Rio de Janeiro – Asilo São Cornélio


Imagem: Iphan-RJ

O Asilo São Cornélio, em Rio de Janeiro-RJ, foi tombado por sua importância cultural.

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Nome atribuído: Asilo São Cornélio: prédio (Casa Rua do Catete, nº 6)
Localização: Rua do Catete, nº 6 – Rio de Janeiro-RJ
Número do Processo: 10-T-1938
Livro do Tombo Belas Artes: Inscr. nº 75, de 15/07/1938
Uso: Faculdade de Medicina Souza Marques

Descrição: Edificação com data de 1862 na fachada, foi adquirida em 1868 pelo Comendador João Martins Cornélio dos Santos, para sua residência. Este deixou em testamento a propriedade para a Santa Casa de Misericórdia, que aí instalou um asilo, com a invocação de São Cornélio, inaugurado em 1900. Extensa casa térrea com porão, apresenta para o logradouro embasamento revestido de mármore, seqüência de janelas de peitoril com ombreiras de cantaria e vergas de arco pleno. A frontaria é encimada por platibanda revestida de azulejos, tendo, ao centro, tímpano com baixo-relevo de estuque. Sobre a platibanda, estatuetas de mármore marcam as prumadas das pilastras e cunhais. Nas duas extremidades da fachada, pequenos jardins com gradil de ferro fundido. Internamente, a edificação preserva, em muitos salões, tetos de estuque com baixo-relevo e pintura. Após sua aquisição pela Faculdade de Medicina Souza Marques, foi construída uma série de edificações na área localizada aos fundos da casa histórica, de feição puramente comercial.
Fonte: Iphan.

Enquadramento Urbano e Paisagístico: Situa-se na Rua do Catete, nº 6, no bairro da Glória. O bairro, na Zona Sul do Rio de Janeiro, é predominantemente residencial e densamente ocupado, por sua proximidade ao Centro. O terreno original do palacete, que subia até a encosta do morro Santa Teresa, foi parte da grande chácara de Manoel Velho da Silva, e foi diminuindo com o passar dos anos devido a loteamentos e à implantação da Rua Santo Amaro. A casa fica junto ao outeiro da Glória e à Praça Nossa Senhora da Glória, que lhe proporciona ambiência e visibilidade.
Fonte: A Casa Senhorial.

Morfologia e Composição: O Palacete Cornélio foi construído em 1862 como residência térrea de frente de rua com porão alto. A fachada principal é voltada para Leste. O bloco original é um prisma de base retangular, com o maior lado ao longo da via pública. A composição é simétrica, dividida em três panos delimitados por colunas compósitas, tendo o centro marcado por um frontão. Possuem dois blocos recuados nas laterais, que criam pátios de acesso a casa, cercados por gradis de ferro com portões. No lado direito há uma passagem para o jardim que se localiza nos fundos da construção, através de um arco pleno. Outros pavilhões foram acrescentados nos fundos, para atender às necessidades do Asilo, e mais tarde da Faculdade de Medicina Souza Marques.
Fonte: A Casa Senhorial.

Fachada Principal: A fachada principal divide-se em três panos, limitados verticalmente por colunas compósitas. O porão é revestido em silharia de argamassa, com óculos ovais alinhados pelos eixos das janelas para ventilação. O pano central tem cinco janelas de peitoril em folhas de madeira e vidro com bandeira em arco pleno, e os panos laterais têm quatro janelas do mesmo tipo cada um. As janelas são emolduradas em cantaria. A composição é marcada ao centro por frontão triangular e arrematada lateralmente por platibanda. O coroamento é dividido da parede por frisos e cornija denticulada.
Fonte: A Casa Senhorial.

Fachadas Secundárias: A fachada lateral direita tem composição simétrica de três vãos, sendo o central uma porta de duas folhas de madeira e vidro que dá entrada a casa, os vãos laterais são janelas de peitoril idênticas àquelas da fachada principal. Na fachada lateral esquerda um lance de escada de ferro dá acesso a uma pequena varanda, também de ferro. Há apenas dois vãos, sendo uma porta de acesso ao interior e uma janela. As janelas são de peitoril, com duas folhas externas em vidro e folhas internas de madeira. As bandeiras são em arco pleno, e o conjunto do vão é emoldurado em cantaria. A entrada se faz pelas duas laterais, por escadas de ferro com pisos de granito, com dois lances em curva, opostos e simétricos. O patamar único dá acesso a uma porta de duas folhas em madeira e vidro, com bandeira em arco.
Fonte: A Casa Senhorial.

Fachada dos fundos: A fachada dos fundos tem janelas retangulares em venezianas de madeira e folhas de vidro, com bandeira também retangular. As colunas que marcam os panos da fachada são mais simples, assim como o friso e a cornija. A platibanda é azulejada, e estátuas coroam a marcação vertical da fachada. Uma porta baixa dá acesso ao porão alto, que tem uma base de cantaria. No recuo da fachada, uma escada e uma porta dão acesso ao largo corredor situado nos fundos do bloco principal.
Fonte: A Casa Senhorial.

Programa geral, tipologia e planta: A construção assobradada é composta de prisma alongado em um pavimento com porão, que se articula a um corpo lateral, formando uma planta em “L”, com jardim nos fundos. As entradas apresentam-se dispostas nas duas laterais, sendo a principal feita pelo lado sul, por uma suntuosa escada curvilínea em dois lances, que dá acesso diretamente à entrada social ou sala de visitas, seguido da zona de aparato.

Um terceiro acesso localizado na fachada leste conduz a um extenso e largo corredor com janelas para o jardim, levando ao pequeno hall por onde se pode adentrar na área nobre pelos fundos da construção. A tipologia assimétrica define espaços de dimensões distintas dispostos lado a lado sem a interseção de corredores internos, sendo a circulação feita através das numerosas passagens que interligam todas as salas.

A área nobre e social da casa combina saletas, salas e grandes salões, dentre estes a sala de visita (2) o salão nobre (3), a sala de jantar (14), e a sala de música (16), distribuídos na ala sul e central do edifício. Os ambientes contíguos são interligados por uma ou mais portas, facilitando a livre circulação em dias e ocasiões festivas.

Em função das modificações internas, realizadas quando o Palacete tornou-se Asilo São Cornélio em 1900, alguns espaços perderam suas características e funções originais. A planta existente indica que a zona privada com quartos e os serviços estariam localizados na ala norte, e no corpo lateral, a noroeste do edifício. A entrada lateral norte na fachada principal conduz o exterior diretamente à área privada da casa, sem que seja necessário transitar pelos demais ambientes.
Fonte: A Casa Senhorial.

Pinturas decorativas: Piso 0, Divisão 16, Sala de Música
Decoração pictórica inspirada no barroco italiano onde o teto retangular pintado em quadratura se abre mostrando um céu fingido, coberto por grande planejamento circular. O tecido em tons de cinza simulando rico bordado se dobra, formando uma espécie de tenda, cujas pontas são cuidadosamente alçadas por dois Amores. Perfeitamente escorçadas estão outras quatro figuras de Amores segurando diferentes instrumentos musicais como a corneta, o pandeiro e a flauta; se espalham aninhadas sobre a arquitetura fictícia do entorno, ricamente pintada com os efeitos ilusionistas do trompe l’oeil.

O cimácio é composto de uma moldura saliente com acabamento marmorizado, que se estende sobre a parte inferior decorada, com apainelados guarnecidos de fond losanges às fleurettes, e rematado com seis ornatos de guirlandas e máscaras femininas ou espagnolette, tipologias recorrentes da Regência francesa.

Piso 0, Divisão 3, Salão Nobre
O teto ornado com pintura decorativa busca o efeito monumental do Primeiro Estilo Luís XIV com Amores, que se aninham sobre arquiteturas fingidas acima da pesada cornija; e figuras femininas que se ordenam ao redor da grande reserva central com moldura saliente pintada em trompe l’oeil. Encimando a cornija, destacam-se quatro grandes painéis simétricos de temática histórica, como a Passagem de Humaitá na Guerra do Paraguai. Destoando deste enredo, delicada pintura de puttis esvoaçantes portando extensas guirlandas de flores, muito ao gosto de Boucher, preenche a grande reserva central de contorno ovalado, onde é circundada pelos demais compartimentos do forro, guarnecidos de uma malha de arabescos estilizados.

Piso 0, Divisão 14, Sala de Jantar
O forro retangular é decorado com pintura em trompe l’oeil, simulando ornamentação em relevo estucado. O sistema de compartimentação geométrica apresenta grande reserva central, oval, flanqueada por seis seções triangulares distintas, cujo lado tangente ao centro é curvilíneo.

Os interiores são preenchidos com malha plana e monocromática, realizada com a técnica do stencil ou pochoir. A reserva central apresenta florão composto de roseta no cerne com enrolamentos e volutas, e cercadura de cordão de pérolas. No entorno, a rica moldura pintada em claro e escuro. Confere relevo pictórico ao gosto do strapwork elisabetano. O perfil côncavo é decorado com um largo friso ostentando seis suntuosas cartelas barrocas em relevo pictórico, unidas por arranjos florais e guarnecidas de pinturas de naturezas-mortas e gêneros alimentícios.

O friso é preenchido por ornamentação com motivos de strapwork suavemente pintados com efeitos de sombra e luz, e segue contornando o teto sobre uma cornija fingida, pintada com a riqueza ilusionista do trompe l’oeil.

As paredes são compartimentadas em painéis verticais que intercalam portas e janelas, com molduras retilíneas coroadas por uma pequena cártula e o fundo preenchido com a malha monocromática do forro. Distribuído pelo interior de cada painel, grande arranjo de flores e frutas. Pintura decorativa, provavelmente elaborada na segunda metade do século XIX.

Piso 0, Divisão 2, Sala de Visitas
O teto retangular exibe pintura decorativa de inspiração clássica composta de compartimentação diversa, mantendo o rigor simétrico do arranjo. Ao centro, a grande reserva circular onde figura um putti esvoaçante rodeado de borboletas e folhagens, apresenta modinatura composta de toro decorado com motivos vegetalistas e cercadura em grisaille de enrolamentos de acanto e parreira, rematados por duas máscaras femininas ao modo de Marot ou Blondel. A reserva oval é flanqueada por quatorze compartimentos pintados com efeitos de sombra-luz, formando dois blocos que se repetem em cada lado do entorno. Seis são medalhões historiados guarnecidos de pintura figurativa, sendo dois retratos masculinos com as iniciais M.A.J. e P.A.C., e quatro alegorias femininas das águas dos rios brasileiros São Francisco, Amazonas, Madeira e Paraná.

As molduras em grisaille simulando relevo fictício são ricamente trabalhadas com palmeta em concha, folhas de acanto e parreira, que se entrelaçam ao redor do medalhão, compondo uma borda em estilo italiano. Os outros oito compartimentos ornamentais de gênero naturalista apresentam formato irregular e recebem motivos pictóricos de folhagens espiraladas, gavinhas, arabescos, flores, folhas de parreira e pássaros, envoltos por delicado cordão de contas. Duas rosetas clássicas com o mesmo acabamento rebuscado das demais molduras são posicionadas de forma simétrica no cerne de cada bloco, de onde caem pendentes os lustres. Toda modinatura em grisaille simula relevo estucado num realismo pictórico notável. O conjunto é rematado por quatro pequenos motivos de concha posicionados em cada vértice, e por uma discreta cimalha com óvalos pintada em trompe l’oeil, que desliza por todo forro encaixilhando o conjunto. Unindo o teto às paredes, a sanca côncava tem sua curvatura pintada com friso de arcos ogivais num tom ocre-dourado fingindo relevo esculpido.

Piso 0, Divisão 7 Pequeno Hall
O pequeno teto de planta quadrangular é decorado com pintura em trompe l’oeil simulando abertura que se ergue sobre uma estrutura arquitetônica fingida, cujas paredes curvas alternam contornos côncavos e convexos. No alto, a cornija saliente circula pelas bordas curvilíneas arrematando a estrutura elevada. Com efeitos de sombra-luz são pintados ressaltos, molduras e apainelados com admirável realismo pictórico. Os cantos em curvatura convexa são decorados com grandes painéis rebaixados, guarnecidos de rica ornamentação sugerindo metal trabalhado com motivos em strapwork. Uma profusão de coloridos e delicados arranjos florais coroam a cornija, pendendo aleatoriamente em alguns pontos. Sobre o vão aberto, oito seções pintadas com relevo ilusório parecem soltar-se da estrutura, formando um círculo ao redor do florão central.
Fonte: A Casa Senhorial.

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Fonte: A Casa Senhorial.

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Fonte: A Casa Senhorial.

FOTOS:

MAIS INFORMAÇÕES:
Portal do Patrimônio
A Casa Senhorial
A Casa Senhorial – arquitetura
A Casa Senhorial – programa interior
A Casa Senhorial – estuques
A Casa Senhorial – pintura decorativa
A Casa Senhorial – decoração diversa


6 comments

  1. Márcio José Ferreira |

    Bom dia,

    Sobre a documentação das meninas que foram acolhidas pelo Asilo, como faço pra ter acesso as estas informações?

    Minha avó paterna foi acolhida por este Asilo.

  2. LETICIA RODRIGUES |

    GOSTARIA DE SABER SOBRE A HISTÓRIA DESTA EDIFICAÇÃO, INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE O LOCAL E A IMPORTÂNCIA QUE TEVE PARA A MEDICINA?

    ESSAS INFORMAÇÕES SÃO PARA UM TRABALHO DE PÓS GRADUAÇÃO.

  3. Maria Cristina Paiva Bueno |

    Por favor salvem esse monumento histórico e maravilhoso do Brasil nessa cidade maravilhosa. Minha mãe foi criada nele.

  4. Paulo Ladeira |

    Este prédio não pode ser derrubado para construção de um condominio moderno que revitalizará a área no entorno? porque hoje serve apenas como uma área de sujeira, abandono e diversos camelôs ao longo da calçada.
    O tombamento é somente da fachada ou de todas as construções existentes no terreno?
    Agradeço o retorno.

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