São Bento Ábade – Saga dos Sete Orelhas
A Saga dos Sete Orelhas foi registrada pela Prefeitura Municipal de São Bento Ábade-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de São Brás do Suaçuí-MG
Nome atribuído: Saga dos Sete Orelhas (Formas de Expressão)
Localização: São Bento Ábade-MG
Decreto de Registro: Decreto n° 060/14
Livro de Registro das Formas de Expressão
Descrição: Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas (Jacuí, 1761 — Lava Tudo, Lages, 16 de maio de 1808) foi um dos mais terríveis facínoras do interior brasileiro, pior que Lucas da Feira, Cunduru, Antônio Silvino, Lampião et magna concomitante caterva. Quando Januário morreu, Lages pertencia à Capitania de São Paulo, só passando a pertencer à Santa Catarina, por alvará de D. João VI em 1820.
Januário Garcia Leal foi um fazendeiro que vivia na propriedade denominada Ventania, hoje no município de Alpinópolis, situada no sul de Minas Gerais, juntamente com sua família e escravos. Em 21 de janeiro de 1802, recebeu carta patente assinada pelo Capitão General da Capitania de Minas Gerais, Bernardo José de Lorena, nomeando-o como Capitão de Ordenanças do Distrito de São José e Nossa Senhora das Dores (hoje Alfenas). Sua vida foi pacata até que um acontecimento trágico a mudou definitivamente: a morte covarde de seu irmão João Garcia Leal, que foi surpreendido na localidade de São Bento Abade por sete homens e atado nu em uma árvore, onde foi assassinado a sangue frio, tendo os homicidas retirado lentamente toda a pele de seu corpo.
A burocrática justiça colonial mostrou-se absolutamente indiferente ao episódio, deixando impunes os sete irmãos que haviam perpetrado a revoltante barbárie. Foi assim que, ante a indiferença dos órgãos de repressão à criminalidade, Januário associou-se a seu irmão caçula Salvador Garcia Leal e ao tio, Mateus Luís Garcia, e, juntos, os três capitães de milícias assumiram pessoalmente a tarefa de localizar e sentenciar os autores do crime contra João Garcia Leal, dando início a uma perseguição atroz que relembrou obscuros tempos da história da humanidade, quando a justiça ainda era feita pelas próprias mãos.
A lei escolhida por Januário, chefe do bando de justiceiros privados, foi a de talião, ou seja, a morte aos matadores – com o requinte estarrecedor de se decepar uma orelha de cada criminoso, juntando-as em um macabro cordão que era publicamente exibido como troféu pelos implacáveis vingadores.
Somente depois de decepada a última orelha dos criminosos é que Januário deu-se por satisfeito. Até então, grande parte da então Capitania de Minas Gerais ficou sujeita à autoridade dos vingadores, que chegaram a desafiar magistrados e milicianos, sendo necessária a dura intervenção de Dom João VI, então Príncipe Regente de Portugal, para tentar debelar a ação dos capitães revoltados, que foram duramente perseguidos.
Segundo a tradição oral, relatada por Gustavo Barroso, o “Sete Orelhas” teria morrido em decorrência de um acidente numa porteira. A morte se deu por um trauma que, por ironia do destino, foi na região da orelha direita, fraturando-lhe o crânio e o queixo. Tal trauma ocorreu quando o capitão cercava um cavalo que pulou uma porteira de varas, vindo uma das varas a desferir-lhe o golpe fatal.
Teria sido a história de Januário Garcia Leal mais impressionante do que a do cangaceiro Lampião, como afirmado por Gustavo Barroso? O “Rei do Cangaço” atuou no Nordeste brasileiro por mais de duas décadas e se valia dos meios de comunicação da época, inclusive a fotografia, para a construção de seu próprio mito.
Quanto a Januário e seu bando, sacudiram a Capitania de Minas Gerais, sobrepondo-se às autoridades policiais e judiciárias, conquistando fama e respeito com seus impressionantes feitos, sem que precisassem contar com qualquer instrumento de propaganda. A ação dos vingadores em Minas Gerais, segundo um documento do período, colocava em risco a soberania do próprio Estado português. Mais um detalhe merece destaque: Januário Garcia Leal sempre viveu na região Sudeste do Brasil.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: As primeiras notícias acerca das terras em que hoje situa o município de São Bento Abade datam de 1752, com a sesmaria denominada Deserto Dourado, concedida ao Padre José Bento Ferreira de Toledo nesse mesmo ano. Teria ele sido o primeiro homem civilizado a habitar a região e uma capela por ele construída em sua fazenda, denominada Campo Formoso e Campo Belo, como era conhecida, foi o primeiro marco de fé da localidade. Esta área teria pertencido à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição das Carrancas, àquela época.
O Sacerdote ali se fixou para a catequização de índios e exploração agropastoril de sesmaria que lhe foi concedida. Em meados do século XVIII construiu a capela de São Bento, dotando-a de um patrimônio. Em 1752 é instalada a sede da Fazenda São Bento do Campo Belo, onde hoje se localiza o município de São Bento Abade.
Na época da ocupação feita pelo Pe. Bento Ferreira naquelas terras, várias famílias se fixaram ali, atraídas na época pela mineração do Ouro e pela fertilidade das terras propícias à agricultura e pecuária, atividades que até hoje predominam na economia do município. A história conta que em 1794, foi construída a primeira casa do povoado pelo Sr. Manoel Francisco Ferreira. Em seguida instalou-se no povoado o Capitão Manoel Álvares, seguido de outras famílias, aumentando consequentemente o núcleo populacional. Não se tem informações precisas sobre a data de fundação da 1ª Capela, mas segundo o livro do tombo da Igreja Matriz São Bento Abade de (1925–1995), esta data é aproximadamente em torno do ano de 1700.
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O povoado foi elevado a distrito pelo Advento de Decreto Lei 148 de dezembro de 1938, com denominação de São Bento, pertencendo a Carmo da Cachoeira. Em 31 de dezembro de 1945 teve seu nome mudado para Eremita e, finalmente, por intermédio da Lei 2.764 de 30 de dezembro de 1962, foi criado o Município com denominação de São Bento Abade e seu território foi desmembrado de Carmo da Cachoeira. A origem toponímica do município se deve à devoção do seu povoado ao eremita São Bento, a quem o Padre José Bento chegou a dedicar uma capela construída na fazenda Campo Belo. Mais tarde o povoado de São Bento, conservando esse nome, quando passou a distrito. Entretanto foi emancipado com a denominação de São Bento Abade a fim de distingui-lo daqueles municípios cujos nomes eram semelhantes. (BARBOSA, 1971,446-447).
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Em 1831, o município de Lavras foi criado, sendo seu território desmembrado de São João Del Rei. De Lavras, em 1841, desmembraram-se Três Pontas e daí Varginha, em 1881. As próximas divisões aconteceriam sob os auspícios da Republica: Carmo da Cachoeira, desmembrado do território de Varginha em 1938 e finalmente São Bento Abade, transformado em distrito de Carmo da Cachoeira pelo Decreto lei 148 de Dezembro de 1938, com a denominação de São Bento.
Em Dezembro de 1945, teve seu nome mudado para Eremita e, finalmente, por intermédio da lei 2.764 de 30 de Dezembro de 1962, criou-se o município com denominação de São Bento Abade e seu território foram desmembrados de Carmo da Cachoeira.
Fonte: Prefeitura Municipal.
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Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais

