Manhuaçu – Residência Villa Maria


Imagem: Dossiê de Tombamento

A Residência Villa Maria foi tombada pela Prefeitura Municipal de Manhuaçu-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Manhuaçu-MG
Nome atribuído: Residência Villa Maria
Localização: R. Júlio Bueno, nº 455/483, esquina com Praça Coronel João Pacheco – Bairro Santo Antônio -Manhuaçu-MG
Decreto de Tombamento: Deliberação 192/2018
Dossiê de Tombamento

Histórico do bem: A Villa Maria está inserida nesse contexto de desenvolvimento econômico; construída as margens do rio Manhuaçu na porção oeste da cidade no lado esquerdo da Ponte dos Arcos. A Ponte dos Arcos faz ligação entre a porção leste e oeste da cidade, transpondo o rio Manhuaçu. Primeiramente foi construída em madeira no final do século XIX e em meados da década de 1920 deu inicio a construção da ponte em arcos de cimento armado, sendo
inaugurada em 29 de janeiro de 19287. A Villa Maria e a Ponte dos Arcos foram as principais referências de entrada e de saída da cidade de Manhuaçu até a década de 1960.
O imóvel, hoje conhecido como Villa Maria, era até a década de 1930 uma loja comercial. Na década de 1940 a edificação foi adquirida pelo senhor João Cornélio de Aguiar, mais conhecido como Zé Aguiar. Nesse período o imóvel era um ponto comercial de esquina, com uma porta central e duas portas na lateral esquerda e duas portas na lateral direita.
“A parte lateral não existia e colocava cavalo aqui e debaixo da ponte. O pessoal vinha pra comprar era igual filme de faroeste, tinha aqueles dois paus e amarrava o cavalo ali e ia comprar. Dependendo, às vezes, pernoitava aqui, trazia a filha pra fazer o enxoval pra casar e comprava. E no comercio do meu pai tinha tecido, tinha bota, tinha enxada, tinha de tudo. Era um comércio bem variado, não tinha outro por perto, o outro comércio era só lá na Praça da Matriz. A entrada da cidade passava por aqui”. (Ronaldo Garcia de Aguiar)
A partir da década de 1950 a edificação foi ampliada tornando-se mista, isto é, abrigando comércio e residência. No fundo do imóvel foi construído quartos e banheiros e na lateral direita foi erguida uma varanda, sala, quartos e banheiros. A edificação tornou-se residência do senhor Zé Aguiar e família, assim como local de trabalho. A construção seguiu a mesmo estilo arquitetônico da loja comercial, com os detalhes das fachadas, telhados coloniais, portas e janelas de madeira, acima da esquadria da janela do quarto do casal, o senhor Zé Aguiar acrescentou o nome Villa Maria em homenagem a sua esposa, a senhora Maria Garcia de Aguiar. A homenagem segue uma prática influenciada pelos imigrantes portugueses responsáveis pela construção da Villa Sylvia e Villa Julieta. A Villa Julieta foi demolida e a Villa Sylvia situa-se na área central de Manhuaçu.
No quintal da Villa Maria havia inúmeras árvores frutíferas, tais como: parreira, jabuticabeira, laranjeira, mangueira entre outras. O terreno da edificação finaliza nas margens do rio Manhuaçu.
Nas décadas de 1940 e 1950, os moradores locais que faziam compras no comércio do Zé Aguiar, hoje Villa Maria, tinha o costume de amarrar os cavalos debaixo da ponte ou em sua lateral. Até a década de 1960 as ruas do entorno da Villa Maria eram de terra, somente na década de 1970, foi colocado paralelepípedos, sendo asfaltada no início do século XXI.
A loja comercial era interligada com a residência através de uma grande porta. José Mauricio destaca que imóvel tem mais de 80 anos, pois sua mãe, a senhora Maria Irene nasceu em 1941 e o seu avô já residia no imóvel.
Fonte: Dossiê de Tombamento.

Descrição: A Villa Maria, situada à Praça João Pacheco, 483, c/ rua Júlio Bueno no bairro Santa Luzia, configura-se como marco da história e processo evolutivo da cidade de Manhuaçu. Seu estilo eclético, comum à arquitetura do início do século XX, é marcado pelo uso de elementos decorativos na fachada e pelo ritmo das aberturas, que marca a separação entre o uso comercial e o uso residencial da edificação.
[…]
Inserida em lote de esquina, configurando a edificação com duas fachadas frontais, a Villa Maria faz uso da maior parte de seu afastamento frontal, ficando a fachada voltada para a Rua Júlio Bueno, inserida junto a divisa entre lote e via, e a fachada voltada para a Ponte dos Arcos possuindo recuo na parte que marca sua entrada.
Sua fachada esquerda também é executada até a divisa entre o lote e a edificação vizinha, sendo seu afastamento posterior o único local não edificado, local onde ocorre o quintal da Villa Maria, recebendo árvores frutíferas de médio porte e hortaliças.
Internamente, a Villa Maria possui um total de dezesseis cômodos, sendo subdividida em duas casas e tendo ainda o espaço onde era o comércio da família. Ambas as casas são alugadas, estando o comércio desativado no momento.
Voltada para a Rua Júlio Bueno ocorre a entrada e as janelas frontais de uma das casas que conforma a Villa Maria. No caso da porta, essa é executada em folha de madeira reguada, possuindo bandeira fixa em caixilho de madeira e fechamento em vidro martelado. As janelas possuem a parte inferior em veneziana de madeira e a parte superior em caixilho de madeira e fechamento em vidro martelado, também contando com bandeira fixa em caixilho e vidro
martelado.
Na esquina que liga as fachadas frontais, ocorre chanfro, ligando-as, possuindo uma das portas da parte comercial da Villa Maria. Além dela, ocorrem outras duas para o comércio, voltadas para a Ponte dos Arcos, sendo as três executadas em portas metálicas do tipo caracol. Ainda ocorriam mais duas portas da área comercial voltadas para a fachada frontal da Rua Júlio Bueno, que foram fechadas no ano de 2013.
Fonte: Dossiê de Tombamento.

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