Pará de Minas – Arte Ceramista


Imagem: Prefeitura Municipal

A Arte Ceramista de Pará de Minas revela-se como um ofício que construiu suas próprias tradições, ainda que articuladas a conhecimentos e práticas milenares.

Prefeitura Municipal de Pará de Minas-MG
Nome atribuído: Arte Ceramista
Localização: Pará de Minas-MG
Plano de salvaguarda

Descrição: A Arte Ceramista de Pará de Minas revela-se como um ofício que construiu suas próprias tradições, ainda que articuladas a conhecimentos e práticas milenares. Vem acompanhando a existência do homem em diversos tempos e espaços, revelando-se como pistas de vivências materiais e simbólicas de diferentes agrupamentos sociais. Atualmente, a referida manifestação cultural tem como pólo irradiador a Escola Municipal de Artes e Ofícios Raimundo Nogueira de Faria – Sica, situada na rua Dr. Higino, s/nº, Centro, Pará de Minas, onde os professores e colaboradores produzem suas obras para exposição ou comercialização e desenvolvem sua criatividade. Para o desempenho de suas atividades, a Escola Municipal de Artes e Ofícios – Sica, dispõe de matéria prima, espaço, materiais e ferramentas que possibilitam a continuidade da prática ao longo do tempo.
O principal expoente que incentivou e motivou os artistas a representarem esta forma de expressão cultural, fora Raimundo Nogueira de Faria, mais conhecido como Sica. Este artista tornou-se conhecido por ensinar suas técnicas a crianças e adolescentes do povoado de Paiol, mas foi no distrito sede que sua fama artística se consolidou, desdobrando-se em trabalhos educativos por meio do Centro de Artesanato Salem – onde aprimorou seu ofício e lhe atribuiu contornos profissionais. Posteriormente, as atividades desempenhadas na Escola Municipal de Artes e Ofícios proporcionaram a formação de grandes artistas locais que passaram a atuar no ensino da arte ceramista. Por meio deles, projetos culturais passaram a ser desempenhados em diversas instituições sociais espalhadas por todo o distrito sede. A promoção dessa modalidade artística como forma de expressão cultural ainda ocorre por meio dos grupos de alunos da escola – oriundos do distrito sede, povoados e distritos diversos – os quais são educados para difundirem os conhecimentos na arte da cerâmica em suas comunidades de origem.
Atualmente a Escola Municipal de Artes e Ofícios – Sica possui 476 alunos matriculados em diversos cursos, sendo que na Arte Ceramista são 148 alunos (aproximadamente). Estes alunos possuem perfis sociais diferenciados, mas encontram-se divididos em turmas por faixa etária: há grupos de crianças de 4 a 6, 7 a 10, 11 a 14, acima de 15 anos e 3ª idade. As aulas de cerâmica são ministradas atualmente por Eloísa Xavier, Wagner Vasconcelos e Alexandre Pinto. As oficinas ocorrem no porão da casa que abriga a instituição. A infra-estrutura destinada ao curso de cerâmica conta com mesas para o manuseio das peças, tanque para lavagem, torno para carâmica, espaço de armazenamento da argila, estantes destinadas ao acervo dos estudantes, mesas para a exposição e secagem dos artefatos, forno para queima de raku, forno elétrico para a queima das peças e um extrusor (maromba), o que facilita ainda mais o manuseio do barro tanto para os alunos quanto para os profissionais. As ferramentas destinadas à atividade são improvisadas: pedaços de madeira, garfo, faca, material de dentista servem para materializar as ideias em traços e contornos. A argila, por sua vez, é fornecida pela Prefeitura que a busca na cidade de Antunes, Igaratinga e Torneiros por meio de fábricas de tijolos e telhas, as quais doam o material. De acordo com os professores ceramistas, a matéria prima das peças também pode ser adquirida em meio natural: alguns professores buscam pedaços de argila em barrancos onde o solo material é dotado de características especiais – compostos por diferentes minerais. Nesse caso, a argila revela colorações distintas, as quais atribuem tons particulares à cerâmica trabalhada.
Ao longo de sua existência, as aulas de cerâmica atraíram pessoas com motivações diversas. As turmas são formadas no máximo por 10 alunos – lotadas conforme o horário disponível no semestre, onde tais estudantes articulam os conhecimentos artísticos com o exercício da reflexão e abstração, além da sociabilidade em grupos plurais.
Muitos alunos iniciam-se na atividade e despertam o interesse e a habilidade para as artes plásticas. Outra forma de ingresso nas turmas de Arte Ceramista é por meio dos demais cursos oferecidos na escola: muitos alunos desenvolvem simpatia pelas atividades e então procuram novas formas de expressão artística, o que eventualmente os leva para as aulas de cerâmica. Muitos desses alunos se tornaram professores e hoje desenvolvem belíssimas peças destinadas a exposições ou à comercialização.
Assim ocorreu com grandes artistas plásticos que hoje compõem o “Grupo de Produção de Cerâmica”. Criado em 1999, é formado atualmente por treze integrantes entre professores e ex-alunos. Os ceramista que compõem o Grupo são selecionados e convidados pela artista e coordenadora Eloísa Xavier que se basea na habilidade, criatividade e bom acabamento das peças. A formação atual compreende os artistas: Alfar Lima, Andréa Bessa, Cíntia Caldas, Clotilde Valdez, Degnaldo Miranda, Eloísa Xavier, Gabriel Domingos, Geralda Morato, Helena Honório, Leah Betônico, Luiza Yamamura e Rafael Domingos.
As peças produzidas pelo grupo são muitas vezes expostas no “Arte Mercado” – vitrine permanente que apresenta a produção artística da instituição para visitantes e turistas – e uma parcela dos recursos adquiridos com a venda é revertida para as atividades daqueles artistas.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: O topônimo Pará, segundo opinião do indianólogo Batista Caetano de Almeida e do engenheiro Teodoro Sampaio, significa rio volumoso, caudal, e colecionador de águas, sendo “de Minas” apenas um aditivo destinado a distinguir o município mineiro do Estado do Pará.
Os primórdios da povoação que deu origem à atual cidade do Pará de Minas remontam aos fins do século XVII, quando, em intenso movimento, dirigiam-se para as Minas de Pitangui as “bandeiras paulistas”. No roteiro que acompanhava os rios, lançavam-se os audazes aventureiros em busca do ouro, deixando trilhas aos pósteros.
Em um desses caminhos, nos territórios que se estendem entre os rios Paraopeba e São João, surgiu um ponto de pouso, às margens do ribeirão do Paciência e, nesse local, entre muitos outros, fixou-se o mercador português de nome Manoel Batista, alcunhado o “Pato-Fôfo”, que deliberou, mais tarde, abandonar o comércio que mantinha com os bandeirantes paulistas e explorar uma fazenda existente nas margens do Paciência. Seu apelido, segundo tradição, originou-se do fato de ter aquele português, que era muito gordo, a vaidade de querer passar por homem de grandes posses.
Manoel Batista foi, assim o desbravador da região e um dos seus primeiros moradores, tendo resultado dos seus esforços a construção da primeira capela local, que, em sua homenagem, foi cognominada “Capela de Nossa Senhora da Piedade do Patafufo” (corrutela de Pato Fôfo). Também o arraial que começou a se formar no local chamou-se, inicialmente “Arraial do Patafufo”.
Fonte: IBGE.

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