Uberlândia – Estação Sobradinho
A Estação Sobradinho foi tombada pela Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG
Nome atribuído: Estação Sobradinho
Localização: Fazenda Sobradinho, Km 662,358 – Linha Catalão – Uberlândia-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 10.228/06, de 31/03/2006.
Livro do Tombo Histórico: Inscrição XII, pág. 18.
Descrição: As ferrovias começam a ser implantadas no Brasil em meados de 1852, quando Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, uniu esforços para melhorar a ligação da produção do interior do país com o Porto de Mauá, na Bahia de Guanabara. Na mesma data, foi implantado o primeiro ramal férreo do país, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. O período áureo das lavouras cafeeiras, entre as décadas de 1890 e 1920, correspondeu ao apogeu das construções de ferrovias no Brasil, quando milhares de quilômetros de ramais férreos foram instalados.
A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, criada em 1872, assinou contrato com estado de Goiás em 1890, para estender sua linha até Catalão, passando por Nova Ponte e Estrela do Sul ou Miraporanga e Monte Alegre de Minas. O projeto original foi alterado e a cidade de São Pedro de Uberabinha foi privilegiada com a construção de uma estação de trem no seu espaço urbano e outras na zona rural. Uma delas foi a Estação Sobradinho, inaugurada em 15 de novembro de 1896.
A Estação Sobradinho integra o ramal de Catalão, da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que partia de Campinas passando por Delta, Uberaba, Uberlândia e Araguari. A definição deste percurso deveu-se ao Coronel José Teófilo Carneiro que, através de sua influência política, conseguiu fazer com que a Cia. Mogiana passasse esta linha por Uberlândia e Araguari.
A inauguração da Estação Ferroviária Sobradinho data de 15 de novembro de 1896, época que marca o período áureo das Estradas de Ferro no Brasil.
As demais estações que compunham a Linha de Catalão, entre Uberlândia e Araguari são Uberabinha, Stevenson, Irara, Burity, Palestina, Mangabeira e Jiló (Araguari), sendo que destas somente as estações Stevenson, Irara e Sobradinho ainda existem.
Durante muitos anos, este ramal foi uma das principais fontes de deslocamento, tanto de passageiros quanto de mercadorias entre o Centro-Oeste brasileiro e o Sudeste do país, tornando-se rota indispensável de bens de consumo e matérias primas.
A estação de Uberabinha, na Zona Urbana, e Sobradinho na Zona Rural foram as grandes responsáveis pela ascensão do Município no mercado regional e nacional, porém após o declínio do café e do crescente aumento dos veículos automotores, o transporte ferroviário de passageiros entrou em colapso, forçando as empresas a diminuírem suas linhas e otimizarem seus serviços. Neste período, em 1971, a Estação Sobradinho foi desativada. Os trilhos da estação, no entanto, só foram retirados no período de 1981 a 1983, sendo recolocados na Casemg de Uberaba, MG, de acordo com o relato de Onírio Reis Barbosa, ex-chefe de setor da Fepasa.
A Estação Sobradinho ainda resguarda muitas de suas características originais, constituindo um dos principais exemplares da arquitetura típica das estações ferroviárias da Mogiana, construídas no século XIX. O conjunto arquitetônico da Estação Sobradinho era composto, originalmente, da edificação principal da Estação, por um depósito de areia e uma caixa d’água situados do lado esquerdo da construção principal e pela casa do telégrafo, situada ao lado direito da mesma. A Estação com 129,11m² e a caixa d’água com 3,15m² preservam as características originais de sua construção, apresentando apenas algumas intervenções pontuais. No entanto, são encontrados apenas vestígios do depósito de areia e nenhuma evidência da existência da casa do telégrafo.
A Estação é uma construção típica das estações da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, apresentando esquema construtivo simples, com tijolos aparentes vindos diretamente da Inglaterra e cobertura de telhas francesas, apoiada em estruturas de madeira. Na parte esquerda do conjunto há um pátio com muro arrematado com o mesmo trabalho de tijolos aparentes. Nesse pátio encontra-se um anexo construído aproximadamente na década de 1960. A caixa d’água possui o tanque de ferro fundido com placas de 112mx112m, importadas da Inglaterra, suportado por estrutura de tijolos aparentes.
A estação ferroviária é um importante referencial que mantém viva na memória dos habitantes de Uberlândia a sua relação com o passado, tendo em vista que a Mogiana se constituiu um dos elementos que propiciaram o desenvolvimento do Município e criou a possibilidade para que se transformasse, desde o século XIX, em ponto privilegiado no interior das Gerais.
Fonte: Prefeitura Municipal.
Histórico do município: A Fazenda São Francisco foi sede da Sesmaria de João Pereira da Rocha, o primeiro morador a fixar residência nesta região no início do século XIX, por volta de 1818. A cidade de Uberlândia se formou em terras desmembradas desta família.
Por volta de 1835, chegaram os irmãos Luiz, Francisco, Antônio e Felisberto Carrejo, que compraram de João Pereira da Rocha as terras para formar as respectivas propriedades: Olhos D’Água, Lage, Marimbondo e Tenda. Ainda hoje elas permanecem na zona rural do município.
Felisberto Alves Carrejo construiu em sua fazenda uma tenda de ferreiro para abrigar as suas atividades profissionais, por isso, sua propriedade ficou conhecida por “Tenda”. Apesar das benfeitorias feitas no local, Felisberto transferiu sua residência para 10 alqueires de terra de cultura, nas imediações do Córrego Das “Galinhas” (Avenida Getúlio Vargas), adquiridos de Dona Francisca Alves Rabelo, viúva de João Pereira da Rocha. Nesta ocasião, esta porção de terra, atualmente Bairro Tabajaras, já era habitada por um pequeno número de pessoas.
Uberlândia é uma cidade que, como muitas, nasceu no entorno de uma capela. Como símbolo de uma comunidade que se pretendia organizada e civilizada, os moradores pediram ao Bispado a permissão para a construção de uma Capela Curada, a ser dedicada à Nossa Senhora do Carmo. Desta forma, construída em adobe e barro nas suas formas mais simples em termos arquitetônicos, ela foi idealizada em 1846.
Para viabilizar a sua construção, os procuradores da obra entraram em entendimento com D. Francisca Alves Rabelo e dela adquiriram, pela quantia de quatrocentos mil réis, cem alqueires de terras de cultura e campo, entre os Córregos Das Galinhas e São Pedro. Todo o Patrimônio foi doado a Nossa Senhora do Carmo e, atualmente, corresponde à parte central da cidade de Uberlândia. O Arraial recebeu então o nome de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha. Nas proximidades do lugar escolhido para a construção da capela, havia um caminho denominado de “Estrada Salineira”, foi às margens deste caminho que se formou o primitivo núcleo urbano.
Quando o Arraial passou à sede do Distrito, a estrada recebeu o nome de Rua Sertãozinho, posteriormente Rua Tupinambás e, atualmente, denomina-se Rua José Ayube. Como o cotidiano das pessoas era pontuado pela vida religiosa, a Capela abrigava à sua volta uma faixa de terreno que ficou conhecido como “Campo Santo”, nele foram sepultados os primeiros habitantes da Vila.
As raízes da cidade estão em um bairro conhecido hoje por Fundinho. As pequenas e tortuosas ruas que entrecortavam o arraial se formaram ladeadas pela sequência de casas, quintais e antigos muros que emprestaram à geografia urbana o seu sentido.
Por volta de 1861, pouco tempo após sua inauguração, a capelinha foi ampliada e transformou-se na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, abrigando até 1941 as principais atividades religiosas da cidade. Em 1943, após a inauguração da imponente Matriz de Santa Terezinha na Praça Tubal Vilela, ela foi demolida e, em seu lugar, foi construído um prédio para abrigar a Estação Rodoviária.
Fonte: Prefeitura Municipal.
FOTOS:
- Imagem: Prefeitura Municipal
- Imagem: Prefeitura Municipal



