Ubá – Congado de Nossa Senhora do Rosário


Imagem: Prefeitura Municipal

O Congado de Nossa Senhora do Rosário foi registrado pela Prefeitura Municipal de Ubá-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Ubá-MG
Nome atribuído: Congado de Nossa Senhora do Rosário (Celebrações)
Outros Nomes: Registro do Congado de Nossa Senhora do Rosário de Ubá, Congado de Nossa Senhora do Rosário de Ubá
Localização: Ubá-MG
Decreto de Tombamento: I. 001/2014
Livro de Registro das Celebrações

Descrição: O Congado é a representação da Fé, mantendo vivas as tradições africanas em Minas Gerais. Organizados em Irmandades, Confrarias e Ordem Terceiras, os diversos grupos étnicos, classes sociais e categorias profissionais se organizavam em torno de Irmandades específicas, sob a Fé em um ou outro santo padroeiro. Os negros escravos e forros compunham as Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, ou as de santos negros, como Santa Efigênia e São Benedito.
Nas Confrarias e Irmandades da Igreja Católica, era permitido aos negros incluir, nas celebrações de devoção à Nossa Senhora do Rosário e aos santos pretos, certos rituais africanos como a Coroação de Reis e Rainhas, além de poderem fazer uso de seus instrumentos de percussão na execução de suas músicas e danças. Os rituais africanos de eleição de Reis e Rainhas foram comuns em todo o Brasil, tendo ocorrido também em outros países da América e em Portugal. No Brasil , a coroação de Reis de Congo já era realizada na Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Recife(PE), em 1674. O registro mais antigo da ocorrência da história do Congado em Minas Gerais data de 1711. Vinculada às origens do Congado em Minas, há também a história de Chico Rei, antigo Rei Africano que teria vindo como escravo para Vila Rica (atual Ouro Preto), no século XVIII. Reis e Rainhas Congos ainda hoje são presenças de máxima importância nos rituais do Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Eles representam tanto as nações africanas quanto os Reinados Sagrados. Como mantenedores de uma tradição oral, os Congadeiros repassam seus conhecimentos aos mais jovens, que assim, recebem o Patrimônio Cultural dos antepassados. Acompanhando as Guardas de Congo e Moçambique, as crianças ouvem e aprendem a linguagem dos cantos. Ao dançar, ao ritmo dos mais velhos, sabem que estão aprendendo a lição dos ancestrais.
Em Minas Gerais , existem cerca de três mil Guardas de Congado registradas na Federação Mineira de Congadeiros. Em Ubá, os congadeiros acreditam que esta centenária manifestação da cultura popular tenha chegado antes da Abolição da Escravatura (em 1888).
A banda de Congado Nossa Senhora do Rosário desfila pelas ruas de nossa cidade, respeitando uma estrutura de muitos anos. Primeiro surgem os Congadeiros com a Comissão de Frente, trazendo nas mãos uma faixa ou um cartaz. Em seguida, a Bandeira de N. S. do Rosário. Há vários anos este estandarte, considerado um elemento SAGRADO, vem sendo conduzido pela Dona Terezinha de Jesus (atualmente com seus 79 anos). Dois pares de Corta Ventos chegam, em seguida, com suas espadas, dançando e cortando o que acreditam ser as “energias negativas”. Os Corta Ventos sempre vêm acompanhados dos Dançantes com seus instrumentos musicais: cavaquinho, violão, chocalho e reco-reco.
Simbolizando os ilustres da Corte, surgem o REI CONGO, o Sr. José Raimundo Soares Neto (de 74 anos) – conhecido na entidade como “Mestre Zinho” ; a Rainha Perpétua , dos Congados de Ubá, Sra. Regina Penha Silva Nascimento; e o Rei do Meio, Sr. João Adão Brum. Na Festa do dia 13 de Maio – considerada pelos congadeiros como a “Festa da Libertação” (dos Escravos no Brasil), também desfila a Princesa Isabel , acompanhada por damas e vassalos. A Juíza dos Congados de Ubá, dona Carmelita, há vários anos carrega pelas ruas da cidade a Coroa que pertenceu ao Mestre Adão Quintão, ex-Rei Congo por vários anos (falecido em 1959). No canto de lamento ou de alegria, no bailado das danças, no toque dos instrumentos musicais e na expressão facial, os Congadeiros de hoje reverenciam a memória dos antepassados. E dão Vivas ao Tio Miguel , negro congadeiro que veio lá da Bahia. Dão Vivas ao Mestre Adão Quintão; Vivas à Rainha Benvinda; Vivas à Vó das DÔ e à tantos outros congadeiros que já foram para a morada celestial.
Mantendo viva uma tradição centenária de nossa cultura popular, os congadeiros saem do anonimado do dia-a-dia e se tornam Reis, Rainhas, Príncipes e Princesas na corte da Sociedade Ubaense dos Congados Nossa Senhora do Rosário. (texto extraído do roteiro do documentário “Congado N. S. do Rosário – Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Ubá” , elaborado pelos conselheiros Anderson Moreira Vieira e Levindo Ferreira Barros.)
Congados de Ubá: A Sociedade Ubaense de Congados Nossa Senhora do Rosário é uma sociedade civil, fundada em 07 de outubro de 1975 , com a seguinte finalidade: cultuar entre seus associados a devoção em Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia; promover por todos os meios ao seu alcance a realização dos festejos de Nossa Senhora do Rosário; difundir a cultura afro-brasileira com sua história e costumes, mediante participações em programas folclóricos e culturais; desenvolver campanhas de assistência social à população carente residente nas imediações de sua sede administrativa (Rua Adão Quintão, no 26 ? bairro da Luz/Agroceres). De acordo com o art. 36 de seu Estatuto, tem por insígnia uma Bandeira Azul e Branca com a pintura de Nossa Senhora do Rosário, contendo ainda o nome da Sociedade escrita por extenso. (Nota: a atual bandeira da entidade é uma criação da artista plástica ubaense Marcini Moura Jorge). Entre as principais datas festivas que a entidade dos Congados de Ubá participa destacam-se: Festa de São Jorge (23 de abril); Festa da Libertação dos Escravos (13 de maio); e Festa da Padroeira da entidade e Padroeira do Município, Nossa Senhora do Rosário (em 07 de outubro).
Patrimônio Imaterial: O Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Ubá elaborou um trabalho de pesquisa sobre a mais antiga entidade cultural viva de nosso município (no período de 2000 a 2006) e deliberou pelo registro da BANDA DE CONGADA DE UBÁ, da Sociedade Ubaense de Congados Nossa Senhora do Rosário como “Patrimônio Imaterial do Município de Ubá”, reconhecendo-se-lhe a grande importância para a cultura do povo ubaense e assegurando-se-lhe a proteção especial, o incentivo e o apoio por parte do Poder Público. A Deliberação do Conselho do Patrimônio foi homologada pelo Prefeito Dirceu dos Santos Ribeiro por intermédio do Decreto 4.515, de 03 de julho de 2006, data do 149o aniversário do Município.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: A palavra Ubá, em tupi-guarani, significa canoa de uma só peça escavada em tronco de árvore. É também o nome popular da gramínea “Gynerun Sagittatum”, da folha estreita, longilínea e flexível, em forma de cano, utilizada pelos índios na confecção de flechas de caça e combate, e encontradas em toda a extensão das margens do ribeirão que corta a cidade. O nome do Rio Ubá se deu justamente pela existência dessas gramíneas.
A colonização da bacia do Rio Pomba deu-se, inicialmente, a partir da decadência das atividades de mineração. Em fins do século XVIII e início do século XIX, várias famílias deixaram Mariana, Ouro Preto, Guarapiranga e outros centros de extração à procura de terras férteis e propícias à agricultura, onde pudessem desenvolver atividades de renda mais estável e segura.
As regiões banhadas pelo Rio Turvo, Chopotó, Pomba e outros, eram assediadas devido à ocorrência de florestas que prestaram à extração de madeira e que até então eram habitadas pelos índios (chopós, croatos e puris) e aventureiros. Esses, fundaram fazendas, que prosperaram e deram início à formação de núcleos de população, hoje, cidades florescentes, entre as quais, a cidade de Ubá.
Em novembro de 1767, o Padre Manoel de Jesus Maria foi encarregado de catequizar os índios, preparando as bases para a entrada dos donos de sesmarias, a partir de 1797, iniciando assim a organização de um grande aldeamento central.
No período de 1797 à 1798, foram doadas as primeiras sesmarias, localizadas em terras desocupadas e situadas nas cabeceiras, encostas e margens do Rio Ubá. Nesta época, Bernardo Antônio de Lorena, do conselho de sua majestade, rei D. João VI, era governador da capitania de Minas Gerais.
Em 1805, o capitão Mor Antônio Januário Carneiro, natural de Calambau e seu cunhado, comendador José Cesário de Faria Alvim, adquiriram várias sesmarias até então pertencentes ao Município de São João Batista do Presídio, hoje, Visconde do Rio Branco, trazendo suas famílias, escravos e rebanhos. Fundaram, assim, a atual cidade de Ubá.
Neste período, segundo acordo firmado entre o Vaticano e os reis católicos, quando fosse fundada uma povoação nos países colonizados, em primeiro lugar deveria ser construída um igreja como marco inicial.
Enquanto os primeiros donos das terras situadas às margens do Rio Ubá se preocupavam com suas fazendas, Antônio Januário Carneiro idealizou fundar uma povoação. Seu primeiro passo foi liderar um movimento para assinar a petição requerendo o alvará para a construção da igreja, a qual deveria ser provida de parâmetros para que pudesse ser consagrada ao seu orago (santo de invocação que dá nome à capela).
Para promover esta povoação, o capitão Mor trouxe todos os operários necessários para a construção da igreja, dando-lhes pequenas glendas de terras, moradia e alimentos, enquanto não pudesse ter abastecimento próprio pelo cultivo da terra. Foi também por seu intermédio, que dezenas de famílias vieram em princípio do século XIX, para o povoado que estava se formando, como os Vieira de Andrade, Faria Alvim, Ferreira Valente, Martins Pacheco e outros mais.
A capela foi construída sob a devoção de São Januário. Com o crescimento do arraial foi elevada à Paróquia de São Januário de Ubá em 07 de abril de 1841. O desenvolvimento do povoado se deu gradativamente ao redor da Paróquia e em direção à estrada que levaria à Guarapiranga, onde foram edificadas as primeiras residências em sapé. Esse povoado recebeu o nome de São Januário de Ubá. Devido ao desenvolvimento da paróquia e das atividades dos habitantes, principalmente a cultura do café, em 1854 o povoado recebeu o foro de Vila e, em 1857, foi elevada à categoria de cidade com o nome de Ubá.
Nesse período colonial, a terra tinha pouco valor, pois tudo estava por fazer e o produto primário era o grande objetivo da transformação, tornando a mão-de-obra do campo a principal fonte de renda. O escravo tornou-se peça fundamental para o desenvolvimento agrícola da região, chegando a valer nessa época, mais do que 30 alqueires de terra.
Somente após 1810, houve incentivo ao tráfico de escravos que, com sua capacidade de cultura à terra e seu adestramento nos trabalhos da Casa Grande, contribuíram bastante para a economia cafeeira de Ubá.
A chegada dos imigrantes italianos proporcionou um aumento nas diversas culturas, principalmente na fumageira. A imigração ocorreu em duas épocas distintas e procedências diferentes:
– A primeira fase correspondeu ao ingresso de imigrantes provenientes do sul da Itália que traziam como vantagem sua variadas profissões: artesãos, alfaiates, comerciantes, operários, ferreiros, caldeireiros e marceneiros. Contudo, não eram agricultores, mas colaboravam, e muito, para a melhoria da cidade de Ubá, que, na época, não contava com luz, calçamento, saneamento básico, como todas as demais cidades da Zona da Mata.
– A segunda fase correspondeu à chegada de imigrantes provenientes do norte da Itália, que chegaram aqui somente após a abolição da escravatura em 1888. Ao contrário dos primeiros, esses eram camponeses organizados e disciplinados que vieram substituir o trabalho escravo, dando a Ubá um novo impulso econômico.
Os imigrantes tiveram importantes participações na evolução do município sob os aspectos político, econômico e social, tendo sido um dos poucos municípios do estado, onde os italianos permaneceram após a crise agrícola no país, com a queda do preço do café. Nesta época, houve grande fuga dos colonos, principalmente italianos, que saíam do Estado de Minas Gerais em direção ao Estado de São Paulo.
Aproveitando a baixa geral dos imóveis, adquiriram grandes extensões de terra. Compravam fazendas e subdividiam-nas em várias propriedades, fato que gerou grande atração aos colonos vindos de outras regiões.
Fonte: Prefeitura Municipal.

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