Uberlândia – Residência Chacur


Imagem: Prefeitura Municipal

A Residência Chacur foi tombada pela Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG
Nome atribuído: Residência Chacur
Localização: R. Marechal Deodoro da Fonseca, nº 52, esquina com R. Vigário Dantas, nº 325 – Bairro Fundinho – Uberlândia-MG
Decreto de Tombamento: Decreto n° 9.183/2003, de 02/06/2003 – Alterado pelo Decreto nº 15.407, 13/01/2015.
Livro do Tombo Histórico: Inscrição VIII, pág. 11.

Descrição: Não há documentação que informe a data exata da construção do imóvel. No entanto, suas características arquitetônicas e o fato de sua primeira transferência de venda datar de 1927 indicam que sua construção se deu no início da década de 1920.

Os primeiros proprietários foram o Sr. Francisco Moyulba e sua esposa. Os proprietários seguintes foram o Sr. Setrack Naccachi e sua esposa e, em 1927, passou para Salomão Attiê & Cia. Em 1932, em consequência da dissolução da firma Salomão Attiê e Cia. e para o saldo de uma hipoteca, a residência foi vendida ao Sr. Aníbal Guimarães e sua mulher que, em 1934, a transferiram para o Sr. Miguel Jacob. Posteriormente, em 1936, a residência voltou às mãos da família Attiê, uma vez que o Sr. Jacob a vendeu aos filhos do Sr. Salomão Attiê, Jorge Salomão e Adib Salomão, ainda menores de idade.

Em 1944, o imóvel foi vendido para o Sr. Aladim José Bernardes, que a transferiu, em 1962, a Adel Elias El Rassi e Abrahim Elias Rassi. Neste período, efetivou-se uma divisão no imóvel, ficando uma parte com nove cômodos e a outra com sete. Enfim, em 1966, as duas partes do imóvel passaram para o Sr. Said Chacur e sua esposa, Sra. Albertina Chacur.

Com a morte do Sr. Said, seus herdeiros Sra. Albertina e seus filhos Bacima, Nádia, Nazira e Marco Antônio tornaram-se os responsáveis pelo imóvel. Em 1984, a residência passou por uma reforma, em que se acrescentou ao volume da cozinha uma varanda e uma garagem, e parte do piso foi trocado. Em uma das salas, o forro, anteriormente de madeira, foi substituído por um de gesso e algumas esquadrias também foram substituídas.

O imóvel situa-se em um terreno de aproximadamente 428 m2, nas esquinas das Ruas Vigário Dantas e Marechal Deodoro da Fonseca, no Fundinho. A residência possui, em sua fachada, características neoclássicas expressas pela clareza construtiva e por uma simplicidade formal. O ritmo mantido pela disposição das janelas e de outros elementos afirma tal peculiaridade.

O edifício foi construído no alinhamento do lote, tanto em relação à Rua Vigário Dantas como em relação à Rua Marechal Deodoro, sem afastamento frontal. Estão distribuídas nas fachadas nove janelas ornadas por arcos plenos, cujas bandeiras constituem-se de vidro pintado. Este mesmo ornamento aparece na porta principal da casa. Este imóvel, tendo e vista as suas particularidades se constitui importante exemplo de construção no século XX.

No ano de 2015 o imóvel foi vendido, passou por um processo de restauração de telhado, alvenarias e esquadrias para abrigar uma clínica de fisioterapia.
Fonte: Prefeitura Municipal.

Histórico do município: A Fazenda São Francisco foi sede da Sesmaria de João Pereira da Rocha, o primeiro morador a fixar residência nesta região no início do século XIX, por volta de 1818. A cidade de Uberlândia se formou em terras desmembradas desta família.

Por volta de 1835, chegaram os irmãos Luiz, Francisco, Antônio e Felisberto Carrejo, que compraram de João Pereira da Rocha as terras para formar as respectivas propriedades: Olhos D’Água, Lage, Marimbondo e Tenda. Ainda hoje elas permanecem na zona rural do município.

Felisberto Alves Carrejo construiu em sua fazenda uma tenda de ferreiro para abrigar as suas atividades profissionais, por isso, sua propriedade ficou conhecida por “Tenda”. Apesar das benfeitorias feitas no local, Felisberto transferiu sua residência para 10 alqueires de terra de cultura, nas imediações do Córrego Das “Galinhas” (Avenida Getúlio Vargas), adquiridos de Dona Francisca Alves Rabelo, viúva de João Pereira da Rocha. Nesta ocasião, esta porção de terra, atualmente Bairro Tabajaras, já era habitada por um pequeno número de pessoas.

Uberlândia é uma cidade que, como muitas, nasceu no entorno de uma capela. Como símbolo de uma comunidade que se pretendia organizada e civilizada, os moradores pediram ao Bispado a permissão para a construção de uma Capela Curada, a ser dedicada à Nossa Senhora do Carmo. Desta forma, construída em adobe e barro nas suas formas mais simples em termos arquitetônicos, ela foi idealizada em 1846.

Para viabilizar a sua construção, os procuradores da obra entraram em entendimento com D. Francisca Alves Rabelo e dela adquiriram, pela quantia de quatrocentos mil réis, cem alqueires de terras de cultura e campo, entre os Córregos Das Galinhas e São Pedro. Todo o Patrimônio foi doado a Nossa Senhora do Carmo e, atualmente, corresponde à parte central da cidade de Uberlândia. O Arraial recebeu então o nome de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra de São Pedro de Uberabinha. Nas proximidades do lugar escolhido para a construção da capela, havia um caminho denominado de “Estrada Salineira”, foi às margens deste caminho que se formou o primitivo núcleo urbano.

Quando o Arraial passou à sede do Distrito, a estrada recebeu o nome de Rua Sertãozinho, posteriormente Rua Tupinambás e, atualmente, denomina-se Rua José Ayube. Como o cotidiano das pessoas era pontuado pela vida religiosa, a Capela abrigava à sua volta uma faixa de terreno que ficou conhecido como “Campo Santo”, nele foram sepultados os primeiros habitantes da Vila.

As raízes da cidade estão em um bairro conhecido hoje por Fundinho. As pequenas e tortuosas ruas que entrecortavam o arraial se formaram ladeadas pela sequência de casas, quintais e antigos muros que emprestaram à geografia urbana o seu sentido.

Por volta de 1861, pouco tempo após sua inauguração, a capelinha foi ampliada e transformou-se na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, abrigando até 1941 as principais atividades religiosas da cidade. Em 1943, após a inauguração da imponente Matriz de Santa Terezinha na Praça Tubal Vilela, ela foi demolida e, em seu lugar, foi construído um prédio para abrigar a Estação Rodoviária.
Fonte: Prefeitura Municipal.


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