Felício dos Santos – Casarão da Família Canuto


Imagem: Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais

O Casarão da Família Canuto foi tombado pela Prefeitura Municipal de Felício dos Santos-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Felício dos Santos-MG
Nome atribuído: Casarão da família Canuto
Localização: Praça Sagrado Coração, nº 168/184 – Centro – Felício dos Santos-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 018/2005

Descrição: O Bem apresenta partido quadrado com volumetria simples de apenas um pavimento com vedação simples de adobe e caição, possui coroamento frontal com telhas de barro do tipo capa e bica e sem encachorramento. A Cumeeira é perpendicular ao nível da rua sua estrutura é autônoma. Na fachada principal apresenta cinco vãos sendo dois vãos de janela com esquadrias de madeira de vergas retas e vedação vitral do tipo guilhotina e três vãos de porta de vergas retas com esquadrias de madeira de duas folhas com vedação em madeira. Possui um barrado com desenhos em forma de octogonal que compõe toda a fachada principal , existe também uma pequena calçada que na frente do Imóvel. O Bem se encontra em situação bastante precária com o efeito do tempo o telhado apresenta muita destruição e as paredes laterais estão desmoronando. Aos fundos observa-se a inexistência de uma das paredes que acabou caindo. No interior do imóvel podemos observar a existência de nove quartos, duas salas, cozinha com fogão a lenha e um enorme banheiro com banheira e uma pia no lado esquerdo da parede. O Piso é de tabuado corrido e cerâmica em algumas partes. Observa-se a grande infestação de morcegos que ajudam na destruição do telhado por fazerem ninhos no interior da residência. Em sua lateral existe um anexo de partido quadrado de quatro águas de volumetria simples coberto com telhas de barro do tipo capa e bica e com cumeeira paralela a rua. Apresenta coroamento frontal com beiral simples, na fachada principal apresenta um enorme portão de uma folha com sistema de abertura do tipo correr e com um enorme traçado de madeira em seu cume proporcionando um efeito de esteira com uma luminária ao centro.
Fonte: Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais.

Histórico do município: A origem de Felício dos Santos, alguns indícios dão conta de que a ocupação de seu território deve ser remontada a meados do século 19. A prova mais contundente do que aqui se pretende afirmar é um documento judicial (Termo de Despacho) datado do mês de maio de 1858. Seu conteúdo retrata a tensão entre alguns herdeiros do Senhor Manoel Rodrigues da Silva, morador do Distrito de Rio Preto. Valendo-se das prerrogativas que lhe cabiam, o meritíssimo Juiz determinou que um oficial de Justiça fosse até o Ribeirão Sant’Ana, afim de proceder a partilhas judiciais das terras em questão. A data determinada foi 23 de outubro de 1858. Ocupavam a área de conflito o senhor Themótio da Rocha e sua esposa, que deveriam ser intimados juntamente com as testemunhas João Alves Pereira e Floriano Alves Pereira afim de resolver com brevidade tais pendências.
A luta pela ocupação daquelas terras parece ter sido realmente a grande vedete de uma região aparentemente promissora. Apenas uma década mais tarde, tendo em vista as primeiras desavenças, na comunidade de Campos, atualmente Loronha, a mesma situação se repetia, necessitando novamente de intervenção judicial.
Contudo, apesar das constantes disputas judiciais, aquelas terras foram rapidamente deixando de ser inóspitas, tornando-se aos poucos, importante centro de investimentos. Assim sendo, não demorou muito e vários membros da Família Veloso decidiram edificar ali seus importantes feudos. E o fizeram estrategicamente, ocupando os quatro pontos do lugar. A partir de então, surgiram as fazenda do Tamboril, Engenho, Sobrado e Sitio.
A população foi crescendo, obviamente, de acordo com a necessidade de mão de obra para o trabalho naquelas fazendas. Começou, a partir de então, a derrocada dos escravos com destino ao mais novo centro produtivo. Fontes orais davam conta de que houve a tentativa de escravizar índios que viviam na região. Alguns inclusive foram pegos a laço e levados para a fazenda do Engenho especialmente. Porem diante da dificuldade de adaptação e, também porque se tornavam perigosos para os chamados “civilizados”, acabaram fracassando nessa empreitada. A tribo que por ali vivia, foi rapidamente recuando frente aos avanços daqueles vorazes fazendeiros brancos, desaparecendo de vez.
Havia circulação de moedas entre eles e o sistema de produção, que até então era agropecuário, a partir de 1870, aproximadamente, ganhou uma forte concorrente com a instalação da fábrica de objetos produzidos à base de ferro gusa de propriedade do senhor Ernesto Pena.
Por volta do ano de 1913, o mercado ainda carecia de novos consumidores e crescia a exigência do surgimento de novas rotas comerciais, nessa época aumentou a frequência de novos viajantes, era quando por ali passavam os tropeiros vindos de Rio Vermelho, Coluna e cidades vizinhas, para venderem os seus produtos e comprarem o necessário e o que lhes ofereciam os centros comerciais mais desenvolvidos como a vizinha cidade de Diamantina que ditava o rumo econômico do pequeno povoado.
Como era costume da época, utilizava-se unicamente o transporte animal para montaria e transporte de carga, fazendo assim da figura do tropeiro uma personalidade para aquela gente, dado a sua importância no fluxo da economia naqueles tempos, em especial, podemos destacar a presença e trabalho de Herculano Pena, Cassiano Ricardo, Antônio Bernardo Lopes e Alexandre Lucas, que mais tarde vieram a residir nesta localidade, que tinha a única estrada de ligação naquelas regiões, por esse motivo havia tanto fluxo. Estes tropeiros, para descanso próprio e da tropa, ocupavam as margens do Ribeirão Santana, e observando aquelas terras nativas e de fertilidade altíssima, motivaram-se a afixarem suas novas residências ali para explorarem as potencialidades do local. Começou assim o povoamento maciço de Felício dos Santos, a partir de então outras famílias buscaram o local sabendo das qualidades da terra e da água, com o crescimento da população foi instalada a primeira Escola com instrução de dona Ana Leite Veloso. Donana, a primeira professora do lugar.
Com o passar do tempo foram surgindo novas residências, e com estes novos imóveis, a necessidade de compra das pessoas, o que levou a implantação de casas comerciais, com destaque para os senhores Joaquim de Pinho e Antônio Felinto de Araújo implantando as primeiras casas comercias do lugar. Diferentemente dos demais municípios e povoados da região, cujo desenvolvimento perpassava pela riqueza mineral, Felício dos Santos desenvolvia-se como centro econômico e político da região, àquela época, apresentando por isso, características bem peculiares em relação às cidades vizinhas. Por essa característica, a de ser um polo comercial, ficaram famosos os seus produtos, como os laticínios, farinhas, rapaduras e cachaças produzidas.
A comunidade no início de seu povoamento chamava-se “Fábrica do Pena”, em seguida recebeu a denominação de “Largo do Arrependido” e mais tarde “Grota Grande”. Com o crescimento da comunidade, os primeiros habitantes de “Grota Grande” celebravam os cultos em baixo de duas árvores. A construção da capela iniciativa dos padres capuchinhos foi concluída segundo relatos no final do século 19. Ao final dos cultos os fiéis se reuniam embaixo das árvores para conversarem e com o passar do tempo as mulheres foram cultivando plantas ornamentais ao redor da capela, os homens então providenciaram bancos de madeira para colocar sob as árvores para poderem conversar à sombra, também providenciaram um cruzeiro e um local fixo para levantamento do mastro por ocasião das festas religiosas. Com a chegada dos comércios o número de habitantes aumentou e as casas foram se formando em forma de triângulo em volta da Capela deixando uma grande área para aquilo que já era a Praça do Sagrado Coração. Hoje a praça é um lugar tranqüilo e muito limpo onde todos se reúnem ao anoitecer e no lugar da capela foi construída uma imponente Igreja que é a Matriz do Sagrado Coração. Situada no centro de origem da cidade, a praça juntamente com a Igreja domina a paisagem urbana. Assim, foi se constituindo o povoado, que até então pertencia ao Distrito de Felisberto Caldeira. Antes de sua emancipação política, a comunidade foi marcada pela constante troca de nomes, entre os quais: “Ribeirão de Sant’Ana”, “Campos”, “Fábrica do Pena”, “Curral das Éguas”, “Largo do Arrependido”, e, futuramente, “Grota Grande”. É curioso perceber que, mesmo havendo certa integração entre os habitantes das fazendas e os que viviam na parte comercial, nunca tinha acontecido entre eles, de fato, uma relação de unidade territorial.
Em consequência da divisão administrativa estabelecida pela lei n° 1.039 de 12 de dezembro de 1953, fora elevado à categoria de Distrito, desmembrando-se definitivamente do território de Felisberto Caldeira, recebendo o nome de Felício dos Santos. Entretanto, a inauguração do novo Distrito se deu, de forma suntuosa, no dia 13 de junho de 1954. Para comemorar aquele inesquecível dia, o padre Geraldo Gabiroba celebrou uma missa festiva tendo como fiéis os habitantes do lugar, além de vários visitantes ilustres, o novo distrito, recebeu o nome de Felício dos Santos em homenagem a uma ilustre família Diamantinense, permanecendo este nome depois de sua emancipação em 1962. Para não descaracterizar uma historia recente e manter a população acostumada a nova denominação do recém emancipado município, manteve-se o nome recebido mesmo após sua emancipação definitiva que se deu no dia 30 de dezembro de 1962, por força da Lei n° 2.764. Nessa época, Diamantina, à qual pertencia o ainda Distrito, era administrada pelo doutor Silvio Felício dos Santos (1959 -1962). Sua instalação aconteceu de forma solene no dia l° de março de 1963, ficando esse o dia de seu aniversário. Foi nomeado para a função de Intendente (assumir a prefeitura antes da primeira eleição), Rodolfo Lopes Canuto, primo de José Canuto, que dirigiu a cidade através de portarias, do dia 30 de dezembro de 1962 até 02 de agosto de 1963, quando José Canuto foi eleito o primeiro Prefeito Municipal, assumiu o cargo que lhe cabia dando inicio a forção e evolução da cidade.
Fonte: Prefeitura Municipal.

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