Igarapé – Conjunto de Coroas da Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e São João Batista e da Guarda de Moçambique Rosário de Maria
O Conjunto de Coroas da Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e São João Batista e da Guarda de Moçambique Rosário de Maria foi tombado pela Prefeitura Municipal de Igarapé-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Igarapé-MG
Nome atribuído: Conjunto de Coroas da Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e São João Batista e da Guarda de Moçambique Rosário de Maria
Localização: Igarapé-MG
Descrição: Festa do Rosário de Igarapé reúne 22 guardas do congado de cidades vizinhas
A comemoração reuniu mais de mil pessoas no bairro Fernão Dias durante todo o dia e parte da noite
O domingo (24/6) foi de fé, devoção e ritual sagrado para a Guarda de Congado da Irmandade de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e São João Batista, em Igarapé.
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Incorporando os personagens de reis, rainhas, portas-bandeiras, capitães-regentes, dançantes, cantadores e caixeiros, cada grupo de congado – também denominado de reinado-, alegrou o público com o batido e o ritmo de suas caixas, folhas e gungas.
Nos cânticos de louvor a Rosário, a comoção também teve presença garantida, como neste refrão: “Ainda me lembro no dia de hoje , eu me lembro com alegria quando Nossa Senhora me coroou com o rosário de Maria”.
Comoção que a segunda capitã-regente da Guarda de Marujos Nossa Senhora do Rosário de Roça Grande, de Sabará, Cássia Aparecida Lopes, 53, também não esconde ao falar de sua fé. “Venho à festa do Rosário de Igarapé todos os anos. Ainda dentro da barriga da minha mãe, ela prometeu que eu caminharia sempre louvando Nossa Senhora do Rosário – a protetora do negros, promessa que carrego no coração e na alma”.
“A festa de Nossa Senhora do Rosário é uma festa de resistência”, avalia o historiador e também capitão-regente da guarda do Congado da região do Citrolândia, em Betim, André Bueno. “Querendo ou não, ainda existem preconceitos contra nós, negros, e somos tolhidos de nossos direitos sociais e religiosos. Assim, a festa que tem influência católica e africana é uma resposta a essa discriminação que perdura há 300 anos”, complementou Bueno.
Fonte: Prefeitura Municipal.
História: Orgulhosas de terem nascido no Congado, Raquel Neto, 44, e Ana Carla Simões,17, ambas da guarda do município de Piracema, também prestigiaram a festa do rosário, em Igarapé, e nos contaram a história que é passada de geração em geração sobre a origem da devoção dos negros à Nossa Senhora do Rosário.
A história remonta ao período de chegada dos primeiros navios negreiros ao Brasil. “Os brancos, senhores que mantinham negros no cativeiro, construíram uma capela de ouro para abrigar a imagem da santa. No entanto, essa imagem sempre voltava para o mar. Certa vez, alguns escravos a buscaram no mar e a colocaram em um altar simples erguido por eles na senzala. Desse dia em diante, Nossa Senhora nunca mais voltou para o mar. Daí a conclusão que Rosário é mesmo a protetora dos negros”, afirmaram as integrantes do Congado de Piracema.
Todos esses detalhes sobre a história são representados nos ritos e coreografias do congado. O Reinado conta com duas guardas: a guarda de Congo e a de Moçambique.
Os moçambiqueiros usam as cores de Nossa Senhora: o azul e o branco. Já os congadeiros se vestem de rosa e flores coloridas, que simbolizam o caminho de galhos e flores para a passagem da santa.
Durante a apresentação do congado, o congo anuncia a chegada dos filhos de Rosário com seus ritmos rápidos e ágeis . Assim, eles abrem passagem para que Moçambique conduza reis e rainhas do reinado africano; Nossa Senhora do Rosário e demais santos de devoção.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: A atual cidade de Igarapé teve suas bases iniciais de ocupação do território no “garimpo de ouro” no distrito de São Joaquim de Bicase posteriormente na agropecuária. Para estabelecermos, sem margem de erros, as origens de uma cidade, devemos tomar como base fatos reais e não simplesmente pessoas. Certamente centenas de anos antes, por aqui já existiam fazendas e diversas famílias com residências fixas.Com base em documentos podemos afirmar que por volta de 1830, já existia muita gente vivendo no próprio local que seria mais tarde o Barreiro e ,posteriormente, a cidade de Igarapé. Mas estas pessoas nada fizeram de notável para que delas tivéssemos sólidas lembranças. Suas principais ocupações eram o trabalho rotineiro na fazenda e o objetivo que tinham em mente era o desenvolvimento econômico de seu próprio negócio. Ninguém, talvez, tivesse sequer o pensamento de construir algo em benefício comum, por exemplo, a construção de determinado trecho de estradas que favorecesse o transporte entre as fazendas. Cada um se preocupava consigo mesmo, sem se importar com o crescimento do lugar. Portanto, a idéia de que a origem da cidade remonta a estas antigas fazendas aqui existentes, não pode ser tomada como o marco da fundação de Igarapé. Afinal, naqueles tempos, ninguém antevia a possibilidade de vir a ser aquele lugar, a cidade que hoje vemos. Em 1880, quando o distrito de São Joaquim de Bicas entrava na sua fase de florescência, com a igreja, vigário e até Cartório de Paz, o Barreiro era constituído apenas por fazendas e fazendeiros. Aliás, é provável que nem o nome Barreiro já tivesse sido dado ao local, pois, só em 1894 encontramos em documentos o nome Barreiro. Já nessa época encontramos aqui diversas famílias que teriam sido alicerces sobre a qual se solidificou a cidade. A divisão de 1911 foi outro fato importante para o progresso. O Barreiro que era constituído de velhas fazendas, e, conforme já foi dito, tornou-se um lugar cobiçado por centenas de pessoas. Daí nasceu a necessidade de se criar casas comerciais e a construção de uma capela maior.
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Em 1938, o Barreiro foi elevado à vila de nome Igarapé. O nome, que vem do tupi-guarani, significa “caminho da canoa”, foi sugerido pela então esposa do governador de Minas Gerais, Benedito Valadares, Dona Odete Valadares. Passando pela cidade, ela notou a existência de vários córregos, semelhantes aos igarapés, existentes na Amazonas.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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