Parque Natural Municipal Salão de Pedras, assim como na alteração realizada pela Lei 1902/2007, teve intuito de proteção e conservação da paisagem complexo do Salão de Pedras. Localizado na região de ocorrência de Mata Atlântica, e também apresenta grandes extensões da vegetação caracterizada como campos de altitude, sendo que sua área ainda abriga, como relatado anteriormente, alguns dos principais mananciais de fornecimento de água para a algumas regiões da cidade.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: A exemplo de tantas cidades mineiras, a história de Conceição do Mato Dentro está ligada à corrida do ouro, no início do século XVIII. Segundo registros, foi entre os penhascos da Serra da Ferrugem e os espigões do Campo Grande e Cotocorí, local onde os bandeirantes se entrincheiraram contra os primeiros habitantes, os ferozes índios botocudos, em que se encontravam as mais ricas lavras auríferas de toda a Região Nordestina da Capitania.
Desde o alto do córrego Vintém até as planícies da Bandeirinha, o metal brotava, como que por milagre, das entranhas da terra. Foi nas areias do minguado córrego Cuiabá que Gabriel Ponce de Leon encontrou, em uma única bateada, cerca de 20 oitavas de ouro. Sem dúvida, era o Eldorado. Começava, então, uma corrida por todos os ribeirões em busca do precioso metal e, consequentemente, da tão sonhada fortuna.
Contudo, relatos dão conta de que a primeira expedição para Conceição do Mato Dentro teria chegado à região em meados do século XVI (1573), comandada por Fernandes Tourinho. Entretanto, foi em janeiro de 1701 que um grupo de bandeirantes, partindo de Sabará sob o comando do Coronel Antônio Soares Ferreira atingiu, ao fim da jornada, a região conhecida como Ivituruí, ou Serro Frio. Entre os sertanistas, Gaspar Soares, Manoel Corrêa de Paiva e Gabriel Ponce de Leon.
Em 1702, Gabriel Ponce de Leon, ao se deparar com a riqueza da região, ergueu uma pequena capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, iniciando o processo de povoamento em função da descoberta de ouro nas margens do Ribeirão Santo Antônio e seus afluentes. Durante todo o século XVIII, o arraial teve sua economia voltada para a mineração. Após o término das lavras, o local passou a viver da agricultura de subsistência e da pecuária extensiva. Mais tarde, já no século XIX, John Pohl, quando passou pelo local, deixou o seguinte relato em seu livro Viagem pelo Interior do Brasil:
“este arraial, que está entre as maiores povoações da Capitania, distingue-se dos demais pela sua situação bela e salubre. A outrora abundante produção de ouro deu lugar à fundação deste, cujos grandes edifícios dão testemunho suficiente da antiga abastança dos habitantes. Mas, observa-se, com clareza, a decadência de hoje… O número de edifícios pode elevar-se a 200. Muitos deles assobradados. As igrejas, em número de 4, são todas bem edificadas. Os habitantes que, antes, viviam da extração do ouro, vivem, hoje, geralmente, de suas plantações.”
Fonte: Prefeitura Municipal.

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