Guaranésia – Praças Cel. Paula Ribeiro e Dona Sinhá
As Praças Cel. Paula Ribeiro e Dona Sinhá foram tombadas pela Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG
Nome atribuído: Praças Cel. Paula Ribeiro(1,3271 ha) e Dona Sinhá (0,6290 ha) (total= 1,9526 ha)
Localização: Guaranésia-MG
Decreto de Tombamento:Decreto n° 1189/2005
Descrição: A história das praças Coronel Paula Ribeiro e Dona Sinhá se mesclam à história do município de Guaranésia, já que neste local foi instalada a capela de Santa Bárbara, marco de início da povoação da cidade.
No Relatório Diocesano de Pouso Alegre nº 1.913 consta que em princípios de 1800, um senhor de nome José Maria Ulhoa, transferiu sua residência das margens do rio Canoas para o local onde hoje se encontra o município de Guaranésia.
José Maria Ulhoa adquiriu uma propriedade entre a Estrada Real e o Rio Canoas, e construiu ali um rancho que por muitos anos serviu de abrigo aos tropeiros e viajantes que transitavam de São Carlos do Jacuhí para São Paulo e Santos. Havia um rancho à beira da estrada que era a hospedaria sempre aberta aos viajantes cansados: uma coberta sobre quatro esteios, quatro largas portas, sempre abertas por serem quatro paredes ausentes. José Maria Ulhoa era católico e devoto de Santa Bárbara, e como residia distante de Jacuí, a paróquia mais próxima de sua residência, resolveu edificar uma capela nas proximidades de sua moradia, a dois quilômetros de distância da atual Matriz do município.
À véspera da inauguração da citada capela, um fato ocorrido influiu decisivamente na criação da localidade de Santa Bárbara das Canoas. Vários homens, empenhados na derrubada da mata, que então cobria todo o terreno, onde hoje se localiza o perímetro urbano da cidade, presenciaram o que foi divulgado como obra divina. Ao fugir de um tronco que em sua queda o atingiria, um dos homens caiu ao solo, e, aterrorizado, gritou por Santa Bárbara. Eis que uma árvore, arrastada na queda, teve suas raízes projetadas para fora violentamente, atirando para longe o pobre homem, salvando-o de morte certa. Seus companheiros então se postaram e murmuraram: “Milagre! Milagre! Milagre de Santa Bárbara!” Na primeira missa celebrada na capela pelo pároco de Jacuí, Revmo. Padre José de Freitas e Silva, ainda impressionados com o acontecimento, os senhores Joaquim Martins e Manoel Fernandes Varanda acordaram em doar um terreno à capela de Santa Bárbara para nele edificar povoação. Terminada a missa levaram ao conhecimento do Vigário da Comarca de Jacuí o que haviam resolvido e, a conselho do vigário, resolveram construir uma igreja no local do suposto milagre, onde hoje está edificada a atual Matriz. As obras desta capela foram concluídas em 1820. Supõe-se que logo após a conclusão das obras da capela foi construído o cemitério em frente a ela.
Em 1875, o padre José Ignácio mandou lacrar o velho cemitério da paróquia, cercado de madeira, que foi construído onde se encontra hoje a Praça Coronel Paula Ribeiro, em frente à igreja e inaugurou o novo, construído com muralhas de pedras, no local onde hoje se encontra a Praça de Esportes Dr. João Bento R. do Valle, antiga Praça Getúlio Vargas. Seguindo os rituais da Igreja Romana, o Revmo. Padre José Ignácio, benzeu o novo cemitério e, lacrado o velho cemitério, as autoridades locais julgaram o mesmo inviolável pelo espaço de sete anos. No mesmo ano o alferes Manoel Gonçalves dos Santos formou uma avenida de coqueiros que partia da porta principal da Matriz até o portão da nova necrópole. Destes coqueiros restaram apenas dois onde era o portão de entrada do cemitério. (Do manuscrito Bispado de Guaxupé)
Não há registros da época em que foi inaugurada a Praça Coronel Paula Ribeiro. Segundo alguns moradores do centro, é provável que tenha sido logo após o término do período em que o antigo cemitério ficou lacrado, isto é, por volta de 1882. Nos anos que se seguiram a praça foi um grande espaço livre ou, quem sabe, o adro da igreja, no traçado urbano, não possuindo qualquer elemento de delimitação. Provavelmente foram os moradores do entorno e freqüentadores da igreja que tiveram a iniciativa de construir uma praça no local do cemitério, para possuírem um local onde pudessem realizar suas manifestações religiosas, que permanecem até estes dias. Os recursos para construção da praça foram provenientes do governo municipal e talvez dos moradores do entorno da praça, através de doações, que eram os fazendeiros mais abastados da época.
Em 1900 foi colocado o obelisco que ainda se encontra no mesmo local, como marco dos quatrocentos anos de descobrimento do Brasil, em homenagem a Pedro Álvares Cabral. Hoje o obelisco é um bem tombado individualmente pelo município. Em 1925 iniciou-se a obra de reforma da Igreja de Santa Bárbara, sendo sua conclusão em 1926. Não se sabe o motivo, mas as duas torres frontais foram retiradas e deram lugar a uma única torre no centro e a nave principal foi ampliada. Este é o único registro encontrado de modificações significativas na igreja. A igreja Matriz permanece com o mesmo traçado arquitetônico até os dias de hoje.
Em algum momento entre 1906 e 1925 foram instalados jardins na Praça Coronel Paula Ribeiro, mas não há registro desta informação. Pode-se chegar a esta conclusão analisando fotos que estão em exposição na Casa da Memória de Guaranésia: a primeira, de 1906, demonstra um grande largo em frente à igreja tendo apenas o obelisco ao centro; e a segunda, de 1925, demonstra pessoas passeando por jardins e sentadas em bancos, além de algumas árvores e jardins em frente à igreja e ao obelisco.
O nome da praça Coronel Francisco de Paula Ribeiro foi dado em homenagem ao importante político da época. O coronel nasceu em agosto de 1857, em Guaxupé e faleceu em janeiro de 1913, em Guaranésia. Não há registro de quando a praça recebeu este nome, mas nenhum morador do município sabe de outro anterior. Um dado importante é que o Coronel Francisco de Paula Ribeiro era irmão da Sra. Margarida Augusta Ribeiro, a Dona Sinhá, homenageada com seu nome na praça ao lado.
De acordo com o relatório de entrega de governo de 1955, relativo à administração de José Cristóvão Ramos, entre 1951 e 1954, a Praça Coronel Paula Ribeiro necessitava de melhoramentos. Foram construídos novos canteiros, dentre eles nas laterais da igreja, e reformados os já existentes, gramando-os e dando-lhes melhor aspecto. Os canteiros foram arborizados com árvores que, na época, foram julgadas como mais apropriadas, e retiraram outras consideradas inadequadas. Na Praça Dona Sinhá foi iniciado o processo de construção para transformação do espaço existente numa praça, propriamente dita. O passeio externo foi realizado em calçada portuguesa nas cores preto e branco, formando desenho ondulado. Segundo diversos moradores este desenho foi inspirado nas calçadas da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. As guias dos canteiros foram executadas em concreto. Todas as árvores existentes foram derrubadas e os tocos retirados.
A área interior da Praça Dona Sinhá antes desta construção era uma espécie de pomar, onde havia diversas mangueiras plantadas. A decisão de arrancá-las ocorreu em consequência dos transtornos causados por estas árvores. No período do ano em que estas davam frutos eram freqüentes os problemas causados pelos próprios moradores. Muitos jovens e crianças gostavam de atirar as mangas pelas redondezas da praça e, com isso, acabavam danificando as edificações do entorno e sujando as ruas ao redor. Também existia o custo de limpeza para o município, que precisava deixar algum funcionário à disposição apenas a cargo deste trabalho. A solução encontrada inicialmente foi a de colher as mangas enquanto ainda estavam verdes para evitar os problemas acima mencionados. Porém, depois o governo decidiu transformar o pomar numa praça, dando continuidade ao ambiente gerado pela Praça Coronel Paula Ribeiro. As obras da praça foram continuadas pelo novo governo, que executou o calçamento da área interior da praça, plantou espécies vegetais nos jardins e colocou iluminação pública pelos caminhos. No relatório do ex-prefeito José Cristóvão Ramos é citado que existiu um projeto para a construção da praça. Porém, não há dados relativos ao autor e muito menos ao projeto, propriamente dito. A inauguração da Praça Dona Sinhá ocorreu em 1957, com uma grande festa popular. Segundo o Sr. Antônio Parisi Queiroz, antes da construção da praça havia um passeio com calçamento ao redor da área das mangueiras.
O traçado e o calçamento da Praça Dona Sinhá ainda são os mesmos de sua inauguração, as modificações no ambiente acontecem com o plantio de diversas plantas pelos jardins. A última notícia que se tem de alterações significativas na Praça Coronel Paula Ribeiro também se refere ao governo que terminou em 1954.
Já na época das mangueiras havia o “footing” onde rapazes e moças iam passear na praça para paquerarem. Eles ficavam caminhando no passeio externo, os rapazes em sentido horário e as moças em sentido anti-horário; caso houvesse algum interesse de ambas as partes, o então casal ia para o centro da praça para conversar e se conhecer. Afirma-se que muitos dos casamentos do município saíram destes passeios. Dona Sinhá foi a Sra. Margarida Augusta Ribeiro. Nasceu em 1873, na cidade de Guaranésia e faleceu em 1949, em São Paulo. Foi responsável por mobilizações da população mais abastada do município para realização de projetos de caridade. A escolha de seu nome para uma das principais praças da cidade se deve ao fato de ter sido ela uma benemérita e grande mulher na história de Guaranésia.
A ornamentação dos jardins das duas praças é modificada de tempos em tempos no que diz respeito a espécies vegetais de pequeno porte. No entanto, não existe nenhum projeto paisagístico específico para este fim.
Desde sua inauguração, a Praça Coronel Paula Ribeiro teve vocação para concentração de festas religiosas e a Praça Dona Sinhá para festas populares. As duas praças encontram-se no local de início da povoação do município e, durante toda a sua existência são o ponto de encontro da população local e de visitantes, inclusive nos dias atuais. Todos os domingos no final da tarde a Corporação Musical Santa Bárbara toca músicas tradicionais e contemporâneas no coreto da Praça Dona Sinhá.
O banco do “S”, localizado na Praça Coronel Paula Ribeiro, no encontro das ruas Prudente de Moraes e Santa Bárbara, é um tradicional ponto de encontro dos aposentados do município.
Com o crescimento urbano, as praças se tornaram deslocadas do ponto central da malha urbana. Porém, devido à tradição de ser ali o local de encontro das pessoas, o local ainda é o centro da cidade, em diversos sentidos: como bairro Centro, como principal ponto de encontro e aglomeração popular, como local de importância histórica para a cidade, não apenas pelas praças, mas também pelo entorno.
As praças centrais realmente são as principais referências para os cidadãos guaranesianos.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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