Pará de Minas – Lira Santa Cecília


Imagem: Prefeitura Municipal

A Lira Santa Cecília foi registrada pela Prefeitura Municipal de Pará de Minas-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Pará de Minas-MG
Nome atribuído: Lira Santa Cecília
Localização: Pará de Minas-MG
Livro de Registro das Formas de Expressão
Plano de salvaguarda

Descrição: -A história da Banda Lira Santa Cecília remonta ao início do século XX, em Pará de Minas, mas articula-se às heranças culturais das antigas bandas formadas durante o período colonial. Tais influências históricas estiveram associadas principalmente às bandas militares fundadas em várias partes do país, as quais influenciaram na organização e na dinâmica de bandas civis constituídas em grandes capitais ou em cidades interioranas. Essas corporações tornaram-se uma das instituições mais presentes no Brasil, sendo responsáveis pela formação de compositores e músicos instrumentistas – muitos dos quais seguiram carreiras profissionais independentes ou em orquestras sinfônicas. A popularização desses conjuntos no interior do país introduziu a música instrumental em lugares que não eram contemplados pelas grandes companhias sinfônicas, e assim esses grupos criaram suas próprias dinâmicas articuladas às influências históricas das bandas regimentais da corte. Em Minas Gerais foram inúmeros os municípios que abrigaram tais agrupamentos harmônicos, preservados ao longo do tempo como símbolos de formações identitárias.
Após o processo político de Independência do Brasil, as bandas de regimento tornaramse foco de atenção das autoridades militares, mas passaram a dividir espaço com as bandas da Guarda Nacional – organizações paramilitares criadas por lei em 1831. Estas últimas introduziram em seu repertório – formado principalmente por dobrados e marchas – a música erudita e popular, e acabaram contribuindo para a valorização dos instrumentistas como profissionais. A partir da década de 1840, o reaparelhamento do exército reforçou o número de músicos e de conjuntos musicais militares, e foi então que se popularizaram as retretas – apresentações em espaços públicos sem vinculação com as festas oficiais. As atuações dessas bandas fora do âmbito militar tiveram grande penetração social, revelando-se como elementos de expressiva influência no surgimento gradual de bandas civis.
A primeira metade do século XX vivenciou o florescimento dos estudos, das instituições e das práticas musicais no Brasil, todos mobilizados em torno de discussões sobre a identidade nacional, o folclore brasileiro e a dicotomia entre o erudito e o popular. É nesse contexto no qual eram pensadas novas formas de articulação entre os elementos eruditos e as manifestações populares, dentro de um crescente processo de urbanização e industrialização do país, que, no interior do Estado de Minas Gerais, no município de Pará de Minas, formouse a Banda Lira Santa Cecília.
A Banda Lira Santa Cecília foi fundada em 1937 sob inspiração de Antônio de Almeida Assis – que se tornou o primeiro maestro do grupo. Oriundo de Diamantina, Antônio nasceu em 1888 e se mudou para Pará de Minas no ano de 1930, ocasião em que desempenhava a profissão de químico industrial. Ali se estabeleceu como operário da Cia. Industrial Paraense, e posteriormente tornou-se diretor da Cia. Fiação e Tecelagem; abriu em seguida uma tinturaria como negócio próprio, além da Fábrica de Tacos São Luiz. Em suas trajetórias laborais fez grandes amigos que acabaram se tornando companheiros na música, inaugurando uma nova fase artística na cidade de Pará de Minas. Conta-se que a ideia de formar uma corporação musical surgiu da apresentação cívica, naquele município, de um antigo conjunto proveniente da cidade de Pequi, o qual executara um dobrado que teria admirado Antônio.
Dali ele convenceu seus amigos de trabalho e antigos instrumentistas da cidade a formarem uma banda, iniciando solfejos e exercícios práticos a partir de 1937. O nome atribuído ao
conjunto, a princípio, foi “Banda Santo Antônio” em homenagem ao seu fundador, caracterizando-se, desde então, como uma sociedade sem fins lucrativos, formada por indivíduos exclusivamente interessados em cultivar a arte da música. O conjunto exibia contornos amadores, mas trazia em sua bagagem a perseverança e o companheirismo dos amantes da música, acalentados com café, bolos, biscoitos, doces e mingau de milho verde frequentemente servidos aos ensaios por Floriza Assis, esposa de Antônio. O maestro permaneceu no posto até 1963, sendo substituído por João Pinto Aguiar.
Aos poucos o grupo foi crescendo, ganhando aprendizes e assumindo feições formais. O conjunto já tocava marchas, valsas e dobrados, com maior número de integrantes, uniformes, equipamentos e instrumentos que demandaram novos espaços de ensaio. Estes chegaram a ser realizados na sede do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fiação e Tecelagem, mas em 1945 foram suspensos por falta de recursos para a aquisição de partituras e a conservação de instrumentos, materiais e vestimentas. Alguns integrantes continuaram o exercício da música numa pequena banda de jazz, até que em 1947, retomaram-se as atividades do grupo como Banda de Música Lira Santa Cecília, cuja sede fora uma casa alugada com auxílios financeiros de Torquato Alves de Almeida – por meio da Cia. Industrial Paraense e Melhoramentos. Em 1954, a Prefeitura Municipal de Pará de Minas, por meio da Lei Municipal n° 279, doou para a corporação um terreno de 227 metros quadrados localizado à rua Monsenhor Lopes, destinado à construção de sua sede oficial. Naquele ano iniciaram os esforços para as obras, contando com contribuições do governo municipal, de empresas locais e de doações individuais. O local passou a abrigar os ensaios do conjunto, comportando os instrumentos, os documentos particulares e todo o mobiliário necessário para o exercício dos músicos.
Na década de 1960, a banda já realizava apresentações em festas cívicas e religiosas, em Pará de Minas e em outras cidades, compondo-se de músicos homens, em sua maioria adultos de diferentes classes sociais, os quais tocavam instrumentos de sopro e percussão. Para as apresentações, os integrantes vestiam ternos que lhes atribuíam ares de seriedade e afirmavam sua essência civil, distanciando-se do imaginário militar cultivado por conjuntos harmônicos do início do século XX. Suas atividades contavam com subsídios públicos, patrocínios e doações, e as despesas regulares muitas vezes eram pagas com os cachês recebidos em apresentações. Em cada evento, praça, ou coreto registravam-se novas experiências entre músicos e platéia, configurando-se ano a ano uma forte relação de identidade entre a Lira Santa Cecília e os pará-minenses. Nessas retretas, o conjunto tocava músicas populares, valsas e dobrados, muitos dos quais eram compartilhados entre maestros de outras corporações.
Dentre eles destacavam-se aqueles de autoria de Artur Quites e de Antônio Assis, além dos clássicos “Canção do Soldado”, “Dois Corações” e “Aliança Liberal”.
As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pelas regências de Vicente Silveira e Carlos Ribeiro da Silva. Com vistas a aprimorar a organização da banda enquanto espaço de conhecimento técnico e artístico, em 1986 foi aprovado um novo Estatuto que definia como
condição para eleição da diretoria que todos os candidatos e indivíduos eleitos fossem formados na área da música ou atuassem como músicos. E desde então a corporação tem seguido essa determinação para melhor atender as demandas e expectativas de seus integrantes.
A década de 1980 foi marcada pela comemoração dos 50 anos da Banda Lira Santa Cecília. Uma grande festividade foi organizada com o nome “Jubileu de Ouro”: programada para diversos finais de semana, a celebração contou com exposições, apresentações do conjunto, desfiles e congraçamentos. No encerramento do Jubileu foi realizado um imponente desfile de bandas – o “Bandão” – composto por 70 instrumentistas de Pará de Minas, Itaúna, São Gonçalo do Pará, Martinho Campos e Nova Serrana.
O final da década de 1980 e o início da década de 1990 foram marcados pela incorporação de mulheres ao conjunto que até então era formado e dirigido por homens. No referido contexto a banda já anunciava significativas mudanças: projetos sociais ganharam destaque em suas atividades, tais como o “Pra ver a banda passar”, por meio do qual o conjunto visitava distritos e povoados levando música aos moradores (Gazeta Paraminense, 1995); iniciou-se, ainda, um trabalho junto às escolas com a intenção de estimular o gosto pela música em jovens e pré-adolescentes, desdobrando-se em convites aos estudantes para a participação na banda. Foi nessa época que iniciaram as dificuldades relacionadas ao espaço de ensaio. Como solução provisória, no ano de 1987, o Museu Histórico, Documental, Fotográfico e do Som de Pará de Minas destinou um de seus cômodos para as primeiras aulas ministradas aos jovens músicos.
A intenção de estimular a renovação do quadro de músicos concentrou-se nos trabalhos educativos, levando à criação, no ano de 1996, da “Escola Municipal de Música Geraldo Martins – Geraldinho do Cavaquinho” como órgão da Secretaria Municipal de Cultura.
Funcionando nas dependências da sede da Banda Lira Santa Cecília, a instituição foi dotada de corpo docente formado por musicistas profissionais com funções de livre nomeação e exoneração. Na ocasião, os problemas relacionados ao espaço de ensaio se acirraram: por se tratar de um bairro residencial, moradores vizinhos à sede da banda intensificaram suas reclamações sobre o volume sonoro emitido por músicos e alunos em seus treinamentos. A edificação não possuía isolamento acústico e, por esse motivo, o som produzido pelos instrumentos resultaram em sérios conflitos com um dos vizinhos, desdobrando-se em atos de vandalismo na casa da banda (Gazeta Paraminense, 1999). A inviabilidade dos ensaios criou a necessidade de uma nova sede. Para suprir tal demanda, a Secretaria Municipal de Cultural disponibilizou um salão nas dependências da Casa de Cultura para o treinamento da corporação, onde ocorreram os ensaios até o ano de 2013. O espaço, contudo, revelou condições provisórias, não possuindo estrutura adequada para abrigar o conjunto. No ano de 2014, com a mudança da Câmara Municipal de Pará de Minas para um novo prédio, a sede da Banda Lira Santa Cecília passou a realizar todas as suas atividades nas antigas dependências da Câmara, o qual atende as atuais necessidades tanto da Banda quanto da Escola Municipal de Música.
No ano de 2001, Paulo César Ribeiro assumiu o posto de regente da banda no lugar de seu pai, Carlos Ribeiro da Silva, mas em 2009 desligou-se oficialmente da corporação, deixando o cargo vago para a seleção de um novo maestro. Ao longo de seis meses o conjunto foi regido por um dos músicos da banda Daniel Gonçalves da Silva: um jovem flautista que ajudou a manter unidos os laços e compromissos do grupo. No segundo semestre de 2009 foi contratado o atual maestro do conjunto: Fernando Stringhetta Frauches: músico formado pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), licenciado e habilitado em saxofone e em música popular-saxofone pela BITUCA: Universidade de Música Popular em Barbacena. A partir de 2009 a Banda Lira Santa Cecília se estruturou com novas ideias, projetando uma dinâmica coletivista que superou a lógica hierárquica herdada das antigas tradições de bandas militares. Na rotina semanal da corporação, o maestro introduz ao repertório arranjos sinfônicos de maior complexidade, mas procura abarcar diferentes gêneros, treinando ainda dobrados e músicas populares diversas.
Atualmente a corporação conta com uma intensa programação, dividindo-se entre encontros regionais de bandas e eventos citadinos. Os primeiros ocorrem principalmente no início do ano e proporcionam a integração dos músicos e a socialização com outras bandas.
Inúmeros vídeos e fotos tirados pelos integrantes registram – em blogs, reportagens jornalísticas e redes sociais – a descontração dos músicos proporcionada pelos referidos encontros. Os eventos da cidade, por sua vez, concentram-se em sua maioria no último semestre, com destaque para as festas cívicas e religiosas, tais como o aniversário da cidade, as comemorações da Independência e a festa da padroeira da cidade – todas realizadas no mês de setembro – além das apresentações natalinas.
Ao longo do tempo, a Banda Lira Santa Cecília assumiu características que se adequaram aos projetos e projeções de seus diretores, regentes e músicos. Tais indivíduos imprimiram suas ideias nas dinâmicas do conjunto, seja nos trabalhos rotineiros, nos repertórios, ensaios, na escolha dos uniformes e nos métodos de ensino. Inseridos em seus contextos comunicacionais, nas vivências dos espaços públicos e privados, esses sujeitos expressaram sua cultura por meio de instrumentos, consolidando seu papel histórico de mediadores entre a arte e o público paraminense.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: O topônimo Pará, segundo opinião do indianólogo Batista Caetano de Almeida e do engenheiro Teodoro Sampaio, significa rio volumoso, caudal, e colecionador de águas, sendo “de Minas” apenas um aditivo destinado a distinguir o município mineiro do Estado do Pará.
Os primórdios da povoação que deu origem à atual cidade do Pará de Minas remontam aos fins do século XVII, quando, em intenso movimento, dirigiam-se para as Minas de Pitangui as “bandeiras paulistas”. No roteiro que acompanhava os rios, lançavam-se os audazes aventureiros em busca do ouro, deixando trilhas aos pósteros.
Em um desses caminhos, nos territórios que se estendem entre os rios Paraopeba e São João, surgiu um ponto de pouso, às margens do ribeirão do Paciência e, nesse local, entre muitos outros, fixou-se o mercador português de nome Manoel Batista, alcunhado o “Pato-Fôfo”, que deliberou, mais tarde, abandonar o comércio que mantinha com os bandeirantes paulistas e explorar uma fazenda existente nas margens do Paciência. Seu apelido, segundo tradição, originou-se do fato de ter aquele português, que era muito gordo, a vaidade de querer passar por homem de grandes posses.
Manoel Batista foi, assim o desbravador da região e um dos seus primeiros moradores, tendo resultado dos seus esforços a construção da primeira capela local, que, em sua homenagem, foi cognominada “Capela de Nossa Senhora da Piedade do Patafufo” (corrutela de Pato Fôfo). Também o arraial que começou a se formar no local chamou-se, inicialmente “Arraial do Patafufo”.
Fonte: IBGE.

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