Jacuí – Antiga Usina Hidrelétrica
A Antiga Usina Hidrelétrica foi tombada pela Prefeitura Municipal de Jacuí-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Jacuí-MG
Nome atribuído: Antiga Usina Hidrelétrica
Localização: R. Antônio Marcondes, nº 184 – Jacuí-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 1376/2003
Descrição: O Prédio era casa de máquinas da Usina Hidrelétrica de Jacuí, não segue uma linha arquitetônica específica, mas tem, todavia, um elevado valor histórico. Sua construção deu-se por volta de 1918, por ocasião da implantação, na cidade, da energia hidrelétrica o que ocorreu em junho de 1919. Sendo obra custeada e desenvolvida pela Companhia de Força e Luz Siqueira Meirelles LTDA. Apresenta uma função bipartida, qual é um amplo salão localizava-se a casa de máquinas da antiga Usina Hidrelétrica e em outra parte as acomodações residenciais para o funcionário responsável pela mesma. A casa de máquinas esteve em funcionamento até 1945, quando foi desativada, pois foi implantada naquela época uma linha de transmissão de alta tensão vinda da usina São João. Mas até 1969 serviu como residência de funcionários da Empresa Siqueira Meirelles, como o senhor João Salgado. Em 1970 a empresa teve a concessão para o serviço de fornecimento de energia elétrica cassado, sendo suas linhas de transmissão encampadas pela CEMIG. Por uma longa data o prédio ficou abandonado, por volta de 1980 foi ocupado por Francisco da Silva, o qual pleiteou ação de usucapião e permanece no imóvel até o presente momento.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: Por meio de estudo de documentos municipais sabe-se que o nome do município de Jacuí, tem origem indígena do tupi-guarani, iacu-i significa rio dos jacus – tipo de ave muito encontrada na região naquela época, ou, ainda, i-acui, que significa rio enxuto, temporário.
Jacuí foi fundada em 1750, conforme se afirma na Revista do Arquivo Público Mineiro, de 1899 e também a Revista Arquivo Público Mineiro de 1928, em que diz que Jacuí foi fundada pelo Guarda-Mor das Minas do Rio Verde, Francisco Martins Lustosa em 1750.
O Fundador de Jacuí Francisco Martins Lustosa era natural de Santiago de Lustosa, Bispado de Braga em Portugal, tendo nascido em 1700, filho de Antonio Martino e Ângela Gomes. Casou-se em Mogi das Cruzes e mais tarde, residiu em Campanha – MG, onde foi comerciante e cortador de gado. Em 1750, Francisco Martins Lustosa passou a residir em Ouro Fino e logo a seguir, mudou para a região de Jacuí, onde fundou o Arraial.
Em 1764 Jacuí foi visitada por Luiz Diogo Lobo da Silva, governador de Minas Gerais o qual levantou uma Intendência de Missária, para administrar o lugar. Jacuí pertenceu muito tempo a Capitania e ao Bispado de São Paulo.
A principal causa do povoamento dos sertões sul mineiros foi o ouro. Bandeirantes e faiscadores foram atraídos em elevados números para todas as direções dos novos descobertos (as minas de ouro), palcos de muitas atividades por quase um século.
Em Jacuí para a defesa do tesouro do rei foram constituídos os Registros Fiscais e as Passagens dos Rios. Tiveram como objetivo a fiscalização e o pedágio, deste modo conservando o esplendor da corte e a melhora das finanças reais.
Dentre antigos registros, destaca-se Jacuí munida de cabos, soldados, fiéis e trabalhadores, tidos como possuidores de poder de permutar, ouro em pó e em barra e moedas cunhadas de ouro por moedas provinciais de prata, quando transportados por mineradores.
Um passo muito importante para a formação administrativa da freguesia de São Pedro de Alcântara do Jacuhy (antigo nome da atual Jacuí) foi quando o imperador alegando a necessidade do incremento da administração da justiça a um número crescente de cidadão residente na região, o aprimoramento da aplicação da justiça em prol dos negócios reais, elevou em 19 de Julho de 1814, a freguesia de São Pedro de Alcântara do Jacuhy, naquela época termo da Vila de Campanha da Princesa, a condição e status de denominação de São Carlos do Jacuí, com o território desmembrado da Vila de Campanha da Princesa (SILVA, 2004, p.80).
Sua instalação ocorreu em Primeiro de novembro de 1815, pelo Dr. Manuel Ignácio de Melo e Souza, primeiro Barão de Pontal e Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Mortes.
Ainda segundo SILVA (2004, p.81), a elevação de Arraial a categoria de Vila, significava a execução de um esboço administrativo e judiciário que permitia a afirmação enquanto unidade política, administrativa e judiciária independente. A partir da elevação de Jacuí a categoria de Vila ocorreu algumas melhorias como a denominação, que passou de São Pedro de Alcântara de Jacuhy a Vila São Carlos de Jacuhy, e a extensão territorial ficaram acrescentadas a freguesia de Cabo Verde a ser subordinado ao território da Vila São Carlos de Jacuhy, sendo composta pelas seguintes freguesias e tendo como sede Vila São Carlos de Jacuhy, Caldas, Passos e Vila Formosa de Alfenas.
Cumprindo o alvará régio de 19 de julho de 1814, que determinava a criação da Vila de São Carlos de Jacuhy, comunicado em despacho do Rio de Janeiro de 11 de agosto de 1814, recebido em São João Del Rey em 7 de outubro de 1814, o ouvidor da Comarca de São João Del Rey dirigiu-se pessoalmente ao arraial de São Pedro de Alcântara de Jacuhy para ali proceder a instalação formal da Vila de São Carlos de Jacuhy e conseguente provimento dos cargos e funções administrativas, judiciais e fiscais a serem ali estabelecidas. Assim, a 1º de novembro de 1815, instalava-se solenemente a Vila de São Carlos de Jacuhy. E foi no dia 2 de novembro 1815, que se cumpriu e preencheu os respectivos cargos a última parcela da determinação régia de 19 de julho de 1814, por meio de uma eleição dos representantes legais compondo os órgãos administrativos e judiciários pertencentes ao funcionamento da vila (SILVA, 2004, p.82). A partir desse momento iniciou-se uma nova fase administrativa, judiciária e cultural na historia de Jacuí.
Foi em 15 de outubro de 1869, pela Lei Provincial número 1611, que Jacuhy foi elevado à categoria de cidade, mas com os desmembramentos sucessivos de seu território perdeu grande parte de sua renda entrando em decadência, e pela lei 1641 de 13 de setembro de 1870, ficou reduzida a simples freguesia de São Sebastião do Paraíso. Graças ao esforço do Major José Antonio Rodrigues Mendes que, após enorme sacrifício, conseguiu reanimar do povo do município, fazendo renascer a esperanças de prosperidade nos cidadãos da época.
A Lei provincial número 1611 de 15 de outubro 1869, concedeu foros de cidade à sede do município de Jacuí que pela Lei provincial número 1641 de 13 de setembro de 1870, foi extinto. E foi após 11 anos de empenho dos lideres locais e da população que Jacuhy que por meio da Lei Provincial número 2784 de 22 de setembro de 1881, o território de Jacuhy foi desligado do município de São Sebastião do Paraíso e voltou a categoria de município. Recolocado como Vila e sede do município a sua reinstalação se deu em 06 de janeiro de 1883. Já em 22 de novembro de 1890 que Jacuhy foi então elevada à categoria de Vila constituída em município.
Em virtude da Lei estadual número 23 de 24 de maio de 1892 concedera-se foros das cidades à sede do município de Jacuí, que na divisão Administrativa em 1911, e nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de Primeiro de setembro de 1920, se compõe de dois distritos: Jacuí e Santa Cruz das Areias.
De acordo com a divisão do Estado fixada pela Lei estadual número 843 de 7 de setembro de 1923 e o quadro da divisão administrativa relativa ao ano de 1933 o município de Jacuí continua integrado pelo distrito – sede e pelo de Santa Cruz das Areias, assim permanecendo nos quadros de divisão territorial datadas de 31 de dezembro de 1937, bem como no anexo ao Decreto – Lei estadual número 88, de 30 de março de 1.938.
Também no decreto estadual número 1058 de 31 de dezembro de 1943, transferiu para a sede do município de São Pedro da União parte do território do distrito de Jacuí. Foi então em dezembro de 1962 que Jacuí perdeu mais uma parcela de seu território o que hoje é a composição da atual cidade de Fortaleza de Minas (antiga Santa Cruz das Areias), mas essa emancipação foi apenas política, pois continua termo da comarca de Jacuí.
Fonte: Prefeitura Municipal.
FOTOS:
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