Espera Feliz – Conjunto Paisagístico Praça Cira Rosa de Assis e Morro da Igreja Matriz de São Sebastião
O Conjunto Paisagístico Praça Cira Rosa de Assis e Morro da Igreja Matriz de São Sebastião foi tombado pela Prefeitura Municipal de Espera Feliz-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Espera Feliz-MG
Nome atribuído: Conjunto Paisagístico praça Cira Rosa de Assis e Jardim e escadaria do morro da Igreja Matriz de S. Sebastião (0,04 ha)
Localização: Praça Cira Rosa de Assis, s/n e Praça Dr. José Augusto, nº 251 – Centro – Espera Feliz-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 430/2005
Descrição: A Praça Cira Rosa de Assis foi construída em 1983. Possui um belo jardim, além de chafariz, lago com peixes ornamentais e monumentos sobre a história da cidade. Seu piso é revestido em pedra portuguesa. Conta com uma gruta artificial construída em pedra que abriga a imagem de Nossa Senhora da Glória, padroeira da cidade. Também possui um monumento em homenagem aos desbravadores que na época da fundação do município esperavam felizes suas presas. A escadaria da Igreja representa a identidade Espera felicense e a memória religiosa, compondo um cenário propício para apreciar a natureza através do jardim e sua bela paisagem.
Fonte: Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais.
Histórico do município: A tradição informa que uma comissão de engenheiros, tendo sido enviada pelo Governo Imperial de D. Pedro, para procedimento de pesquisa na região, acampou no local onde está situada a atual Praça da Bandeira, no centro da cidade. Como de costume, alguns engenheiros, membros da comissão imperial, puseram-se à espera de possíveis caças que eram abundantes na região. Como era de se esperar, não faltaram caças e, após dias sucessivos, foram “FELIZES”, naquela empreitada e daí surgiu o primitivo nome de “FELIZ ESPERA”.
Conta-se ainda, que o Cap. Antonio Carlos de Souza, residente em Carangola, ao adquirir uma vasta gleba de terra, dentro do qual se assenta, a maior parte da cidade de Espera Feliz, vinha com familiares e amigos de quando em vez, passear e caçar nas terras que havia comprado. A caça era deveras, abundante e fácil. Eram muito “FELIZES” à “ESPERA” da caça. E quando eram indagados sobre aonde tinham ido, diziam simplesmente: “Fomos à Feliz Espera”, isto é, onde se é “FELIZ” na “ESPERA” da caça. Daí no nome foi pegando. “Se non é vero, é bene provato”, como diz o ditado italiano.
Mas o nome primitivo, dado pelos primeiros entrantes era Braço do Rio, por causa da confluência dos dois rios que banham a cidade. Pois, até o início do século XIX, esta região era interditada à exploração. Constituía-se a chamada “Zona Proibida”, área em que a mata não podia ser aberta para a ocupação humana, pois servia de barreira natural à região do ouro, evitando assim o contrabando.
Assim quando os primeiros desbravadores chegaram a esta estas terras, no início do século XIX, à época habitada por tribos da etnia “puri coroados” demarcaram com cruzes dedicadas respectivamente a:
– São Sebastião onde hoje se localiza o povoado de São Sebastião da Barra;
– São Gonçalo onde hoje se localiza o povoado de São Gonçalo;
– São João Batista onde hoje se localiza a cidade de Caiana;
– Divino Espírito Santo onde hoje se localiza o Distrito de Divininho (Caiana);
– São José onde hoje se localiza o Distrito de São José da Pedra Menina;
– Santo Antonio de Pádua onde hoje se localiza a comunidade do Cruzeiro;
– Santa Rita de Cássia onde hoje se localiza o povoado de Santa Rita (Caparaó);
– Nossa Senhora da Conceição onde hoje se localiza a cidade de Alto Caparaó;
Portanto em 1822, o CelAntonio Dutra de Carvalho – Cel. Dutrão inaugurou o desbravamento das terras que hoje são abrangidas pelas vertentes do Rio Caparaó. Já no ano de 1831, outros aventureiros, oriundos das cabeceiras do Rio Carangola, transpondo as serras que separam as suas vertentes do Rio Paraíba, fixaram-se nas nascentes do Rio São João, nas terras que mais tarde constituiriam o município de Espera Feliz.
As terras situadas nas cabeceiras do Rio São João, onde nascem numerosos ribeirões foram adquiridas em 1831, data imprecisa, pelo guarda-mor Manoel Esteves de Lima, proprietário do grande imóvel “Santa Maria”. Em tais glebas hoje se localiza o município de Caparaó – antigo distrito de Espera Feliz.
O primeiro proprietário de terras no local da atual cidade de Espera Feliz foi o Tenente-Coronel Francisco Xavier Monteiro da Gama. Mais tarde transferiu estas para Antonio Francisco de Oliveira. Este, sem recursos para administrar o imóvel, transferiu-as para seu cunhado o Cap. Antonio Carlo de Souza, no ano de 1873. O grande motivo para o desbravamento e fixação foi a busca de terras férteis para a agricultura. A mineração viria apenas no século XX.
Todo território que hoje integra o município de Espera Feliz pertenceu à Vila de Campos de Goitacazes, da província do Rio de Janeiro. Somente muitos anos depois, passou aquele território a integrar a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição dos Tombos do Carangola (Tombos – MG) – Comarca de Presídio (hoje Visconde do Rio Branco – MG). Mais tarde veio o referido território pertencer à Vila de Ubá – MG, depois ao Termo de São Paulo do Muriaé – MG, e por último, pertencer à Freguesia de Santa Luzia do Carangola – MG
É importante frisar que do atual município a primeira povoação que se formou foi a de São Sebastião da Barra, distante 6 km da sede atual. Tal localidade chegou a ser um vilarejo muito próspero, sendo criado neste o Distrito de Paz, a 13 de maio de 1886, e instalado por força do Decreto-lei nº 116 de 21 de junho de 1890, na Freguesia de Santa Luzia do Carangola – MG.
Atestam os antigos que, quando se projetou, no início do século XX, a Estrada de Ferro THE LEOPOLDINA RAILWAY COMPANY LIMITED, estendendo a ligação de Carangola a Manhuaçu, ela passaria por São Sebastião da Barra. Os fazendeiros da região reagiram, alegando que a implantação da estrada iria estragar e desvalorizar seus terrenos, pois corria naquela época a superstição de que: “Com o trem de ferro, viria junto a Gripe Espanhola”.
Diante de tamanho alvoroço e oposição, a Companhia mudou seu traçado. Na altura do centro da atual cidade de Espera Feliz, foi localizado o entroncamento dos dois ramais da estrada de ferro: para Manhuaçu – MG e para o Espírito Santo (1912). Ali se construíram também, a Estação Ferroviária, a caixa d’água para abastecimento da máquina a vapor, o reservatório de lenha para a caldeira e a casa da turma de conservação da linha férrea.
O local tornou-se, naturalmente, um ponto de convergência e, com o tempo, foi-se formando um arruamento, início de uma futura cidade. Sendo que o Cap. José Carlos de Souza doou terras para a construção das primeiras casas, no local que recebeu o nome de Rua Nova. No centro o Senhor Dioclécio Lacerda construiu o primeiro prédio, destinado a hotel. A Senhora Cira Rosa de Assis doou as terras para a passagem da ferrovia, o local da estação e a área destinada ao triângulo, bem como a área onde a Companhia Ferroviária construiu um casarão (residência) destinado a abrigar os engenheiros britânicos encarregados da construção da Estrada de Ferro. Na margem oposta do Rio São João o Major Francisco Pereira de Souza construiu um grupo de casas, que recebeu o nome de Rua Pereira, bem como a área destinada a ereção da Capela dedicada a São Francisco de Assis, e a área para o cemitério.
Durante este período a localidade recebeu o topônimo de “LIGAÇÃO” vez que a Estrada de Ferro THE LEOPOLDINA RAILWAY COMPANY LIMITED fazia a ligação entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
No ano de 1912 o Arcebispo de Mariana, Dom Silvério dos Santos Pimenta, criou o Curato de São Sebastião da Barra, nomeando o Monsenhor José Maria Gonzalez o seu primeiro Cura.
Diante de tais fatos, o Distrito de São Sebastião da Barra foi entrando em declínio e Espera Feliz em franco desenvolvimento, o que acarretou que em 18 de setembro de 1915, a Lei Estadual nº 663 determinou a transferência da sede do Distrito, de São Sebastião da Barra, para a localidade de Espera Feliz.
Não obstante, por esta mesma época a sede do Curato, cujo o orago dedicado a São Sebastião também é transferida para a nova sede do Distrito, ou seja, Espera Feliz, sendo doado pela dona Maria, viúva do Capitão Francisco Gomes da Silva, o patrimônio para a construção da Matriz dedicada a São Sebastião. No dia 27 de setembro de 1928 o Bispo de Caratinga, Dom Carloto Távora eleva o então curato à Paróquia de São Sebastião de Espera Feliz, nomeando o Padre José Lanzilote como seu primeiro Pároco.
Através do Decreto-Lei nº 148, de 17 de dezembro de 1938 foi criado o Município de ESPERA FELIZ – MG, com território desmembrado do município de Carangola, figurando em seu território os Distritos Sede, Caiana e Caparaó, cuja a instalação ocorreu no dia 1º de janeiro de 1939, sendo nomeado como prefeito o Doutor José Augusto Ferreira.
Fonte: Prefeitura Municipal.
MAIS INFORMAÇÕES:
Prefeitura Municipal
Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais


Correção: a praça foi construída no final de 1988, antes disso só havia uma casa velha (onde hoje é a Casa da Cultura) e uma área coberta por caulim