Uberlândia – Painel “Indígena Brasileiro”
O Painel “Indígena Brasileiro” foi tombado pela Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG
Nome atribuído: Painel “Indígena Brasileiro”
Localização: R. XV de Novembro, nº 743 – Uberlândia-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 13.203/2011, de 21/12/2011.
Livro de Tombo Belas Artes: Inscrição V, folha 07
Descrição: No primeiro plano de composição do painel destaca-se o casal indígena, composto por pastilhas nas cores ocre, tons de vermelho e preto. Essas figuras se apoiam sobre um tronco de pastilhas nas cores azul, preto, ocre e amarelo, e o índio, à esquerda, carrega nas mãos uma flecha com um par de aves e um arco, representando um ato comum do seu cotidiano: a caça. Este segura a índia pelo braço. Neste ponto, foram aplicadas pastilhas pretas, definindo o contorno da mão, não permitindo que esta se misturasse ao braço dela. Neste mesmo plano, a vegetação é detalhada em tons de ocre, verde e vermelho, permitindo serem identificadas árvores de grande porte, pequenas plantas, flores tropicais, a terra, cipós, as raízes das árvores sobre a água e um caminho, que ali se inicia e se estende até o terceiro plano. Já o segundo plano é menos detalhado, a massa vegetal é retratada por uma camada verde-claro uniforme e se mistura à água, em um tom de azul que vai se tornando mais claro até assumir a posição de céu. Este último plano só se torna perceptível devido à representação de dois pássaros brancos e à presença de duas árvores menores, que dão a sensação de profundidade e demarcam o limite entre a terra e o céu.
Mesmo, de acordo com Tadeu Chiarelli (2002), com uma parcela considerável de artistas que vão deixando, a partir da década 1950, de lado a necessidade preconcebida de criação de uma arte nacional, a favor de uma produção disposta a se constituir através de um diálogo direto com as questões da arte contemporânea internacional, percebe-se nesta obra, ainda, a influência do ideal nacionalista. O tema indígena e a natureza tropical representam um ideal, até romântico, de valorização do nacionalismo, que na arte brasileira direcionou vários artistas. Ainda, conforme Chiarelli (2002), preocupados em constituir aprioristicamente uma arte brasileira com características próprias, vários deles deixaram de dar vazão as suas personalidades às questões inerentes à arte para se engajarem naquele programa.
(Informações retiradas e adaptadas do Dossiê de Tombamento elaborado por Juscelino Machado)
Fonte: Prefeitura Municipal.
Descrição: […] Painel Parietal Indígena Brasileiro, localizado dentro do imóvel de propriedade de Carmen Lúcia Zacarias de Araújo e esposo, Clara Emília Zacarias Martins e esposo, Cléa Dalva Zacarias Tozello, Luiz Antônio Tadeu Zacharias e esposa, situado na Rua 15 de Novembro nº 743, em frente à Praça Ronaldo Guerreiro, no Bairro Tabajaras, nesta cidade.
Residência Ubirajara Zacharias (data: não consta), de ascendência sírio-libanesa, criador de gado. Painel remanescente Indígena Brasileiro. Dimensões: 1,80m x 2,50m.
Fonte: Juscelino Humberto Cunha Machado Júnior.
Descrição: Considerando a importância do Painel Artístico Indígena Brasileiro em virtude de sua importância enquanto referencial iconográfico no imaginário cultural da cidade;
Considerando que o Painel Artístico Indígena Brasileiro constitui por meio de sua expressividade estética, das técnicas artísticas empregadas em sua composição e de sua representatividade para a população, um elemento importante no traço do panorama da arte moderna produzida no Município na década de 1950;
Considerando que este Painel compõe parte da obra de um artista que tem grande relevância na história cultural de Uberlândia, representando a memória e o imaginário de uma sociedade […].
Fonte: Juscelino Humberto Cunha Machado Júnior.
Histórico do município: A Fazenda São Francisco foi sede da Sesmaria de João Pereira da Rocha, o primeiro morador a fixar residência nesta região no início do século XIX, por volta de 1818. A cidade de Uberlândia se formou em terras desmembradas desta família.
Por volta de 1835, chegaram os irmãos Luiz, Francisco, Antônio e Felisberto Carrejo, que compraram de João Pereira da Rocha as terras para formar as respectivas propriedades: Olhos D’Água, Lage, Marimbondo e Tenda. Ainda hoje elas permanecem na zona rural do município.
Felisberto Alves Carrejo construiu em sua fazenda uma tenda de ferreiro para abrigar as suas atividades profissionais, por isso, sua propriedade ficou conhecida por “Tenda”. Apesar das benfeitorias feitas no local, Felisberto transferiu sua residência para 10 alqueires de terra de cultura, nas imediações do Córrego Das “Galinhas” (Avenida Getúlio Vargas), adquiridos de Dona Francisca Alves Rabelo, viúva de João Pereira da Rocha. Nesta ocasião, esta porção de terra, atualmente Bairro Tabajaras, já era habitada por um pequeno número de pessoas.
Uberlândia é uma cidade que, como muitas, nasceu no entorno de uma capela. Como símbolo de uma comunidade que se pretendia organizada e civilizada, os moradores pediram ao Bispado a permissão para a construção de uma Capela Curada, a ser dedicada à Nossa Senhora do Carmo. Desta forma, construída em adobe e barro nas suas formas mais simples em termos arquitetônicos, ela foi idealizada em 1846.
Para viabilizar a sua construção, os procuradores da obra entraram em entendimento com D. Francisca Alves Rabelo e dela adquiriram, pela quantia de quatrocentos mil réis, cem alqueires de terras de cultura e campo, entre os Córregos Das Galinhas e São Pedro. Todo o Patrimônio foi doado a Nossa Senhora do Carmo e, atualmente, corresponde à parte central da cidade de Uberlândia. O Arraial recebeu então o nome de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha. Nas proximidades do lugar escolhido para a construção da capela, havia um caminho denominado de “Estrada Salineira”, foi às margens deste caminho que se formou o primitivo núcleo urbano.
Quando o Arraial passou à sede do Distrito, a estrada recebeu o nome de Rua Sertãozinho, posteriormente Rua Tupinambás e, atualmente, denomina-se Rua José Ayube. Como o cotidiano das pessoas era pontuado pela vida religiosa, a Capela abrigava à sua volta uma faixa de terreno que ficou conhecido como “Campo Santo”, nele foram sepultados os primeiros habitantes da Vila.
As raízes da cidade estão em um bairro conhecido hoje por Fundinho. As pequenas e tortuosas ruas que entrecortavam o arraial se formaram ladeadas pela sequência de casas, quintais e antigos muros que emprestaram à geografia urbana o seu sentido.
Por volta de 1861, pouco tempo após sua inauguração, a capelinha foi ampliada e transformou-se na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, abrigando até 1941 as principais atividades religiosas da cidade. Em 1943, após a inauguração da imponente Matriz de Santa Terezinha na Praça Tubal Vilela, ela foi demolida e, em seu lugar, foi construído um prédio para abrigar a Estação Rodoviária.
Fonte: Prefeitura Municipal.
CONJUNTO:
Uberlândia – Conjunto da Obra em Mosaico de Vidro de Geraldo de Queiroz
FOTOS:
- Imagem: Juscelino Humberto Cunha Machado Júnior
- Imagem: Juscelino Humberto Cunha Machado Júnior
- Imagem: Juscelino Humberto Cunha Machado Júnior
- Imagem: Juscelino Humberto Cunha Machado Júnior
MAIS INFORMAÇÕES:
Juscelino Humberto Cunha Machado Júnior
Juliana Pavesi Miguel Traldi





