Oliveira – Festa de Nossa Senhora do Rosário
A Festa de Nossa Senhora do Rosário foi registrada pela Prefeitura Municipal de Oliveira-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Oliveira-MG
Nome atribuído: Festa de Nossa Senhora do Rosário (Celebrações)
Outros Nomes: Festa do Rosário ou Congado
Localização: Oliveira-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 3.528 de 08/11/2015
Livro de Registro das Celebrações
Descrição: Chega-nos aos ouvidos, neste momento, o ruído das caixas dos congados, de permeio ao tilintar de chocalhos e reco-recos de ganzais, entre o estrepitar das vozes nas cantigas características.
Ouvindo e sentindo esse regozijo dos pretos, não sabemos mesmo porque, nos transportamos a épocas remotas!
A recordação nos traz nitidamente à memória a antiga capela do Rosário, de Oliveira, com seu adro enorme e muito alto do lado da Casa da Câmara.
Quanta gente! A enorme praça parecia não conter todo aquele povo, aquela multidão que se acotovelava na ânsia de assistir às danças dos pretos.
Apoiados em tripeças e espalhados sobre as lages do adro, viam-se taboleiros de biscoitos, doces, pastéis e pés-de-moleques. O Olímpio oferecia os doces do Bazico e Procópio as broas de fubá de cangica e os biscoitos pubos de d. Maria do Nico, não faltando também os bolos e biscoitos de amendoim de D. Maria Rosa.
As moças da roça, em vestimentas singelas mas com as faces rubras, ao natural, sem pintura, indicando saúde e sangue puro, lançavam olhares brejeiros aos moços da cidade que, a medo, correspondiam, pois bem seguros estavam de que por ali andariam os pretendentes da roça. Apesar desse temor o flert era inevitável.
Quantos ternos de congado! Dez ou mais, talvez. Saiotes de cetim, onde a cor rosa predominava, saias brancas, de cambraia com barras de rendas finas e calças (que hoje chamamos cuecas) do mesmo pano, era a indumentária dos congados. À cabeça traziam um capacete de papelão enfeitado com papel de seda, ostentando no alto um espelhinho redondo que refletia os raios solares para todos os lados. Os instrumentos, ganzais, carretilhas, cuicas e tamboris, eram também enfeitados com papel de seda e fitas azuis e vermelhas.
O terno que ostentava mais luxo era o de que faziam parte o Ramiro, Pedro dos Reis, Serapião, João Florescena, Joaquim Bonifácio, Belisário, Estevam etc. Até as senhoras da sociedade oliveirense emprestavam aos pretos seus cordões de ouro para que eles se adornassem!
O pai Adão e o tio Lúcio, durante o ano inteiro arrastavam-se pelas ruas da Cidade, recurvados e molengas, mas no reinado se mostravam lépidos no terno de moçambique a saracotiarem como meninos!
Ao chegar o reinado à capela do Rosário vinha o saudoso Padre José Teodoro recebe-lo à porta, para a asperção de água benta. Em seguida os guarda-coroas tomavam a porta e terçavam as espadas.
Lá em cima, das janelas do coro, observa-se o grandioso espetáculo dos guarda-sóis intermináveis cobrindo, como se extenso palio, aquela multidão de juízes e dignatários do reinado.
Entrando o reinado na igreja, tomavam os reis grandes e perpétuos seus lugares nos tronos, armados com vistosos docéis e dali eram trazidos, um a um, ao altar, pelo Capitão Hilário, todo garboso no seu uniforme branco, com dragonas douradas a pender-lhes dos ombros. Após a cerimônia da aposição ou reposição da coroa desciam os reis até a mesa, colocada logo abaixo do altar e nela depositavam um envelope, ocupando de novo seu lugar no trono. Vinham depois os príncipes, dignatários e juízes que, voltando do altar, depositavam na salva o seu envelope e esses logo se espalhavam sobre a mesa, tão numerosas eram as espórtulas.
Terminada a solenidade se retirava o cortejo e então o Sr. Marianinho Ribeiro, Capitão Juca, e o Mateus de Oliveira, começavam a romper os envelopes deles retirando as cédulas que eram desdobradas e colocadas em pilhas sobre a mesa. Lá fora os ternos tomavam posição para conduzirem os reis às suas casas.
Nos pátios reais eram servidos biscoitos, broas, doces e bebidas aos congados, fartamente e os ternos iam-se revesando ali até alta hora da noite. Enquanto durasse a recepção ficavam as portas dos reis guardadas por espadas terçadas, bastando, entretanto um dá licença, para que as lâminas se erguessem para tornar a passagem livre.
No dia seguinte havia idêntica solenidade para reposição da coroa aos novos reis.
Terminava a festa com soleníssima procissão de Nossa Senhora do Rosário, que os pretos acompanhavam com muito respeito e devoção, fazendo-se duas longas filas de congados com seus instrumentos emudecidos. Entrada, porém, a procissão, voltavam eles à rua e retomavam seus regozijos, dançando de porta em porta, para recolher donativos do povo.
No dia seguinte desciam a bandeira que era conduzida à casa do Zelador Senhor Zeca Teixeira e estava encerrada a festa.
Hoje se ergue no local da Capela do Rosário, que foi demolida, a suntuosa Catedral, (ainda não acabada) do Bispado de Oliveira.
Fonte: José Demétrio Coelho.
Histórico do município: “Oliveira é filha de uma encruzilhada”. Essa é a primeira frase do capítulo I do livro História de Oliveira, escrito durante três anos e publicado em 1961 pelo itaunense Luís Gonzaga da Fonseca. Na sequência, o autor complementa: O que equivale a dizer que ela é filha da sua própria geografia: um entroncamento de caminhos provocou, pelo comércio e pelo cultivo do solo, o aparecimento do lugar (FONSECA, 1961, p. 17).
Até boa parte do século XVII, essas terras, que hoje fazem parte da região Oeste de Minas, eram ocupadas pelos índios Carijós que, na sequência histórica, foram desalojados pelas tribos Cataguás (ou Cataguáses) que por ali permaneceram até a chegada do primeiro “homem branco”, o bandeirante Lourenço Castanho Tanques que violentamente expulsou aquela tribo por volta de 1670.
Tanques partiu de São Paulo na trilha do bandeirante Fernão Dias, mas, em certa altura de sua marcha, desviou-se para o Oeste rumo às ricas plagas goianas. A este caminho, que mais tarde também viria a ser desbravado por outros bandeirantes, como Bartolomeu Bueno Anhanguera, foi dado o nome de “Picada de Goiás”.
A Picada de Goiás era um atalho para as terras goianas que, em longos trajetos e com diversas encruzilhadas fazia, no século XVIII, a ligação de quatro importantíssimas capitanias: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Para rechaçar os aquilombados, os governantes de Minas Gerais, além de organizarem tropas de combate, foram retalhando em sesmarias o Campo Grande, concedendo-as aos abridores de caminhos e aos conquistadores daquelas terras. Tudo isto ocorreu por volta de 1752, ou seja, as verdadeiras tentativas de colonização do território oliveirense ocorreram setenta e seis anos depois da passagem do primeiro “homem branco” pela região.
Segundo Luís Gonzaga da Fonseca (1961), não se pode precisar a data que o topônimo “Oliveira” veio substituir o antigo nome “Campo Grande da Picada de Goiás”. Outra coisa que não se pode determinar, com absoluta certeza, é a origem deste atual nome da cidade.
A Picada de Goiás era um atalho para as terras goianas que, em longos trajetos e com diversas encruzilhadas fazia, no século XVIII, a ligação de quatro importantíssimas capitanias: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Este importante caminho ganhou suas honras ao levar diversos homens à exploração do ouro, inicialmente em Tamanduá (hoje Itapecerica) e depois em Paracatu. Em meados do século XVIII, estas regiões eram abastadas do rico mineral e com os exploradores, vinham pela Picada de Goiás escravos, alimentos e utensílios para subsidiar a mineração.
A colonização do território, que mais tarde constituiria o município de Oliveira, prende-se a um conflito desencadeado no oeste mineiro, em meados do século XVIII. Esse conflito, que durou anos e custou várias vidas (principalmente as dos homens negros), passou para a história com o nome de “Conquista do Campo Grande”.
Entendia-se por Campo Grande toda a região ocidental, compreendida entre o Rio das Mortes (cuja nascente encontra-se na cidade de Santos Dumont, na Serra da Mantiqueira) e as cabeceiras do rio São Francisco, indo até bem próximo dos sertões da Farinha Podre (hoje a cidade de Uberaba).
Dentro desta região, Oliveira era conhecida como “Campo Grande da Picada de Goiás” ou “Campo Grande da Travessia de Goiás ou ainda “Caminho Novo de Goiás” pois se localizava, de fato, na travessia, em um atalho para aqueles que se dirigiam às terras goianas (FONSECA, 1961).
Segundo Fonseca (1961), em terras hoje oliveirenses encontravam-se grandes concentrações de ex-escravos foragidos, e foi a partir do combate entre esses rebelados e os “homens brancos” que surge a colonização do território.
Para rechaçar os aquilombados, os governantes de Minas Gerais, além de organizarem tropas de combate, foram retalhando em sesmarias o Campo Grande, concedendo-as aos abridores de caminhos e aos conquistadores daquelas terras. Tudo isto ocorreu por volta de 1752, ou seja, as verdadeiras tentativas de colonização do território oliveirense ocorreram setenta e seis anos depois da passagem do primeiro “homem branco” pela região.
Segundo Luís Gonzaga da Fonseca (1961), não se pode precisar a data que o topônimo “Oliveira” veio substituir o antigo nome “Campo Grande da Picada de Goiás”. Outra coisa que não se pode determinar, com absoluta certeza, é a origem deste atual nome da cidade.
A origem mais difundida está amparada na religiosidade; o nome Oliveira surgiu em homenagem à santa católica “Nossa Senhora da Oliveira”. Em Portugal, Nossa Senhora da Oliveira era invocada como padroeira dos oficiais confeiteiros, carpinteiros de carruagem e de carros em geral. Erguida a igreja em honraria à santa (por volta de 1785), no interior da matriz foi escrita a seguinte frase em latim: Quase oliva speciosa in campis. Esta frase significa “como a Oliveira no campo dos belos lugares”, o que fazia uma relação do belo cenário paisagístico natural com a santa portuguesa.
Pertencente à antiga comarca do Rio das Mortes, Oliveira passou por vários processos até chegar ao seu formato municipal atual. Após a sequência histórica que vimos, resumidamente, nas seções anteriores, por volta de 1785 o padre Bonifácio da Silva Toledo era o representante da Capela de Oliveira. Em 1798, o padre português Francisco de Paula Barreto inaugura o Curato de Oliveira que, posteriormente, por ele seria dirigido. Neste período, a região já possuía significativa quantidade de fazendas, onde a maioria dos habitantes do Curato residiam, mas aos domingos a população se encontrava no núcleo para participarem da missa dominical obrigatória (SAINT-HILAIRE, 1975).
Em 1832, Oliveira é elevada – pelo decreto de 14 de julho do mesmo ano – à condição de Paróquia, sendo a ela filiados os Curatos de Nossa Senhora da Aparecida do Cláudio e de Nossa Senhora do Carmo da Mata (atualmente Cláudio e Carmo da Mata). Esses dois Curatos farão parte das primeiras células constitutivas do futuro município de Oliveira.
Após seis anos (1838), Oliveira assume o patamar de Freguesia, mas, sem delongas, no dia 16 de março de 1839, Oliveira é elevada à categoria de Vila, pela lei provincial 134. A partir daí, ela assume sua municipalidade tendo sua primeira câmara municipal eleita no mesmo ano.
De acordo com os dados de emancipações extraídos de Furtado (2003), Oliveira emancipou-se do então município de Tiradentes em 1938 assumindo, geograficamente, ampla forma espacial.
Fonte: Prefeitura Municipal.
MAIS INFORMAÇÕES:
José Demétrio Coelho
Congado em Oliveira – MG
As Lutas Políticas dos Congadeiros de Oliveira
Prefeitura Municipal
Prefeitura Municipal
Prefeitura Municipal
Prefeitura Municipal
Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais
